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sexta-feira, 31 de julho de 2009

Cidade de Deus


O melhor filme da nova geração do cinema nacional facilmente, o único que conseguiu aliar a estética publicitária com intensidade cinematográfica que estava faltando à nova safra. Ele tem o apuro técnico dos filmes do Walter Salles ou da Conspiração filmes, mas com uma crueza e verdade que remete a obras como Pixote. O filme faz um discurso sério e mostra uma realidade chocante mas ao mesmo tempo embala o público com uma história e personagens cativantes, em um visual moderno que funciona perfeitamente com o estilo do filme.

É uma espécie de Snatch - Porcos e Diamantes misturado com Amores Brutos, mas sem tentar ser nenhum desses filmes.

E achei melhor que ambos, o que me deixou bastante emocionado pois são dois filmes que gostei imensamente. O que Cidade de Deus tem que os outros filmes não podem oferecer é um universo que podemos nos identificar, saem os guetos londrinos ou mexicanos, entra a nossa favela, saem os marginais irlandeses com sotaque engraçado, entra o malandro carioca, em vez de ouvir 'Fuck isso' ou 'Fuck aquilo', você ouve 'Porra', 'Caralho', 'Filho da Puta', mas finalmente nossos palavrões soam bem!

O filme tem muitos momentos engraçados, o ritmo é excelente e as duas horas e vinte minutos voam, mas não poupa o espectador de algumas cenas chocantes principalmente as que envolvem menores. Tomaram cuidado pra não deixar muito apelativo, mas ainda bem que foram corajosos o suficiente pra não fechar os olhos à certas situações que infelizmente acontecem todos os dias nas periferias das cidades, e são essenciais para tentar entender como funciona esse mundo paralelo que, como diz o narrador da história, é o nosso Vietnã.

Tecnicamente é perfeito, a fotografia filtrada com poucas cores é ótima, aliada a uma edição frenética e movimentos de câmera ágeis e bem planejados, mas o que me chamou mais atenção foi o áudio, o filme tem som Dolby DTS e recomendo assisti-lo num cinema equipado para tal. Os diálogos são perfeitamente compreensíveis, os efeitos enchem a sala de projeção (em certos tiroteios você se sente literalmente no meio do fogo cruzado) e a trilha sonora é excelente! Os atores são um caso especial, a co-diretora Katia Lund utilizou na maioria atores amadores selecionados nas comunidades onde o filme foi realizado e devo dizer que ela fez um trabalho incrível, apesar de ser fácil de notar uma certa insegurança em alguns deles, na maioria ela consegue resultados excelentes e dá uma veracidade impressionante à história.

Falando na história, ela é fictícia mas inspirada em fatos reais narrados por um jornalista que foi morador da Cidade de Deus no livro do mesmo nome. Conta a história de um garoto chamado Buscapé desde sua infância nos anos 60, até o final dos anos 70, dando uma idéia da criação das favelas, da origem do tráfico de drogas e de sua relação no dia a dia dos moradores. Contado através dos olhos dele, é um filme sobre o mundo do crime mas também sobre personagens, tratados de maneira quase mítica e também de forma bastante humana.

É pra divertir, emocionar, chocar, fazer pensar, parece que finalmente o cinema nacional está amadurecendo para o fato de que você não tem só que agradar ao mercado, mas fazer um filme que diga algo. Prestigiem esse filme enchendo as bilheterias, o filme merece e os que financiam o cinema nacional poderão notar que existe público para filmes mais ousados.

Trailer do Filme

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Título Original: Cidade de Deus
Gênero: Drama
Tempo de Duração: 135 min
Ano de Lançamento: 2002
Qualidade: DVDRip
Formato: Rmvb
Áudio: Português
Legenda: s/l
Tamanho: 545 mb

Era Uma Vez no Oeste


“Vi três casacos iguais a esse há pouco tempo, esperando um trem. Dentro dos casacos, havia três homens. Dentro dos homens, três balas”. A frase poderia soar como piada ou, pior, como clichê de terceira categoria, se fosse pronunciada no momento errado ou por um personagem equivocado. Não é o caso. Esse é apenas um dos abundantes momentos antológicos de um dos mais fantásticos faroestes de todos os tempos: “Era Uma Vez no Oeste” (C’Era una Volta il West, Itália/EUA, 1969), obra-prima de despedida do gênero feita pelo italiano Sergio Leone.

O autor da tirada impagável é o personagem clássico dos maravilhosos western spaghetti que Leone dirigiu na década de 1960: um pistoleiro sem nome, de passado misterioso, futuro incerto e objetivo desconhecido. Em “Era Uma Vez no Oeste”, o então iniciante ator Charles Bronson substituiu Clint Eastwood, protagonista dos três filmes anteriores do diretor. Basicamente, é o mesmo personagem da trilogia dos dólares, com uma pequena e significativa diferença: ao invés de andar com um cigarro apagado na boca, Bronson carrega uma gaita. Por isso, é apelidado de “Harmonica” por um co-protagonista, o bandido Cheyenne (Jason Robards, em esplêndida atuação).

A dupla se encontra pela primeira vez em um bar. Cheyenne acaba de fugir da prisão e descobre que alguém tentou jogar nele a culpa pela chacina de uma família da região, fazendo os assassinos usarem casacos idênticos às roupas que o bando dele usa – a mesma utilizada pelos homens que haviam tentado matar o gaitista. No mesmo bar está Jill (Claudia Cardinale), viúva que herdou a fazenda da família assassinada. Não vai demorar muito para que todos comecem a desconfiar que um certo Frank (Henry Fonda), capanga de um rico proprietário de terras na região, esteja por trás dos atos criminosos.

O filme de Sergio Leone é, nas palavras do próprio diretor, uma ópera de violência. Está correto. Leone é um estilista nato e construiu um filme silencioso, carregado de tensão e humor cínico, que explode em violência no momento certo, causando o máximo de impacto possível no espectador. O cineasta italiano tinha tudo para fazer um filme patético: ele não falava inglês, mas construiu o roteiro nessa língua; pediu para que o maestro e colaborador habitual Ennio Morricone escrevesse a trilha sonora (quatro temas, um para cada personagem principal) antes de filmar uma única cena, algo impensável em Hollywood; e dispensou o uso de storyboards, afirmando que tinha cada uma das cenas gravada da mente.

Leone estava certo, como sempre. Sua capacidade como criador dispensava esses artifícios banais. As quase três horas de “Era Uma Vez no Oeste” flagram um gênio no ápice de sua forma. Tome a seqüência de abertura como exemplo. Três temidos pistoleiros aguardam a chegada de um trem que traz algo esperado com ansiedade. A platéia não sabe o que é. Em onze minutos, sem diálogos e sem música, Leone estica a tensão a um ponto insuportável, utilizando apenas sons naturais (o rangido de um velho moinho, o zumbido de uma mosca, o apito do trem ao longe) e sua marca registrada – a combinação de closes dos rostos tensos e suados dos atiradores com paisagens panorâmicas de tirar o fôlego.

Como essa seqüência antológica existem muitas outras: a chacina da família irlandesa que desencadeia a trama; a longa tomada sem cortes da chegada de Jill à cidade de Tombstone, uma vila em construção; o ataque solitário de Cheyenne ao trem cheio de bandidos. A fotografia espetacular de Tonino Delli Colli valoriza cada rosto, cada plano, cada imagem, e consegue a proeza de combinar com perfeição os tons verdes da vegetação rasteira que predomina no deserto espanhol, onde a maior parte do filme foi produzida, à poeira vermelha de Monument Valley (EUA), onde Leone gravou algumas seqüências panorâmicas (o diretor mandou importar sacas do pó vermelho para espalhar nas locações interiores, como bares e fazendas, na Itália).

Aliado a tudo isso, Leone oferece uma direção de arte impecável, produzindo momentos que influenciariam vários grandes cineastas nos anos seguintes. Os casacos cor-de-terra da gangue de Cheyenne, por exemplo, tornaram-se um símbolo usado por assassinos de vários filmes feitos depois. Leone também exigiu que todos os atores usassem maquiagem que simulava a pele queimada pelo sol abrasivo, o que deu um realismo inédito à produção.

Outro acerto está na trilha sonora literalmente antológica, com quatro temas que se revezam, um melhor do que o outro (o emocionante lamento que acompanha os passados de Harmonica, em gaita e guitarra, ressoou em várias outras obras do mestre Morricone, enquanto os toques secos do banjo no tema de Cheyenne serviram de inspiração para a “Marcha Imperial” da série Star Wars).

Há ainda um quarteto de atores no melhor da forma. Robards quase rouba a cena como o cínico Cheyenne; Henry Fonda usa os olhos azuis como contraponto formidável para a frieza de um dos assassinos mais desalmados que o cinema já produziu; Bronson não precisa abrir a boca para impor respeito; e Cardinale está linda como nunca – e ainda fala grosso, como uma verdadeira dama desbocada, muito em voga nos anos 1960.

Os diálogos são a cereja no topo do bolo: apenas quinze páginas de conversas, o que daria algo em torno de 15 minutos em um filme normal. “Era Uma Vez no Oeste”, porém, não tem nada de normal. Não é à toa que Leone é o diretor predileto de Quentin Tarantino. O norte-americano se orgulharia de ter escrito a conversa seca entre Harmonica e Cheyenne, quando o primeiro entrega o outro ao xerife da cidade: “A recompensa por esse homem é de cinco mil dólares, certo?”, pergunta Bronson. “Judas se contentou com 4970 moedas a menos”, provoca Robards. “Não havia dólares naqueles dias”, retruca o pistoleiro. “Ah, mas filhos da p… já existiam”. Antológico é pouco.

Trailer do Filme

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Título Original: C’era una volta il West
Gênero: Faroeste
Tempo de Duração: 165 min
Ano de Lançamento: 1968
Qualidade: DVDRip
Formato: Rmvb
Áudio: Inglês
Legenda: Português
Tamanho: 540 mb

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Uma Lição de Amor(I´am Sam)


Esse filme devido a atuação do Sean Pean, foi muito falado, até porque Sean é um bom ator e estava concorrendo ao Oscar deste ano exatamente por esse filme.

Bem, quando o filme acabou não tem como não ficar impressionado com a atuação do Sean, que sem muito esforço, rouba a cena em quase todos os momentos do filme. Sim o filme em si, tem uma história até simples, não lembro se já foi mostrada desta forma em outros filmes (provavelmente),e por isso fica ideal para todas as idades.

Algumas pessoas podem achar por isso uma história fraca, mas não deixa de ser divertida e interessante. Penso agora que isso fez com que Sean tivesse uma maior liberdade de atuar, o que para nós foi um ótimo presente. Michelle Pfeiffer continua linda e apenas uma coadjuvante no filme, não atrapalha e da todas as "pontes" para Sean poder dar seu "show", mas ele não está sozinho a garotinha (Dakota Fanning) que faz a filha de Sean, também está bem no filme, vale a pena dar uma conferida nesta dupla.

Vou deixar aqui apenas uma nota que me pareceu muito interessante, quando vemos Sean, atuando não tem como não lembrar da atuação em outro filme de Giovanni Ribisi. Giovanni também já fez um retardado no filme 'The Other Sister' -1999, junto com Juliette Lewis. Todos os jeitos e trejeitos mostrados por Giovanni, nós podemos ver no novo filme do Sean Pean, com certeza Giovanni foi de alguma forma uma fonte de inspiração. Quem ficou curioso, pode ir conferir.

Trailer do Filme

Download do Filme - parte 1
Download do Filme - parte 2
Download do Filme - parte 3

Título Original: I Am Sam
Gênero: Drama
Tempo de Duração: 133 min
Ano de Lançamento: 2001
Qualidade: DVDRip
Formato: Rmvb (RAR)
Áudio: Inglês
Legenda: português
Tamanho: 430 mb

terça-feira, 28 de julho de 2009

Os Donos da Noite


Os primeiros minutos de “Os Donos da Noite” (We Own the Night, EUA, 2007) deixam a impressão de que o filme será uma variação urbana das histórias sobre ajustes de contas entre dois irmãos de personalidades diferentes. Um atentado inesperado contra a vida de um deles, porém, faz a narrativa dar uma guinada radical, transformando o que parecia um drama banal em um thriller pesado e sufocante, que remete a outra parábola bíblica: a do filho pródigo. Encharcado de sentimentos opressores – remorso, vergonha, inveja, ódio, vingança – e com um toque autoral inconfundível, o filme se destaca do gênero policial oriundo de Hollywood como uma bem-vinda mancha de sangue.

Curiosamente, apesar de não comportar o senso habitual de espetáculo que o thriller genérico de Hollywood sempre acalenta, trata-se de uma obra de espírito essencialmente norte-americano. É só observar como o conceito de “família” fornece a base moral do sofrimento do personagem Bobby Green (Joaquin Phoenix), o protagonista. Toda a trama é narrada do ponto de vista dele, que trabalha como gerente de um clube noturno situado no subúrbio de Nova York. Dar ao trabalho a perspectiva de Bobby é uma decisão crucial do diretor e roteirista James Gray. Qualquer outra opção, como contar a história dos dois irmãos de forma paralela, abrindo o mesmo espaço para ambos, transformaria a obra em mais um melodrama lamacento.

Bobby é um jovem de futuro promissor. Tem uma bela namorada porto-riquenha (Eva Mendes) e a confiança irrestrita do dono do negócio, um rico imigrante russo que tem parentes ligados ao tráfico de drogas na cidade. Bobby sabe disso, mas faz vista grossa à situação. E é justamente ela que o reaproxima da família, com quem mantém frio contato social. O pai (Robert Duvall) e o irmão Joseph (Mark Whalberg) são policiais e têm planos de endurecer o jogo contra os traficantes da cidade. Tentam recorrer à ajuda de Bobby, já que um dos barões da droga (Alex Veadov) fecha negócios justamente na boate que ele gerencia. Bobby tenta se manter neutro. “Vai chegar a hora em que você terá que escolher um lado”, profetiza o pai. Ele está certo.

Jovem promissor e talentoso, o diretor James Gray é um autor bissexto. Fez apenas três longas em quase quinze anos de carreira, parcialmente por insistir em filmar projetos autorais nos intestinos de uma indústria cinematográfica que abomina este tipo de trabalho. A característica o faz mais conhecido e respeitado no cenário do cinema europeu do que dentro dos Estados Unidos. Gray já ganhou prêmio de melhor diretor no Festival de Veneza. “Os Donos da Noite” entrou na competição oficial do Festival de Cannes de 2007, e deixou boa impressão na crítica européia, algo que não ocorreu nos EUA. O filme demorou seis meses para estrear em casa, fracassou nas bilheterias (US$ 27 milhões) e não teve a aclamação esperada pela crítica.

Em parte, a recepção fria pode ser explicada pela relativa semelhança do longa-metragem com pelo menos dois outros projetos contemporâneos. A presença de Mark Whalberg no elenco é apenas um dos muitos pontos de contato da produção com “Os Infiltrados” (2006), que deu o Oscar a Martin Scorsese poucos meses antes da estréia. “Os Donos da Noite” ainda deu o azar de ser exibido quase ao mesmo tempo em que “O Gângster” (2007), de Ridley Scott, que é muito parecido tanto na ambientação (tráfico de drogas, Nova York estilo vintage) quanto na temática (família). O filme de Scott, veterano que valoriza muito mais o senso de espetáculo, prioriza a trama. O de James Gray prefere os personagens. A escolha rende um bom trabalho, mas afasta o público.

O filme não é perfeito. Tem problemas, por exemplo, na reconstituição de época, que lembra muito mais os anos 1970 do que os anos 1980 (a ação se passa em 1988). As roupas, as músicas e o feeling geral da obra remetem ao período de “Operação França” (1971), título de William Friedkin com o qual guarda semelhanças. A rigor, não há nada na trama que remeta à colorida e singular década de 1980, e a ótima fotografia de Joaquin Baca-Asay usa sombras e chuva como elementos cênicos, dando à narrativa discretos tons pastéis. Se está de acordo com a trama, a textura empoeirada das imagens não bate com a época retratada pelo filme. O problema transparece até mesmo em um ou outro objeto cênico. Personagens aparecem, por exemplo, tomando cerveja em garrafas long neck transparentes, que não existiam em 1988.

As qualidades da produção, porém, são maiores e mais abundantes do que os defeitos. O enredo incorpora três seqüências de ação viscerais e realistas, por exemplo, sem forçar a barra. São momentos espetaculares que se integram de modo orgânico e natural à trama, e chamam a atenção sobretudo pela espetacular edição que som, que se transforma em assinatura estilística do diretor. Gray consegue dar às três seqüências o ritmo da respiração (literal e figurativamente) do personagem principal, usando a mesma estratégia – abafa os sons diegéticos, naturais, e realça um ruído específico em cada cena (um zumbido, o bater do coração, o som do pára-brisa), modulando-o no ritmo e na intensidade necessários. O resultado é sensacional.

Além disso, Joaquin Phoenix apresenta um desempenho excepcional. Sempre eficiente em papéis de homens torturados, o ator engole todos os colegas quando está em cena, incluindo o veterano Robert Duvall. Preste atenção, em especial, na grande seqüência do filme, que flagra uma conversa entre os dois irmãos dentro de uma delegacia. É um momento íntimo e especial, em que cada um confessa os ressentimentos nutridos durante anos em relação ao outro – Bobby invejava a relação amistosa de Joseph com o pai, enquanto Joseph admirava a justamente a coragem do irmão em desafiar o genitor (a grama do vizinho é sempre mais verde, certo?). Pode parecer uma cena sem importância, mas é justamente o instante que encapsula e resume perfeitamente o tema do filme, que é a família.

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Título Original: We Own the Night
Gênero: Ação / Drama / Suspense
Tempo de Duração: 117 min
Ano de Lançamento: 2007
Qualidade: DVDRip
Formato: Rmvb
Áudio: Inglês
Legenda: Português
Tamanho: 532 mb

domingo, 26 de julho de 2009

Touro Indomavel(Raging Bull)


É comum que alguns cineastas iludam o público realizando uma obra-prima no começo da carreira e depois nunca mais chegam perto do ápice. Se tivessemos que escolher um filme da carreira de Martin Scorsese para ser rotulado como tal, precisaríamos, no mínino, carregar metade de sua filmografia. "Taxi Driver", "A Última Tentação de Cristo", "Os Bons Companheiros", todos dignos de tal alcunha. Mas talvez o filme que de melhor forma elucidou o dom cinematográfico de Scorsese com uma câmera na mão foi mesmo "Touro Indomável".

Visto com um olhar tecnicamente crítico, "Touro Indomável" é praticamente perfeito. Principalmente se observarmos meticulosamente toda a parte técnica do longa. Claro que para chegarmos a uma conclusão lógica e sensata precisamos ver o filme mais de uma ou duas vezes, enfim. Via de regra, Scorsese consegue fugir de todos os clichês dos filmes esportivos. "Rocky - Um Lutador" em 1976, consagrou-se com um estilo de filmagem maravilhoso, lançando, assim, um desafio a mais aos futuros realizadores de filmes sobre boxe. Na verdade, Scorsese não tinha a mínima idéia de como filmar um filme de boxe, então "Raging Bull" se transforma em um filme onde o que menos importa é o boxe. Sim, "Touro Indomável" não é um filme sobre boxe.

Scorsese traça o perfil de Jake LaMotta (De Niro) com destreza única. LaMotta é um pugilista que vive sempre com seu lado animal a espreita. Família, amigos, esposa. Todos são influenciados por sua brutalidade nos relacionamentos. Sua brutalida, porém, o leva a situações complicadas e provoca consequências dramáticas graves na vida e carreira de um homem solitário como é LaMotta.

Sendo LaMotta filho de imigrantes italianos, Scorsese ganhou uma vantagem em relação ao personagem interpretado por Robert De Niro. A rigor, De Niro dispensa comentários. Faz do ringue, das ruas, dos bares e apartamentos, um palco perfeito para que possa entregar uma das atuações mais monstruosas em todos os tempos. Auxiliado pelo bom companheiro Joe Pesci (ótimo), De Niro faz de Jake LaMotta um personagem assustador e violento, mas que, no fim, o espectador acaba torcendo pelo sucesso e pela chamada "volta por cima" do homem. Por isso, afirmo que "Touro Indomável" não é um filme sobre boxe. É um filme sobre um ser humano inseguro de si mesmo, agressivo ao extremo e acaba sempre metendo os pés pelas mãos.

Caminhando até a parte técnica do longa, chegamos na montagem mais competente da filmografia de Scorsese. A montagem de Thelma Schoonmaker (vencedora do Oscar) é antológica, expressa toda a virtuosidade e complexidade de LaMotta de maneira brilhante. As cenas de luta são fantásticas e cada golpe disparado dos punhos de LaMotta é montado de forma arrebatadora. A fotografia em P&B, dando ênfase aos tons de um cinza mais profundo, caiu como uma luva a resistência de Scorsese em filmar a cores. A mixagem de som é outro quesito que merece destaque (sons semelhantes ao de animais berrando foram mixados para acentuar a selvageria das lutas).

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Título Original: Raging Bull
Gênero: Drama
Tempo de Duração: 128 min
Ano de Lançamento: 1980
Qualidade: DVDRip
Formato: Rmvb (RAR)
Áudio: Inglês
Legenda: Português
Tamanho: 430 mb

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Vanilla Sky


Pouco depois das filmagens de “Missão Impossível 2”, em 1999, Tom Cruise começou a procurar um roteiro mais denso para transformar em filme. Ele não queria uma trama de ação desenfreada, como a produção anterior. Numa tarde, assistiu ao suspense psicológico espanhol “Abre los Ojos” (no Brasil, Preso na Escuridão) e ficou impressionado. Cruise levou dois anos para refilmar a trama. O resultado, “Vanilla Sky” (EUA, 2001,888), é um filme que celebra a cultura pop e, ao mesmo tempo, trava uma interessante discussão sobre a verdadeira natureza da realidade.

Em português, o título deveria ser “Céu de Baunilha”, referência à paisagem de um quadro de Monet que o protagonista guarda no quarto do apê transado que possui, em Nova Iorque. O leitor atento deve estar pensando na quantidade de dinheiro que o sujeito deve ter no banco, para poder guardar um Monet em casa. Dinheiro, aliás, é a chave do enredo. Cruise interpreta David, um playboy bonitão que herdou um império editorial e vive chegando atrasado no emprego, depois de farras com belas mulheres. Ele se envolve com duas beldades, a ciumenta Julie (Cameron Diaz)e a misteriosa Sofia (Penélope Cruz). É o clássico triângulo amoroso: a primeira é apaixonada por ele, que não quer nada com ela além de cama, mas se apaixona pela espanhola.

Aí vem a reviravolta. Desprezada, Julie revela uma faceta homicida e envolve o galã num acidente de carro que mantém David em coma por três semanas e o deixa com o rosto desfigurado. É o inferno para um sujeito vaidoso, que nasceu em berço esplêndido e não conhece a dor da rejeição – exatamente aquilo que vai experimentar. A paquera com Sofia vira paixão avassaladora, mas não vai em frente, e o ex-belo garotão entra numa paranóia de delírios conspiratórios cada vez mais tensa e complicada.

”Vanilla Sky” é bacana, mas a faceta pop acaba diluindo a força do original espanhol. A segunda produção do diretor Alejandro Amenábar era pobre de recursos (César, o milionário de “Abre los Ojos”, dirigia um Fusca!), mas tinha um diferencial: transpirava criatividade. Assim como o subestimado “Vidas em Jogo”, de David Fincher, enfocava o mundo artificial e vazio dos novos ricos e usava a trama de suspense para discutir questões como religião, morte e o conceito de realidade. “Abre los Ojos” era atrevido e não tinha medo de ser politicamente incorreto, especialmente ao apresentar como protagonista um sujeito narcisista, arrogante e egoísta até nos momentos mais tristes.

A refilmagem americana, por sua vez, prova que a chave dos grandes filmes está na sutileza, nos pequenos detalhes. O roteiro reescrito pelo competente cineasta Cameron Crowe (do ótimo drama “Quase Famosos”), repete praticamente cena por cena o enredo do suspense espanhol, e mesmo assim acaba ficando muito diferente. O problema é que Crowe suaviza demais os traços de canalhice do protagonista, tentando transformá-lo numa espécie de playboy amadurecido, na segunda metade da trama.

O final do filme, aliás, deveria servir de lição para Hollywood aprender como não se deve terminar um thriller. Ao contrário do original, que deixava várias linhas de raciocínio em aberto, Crowe preferiu esquecer os elementos de suspense, rechear as imagens de cores mornas e dar uma lição de moral ao protagonista (e ao espectador).É a velha mania de subestimar a inteligência da platéia. O novo roteiro transforma a complicada trama num bolo politicamente correto e entrega na boca do espectador.

Mesmo com esses vacilos, o enredo inteligente e cheio de reviravoltas garante a diversão, especialmente de quem não viu a produção espanhola. As referências visuais a capas de disco (Bob Dylan) e filmes famosos (“Jules e Jim”, “Acossados”) são uma contribuição bem sacada de Crowe ao enredo. A trilha sonora (com R.E.M. e Radiohead em momentos-chave e Paul McCartney numa boa canção original) também soa fresca e criativa. Já as atuações, especialmente o trabalho do casal ajuntado nos bastidores, Cruise e Cruz, estão empostadas e algo artificiais. Num filme sobre o mundo de plástico dos yuppies, porém, isso até que vem a calhar.

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Título Original: Vanilla Sky
Gênero: Suspense
Tempo de Duração: 145 min
Ano de Lançamento: 2001
Qualidade: DVDRip
Formato: Avi
Áudio: Inglês
Legenda: Português
Tamanho: 684 mb

domingo, 12 de julho de 2009

Quebrando a Banca


É incrível o poder que Las Vegas tem sobre as telonas. É uma cidade bela, colorida, divertida (se você não sair de lá sem dinheiro) e bela. E ainda fica mais bela na tela grande. E neste filme não só a cidade é explorada, como a jogatina e suas nuances, baseado num roteiro inteligente e em atuações bastante interessantes.

O filme é baseado no artigo de Ben Mezrich publicado na edição de setembro de 2002 da revista Wired. Em sua crônica sobre os jovens gênios do MIT que haviam quebrado a banca de Vegas, a matéria de Mezrich possuía de tudo: ação de alto risco, fugas por um triz da equipe de seguranças de Vegas e os altos e baixos do estilo de vida glamuroso de Vegas. Seu artigo era uma história verídica com todos os elementos de um thriller de Hollywood.

No filme, Ben Campbell (Jim Sturgess) é um aluno tímido e superdotado do MIT que – precisando pagar seus estudos na faculdade – encontra a solução nas cartas. Ele é recrutado para unir-se ao grupo de alunos mais geniais da faculdade que rumam para Vegas todos os finais de semana munidos de identidades falsas e do know-how para virar as chances de ganhar no jogo a seu favor. Liderados pelo professor de matemática heterodoxo e gênio da estatística Micky Rosa (Kevin Spacey), eles conseguem criar um código infalível.

Contando cartas e empregando um complexo sistema de sinais, o grupo consegue quebrar a banca de vários cassinos. Seduzido pelo dinheiro, pelo estilo de vida de Vegas e por Jill Taylor (Kate Bosworth), uma colega de grupo inteligente e sexy, Ben começa a extrapolar os seus próprios limites. Embora contar cartas não seja ilegal, os riscos são altos e o desafio se torna não apenas manter a contagem numérica correta, mas também se manter um passo à frente do supervisor de segurança dos cassinos: Cole Williams (Laurence Fishburne).

Com um roteiro extremamente hollywoodiano, o filme contém todo o drama e a adrenalina que faz de um filme desses uma divertida viagem. E Vegas continua bela com seu clima e suas luzes, e é muito bem transportada para as telonas pelas mãos do ágil diretor Robert Luketic ('Legalmente Loira'), que consegue mantém o filme em um bom nível. Uma ótima sessão pipoca para o final de semana.

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Título Original: 21
Gênero: Drama
Tempo de Duração: 123 min
Ano de Lançamento: 2008
Qualidade: DVDRip
Formato: Rmvb (RAR)
Áudio: Inglês
Legenda: Português
Tamanho: 391 mb

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Dragão, A Historia de Bruce Lee


Vinte anos após a morte de Bruce Lee, Hollywood o homenageou com o filme-biografia "Dragon - The Bruce Lee Story" ("Dragão - A História de Bruce Lee" ), baseado no livro de Linda Lee e estrelado por Jason Scott Lee (sem parentesco), como Bruce Lee e Lauren Holly no papel de Linda. O filme foi um sucesso de bilheteria e indicado ao MTV Movie Award. Ainda em 1993, Bruce Lee ganhou uma estrela na Calçada da Fama, em Hollywood com as presenças de Linda e Shannon Lee e o ator Jean Cloude Van Damme na cerimônia.

Jason Scott Lee e Lauren Holly estrelam este inesquecível filme sobre a vida, amor e o destemido espírito do lendário Bruce Lee. Desde os rigorosos treinamentos em artes marciais na infância, Lee descobre seu sonho de abrir sua própria escola de Kung-fu na América. Depois de longo tempo ele é descoberto por um produtor de Hollywood (Robert Wagner) e começa sua meteórica subida para a fama e o curto reinado como um dos mais carismáticos heróis de ação na história do cinema.

Eu gosto bastante de filmes biograficos e baseados em fatos reais. Por saber que o tema abordado ja existiu, é mais facil você acreditar no que esta vendo. Bruce Lee é um dos atores mais importantes do seculo 20 nos cinemas, ele foi responsavel pela popularização dos filmes de Hong Kong. É o criador do Jeet Kune Do e considerado um dos maiores lutadores de Artes Marciais de todos os tempos.

Esse filme eu recomendo para todas as pessoas que não tiveram ainda a oportunidade de conheceer a historia de Bruce Lee e ter noção da importancia que ele teve para o cinema atual.

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Título Original: Dragon: The Bruce Lee Story
Gênero: Ação/Aventura
Tempo de Duração: 119 min
Ano de Lançamento: 1993
Qualidade: DVDRip
Formato: Rmvb (RAR)
Áudio: Inglês
Legenda: Português
Tamanho: 405 mb


segunda-feira, 6 de julho de 2009

Babel


Babel é o terceiro filme da trilogia iniciada pelo diretor Alejandro González Iñárritu, os dois anteriores foram Amores Brutos e 21 Gramas. A nova produção do diretor mexicano está sendo valorizada em excesso. Após assistir ao filme, fica a certeza de que o Globo de Ouro foi precipitado ao escolhê-lo como o melhor longa do ano. É a chance de o Oscar – que, quase sempre, comete injustiças – corrigir o erro do Globo de Ouro, porque Babel, definitivamente, não é o melhor dos cinco filmes indicados na categoria principal do prêmio da Academia.

Marrocos: um pai presenteia seu dois filhos com um rifle, para que esses possam espantar chacais das ovelhas da família; um casal americano (Brad Pitt e Cate Blanchett) está de férias no país, tentando reabilitar o casamento. Estados Unidos: uma babá (Adriana Barazza) cuida de duas crianças, filhas do casal em férias no Marrocos. Japão: Chieko (Rinko Kikuchi) é uma adolescente surda-muda que enfrenta os problemas da idade, ao mesmo tempo em que tenta lidar com a morte de sua mãe, na companhia do pai. Pequenos detalhes ligarão as histórias umas com as outras.

O filme tem suas qualidades e seus erros. Um dos principais pontos falhos de Babel reside na parte japonesa da história, curiosamente é esse núcleo, também, que proporciona algumas ótimas cenas. A produção opta por contar histórias paralelas que se relacionam entre si e, neste aspecto, parecem ter lógica conectiva a história no Marrocos, a dos Estados Unidos/México e a do casal que tenta recuperar o relacionamento. Já a história japonesa, apesar de ter ligação com as demais, parece extremamente desnecessária em muitos momentos, servindo apenas para que o enredo construído pelo roteirista Guilhermo Arriaga e pelo próprio Iñárritu tivesse o alcance global desejado.

O longa ainda peca por acabar imprimindo um ritmo demasiado lento às histórias, deixando a sensação de que as duas horas e meia de filme poderiam ter sido melhor aproveitadas. Isso evidencia que faltou ousadia ao diretor Iñarritu. Entretanto, sua direção é mais acertada do que errada. O mexicano acerta, por exemplo, na condução dos atores que estão todos igualmente inspirados. Da mesma forma, quando o assunto é preconceito, principalmente em relação aos americanos com os latinos, Iñarritu tem propriedade para transpor à tela essa situação babélica.

O elenco é de primeira e traz agradáveis surpresas. A principal delas não está na boa atuação da indicada ao Oscar Adriana Barazza, muito menos na grande participação de Brad Pitt - indicado ao Globo de Ouro -, e sim nas excepcionais atuações do elenco infantil. As crianças americanas, interpretadas por Elle Fanning e Nathan Gamble, são surpreendentemente competentes ao desenvolverem personagens chocados com a diferença cultural a que são expostas e ao transtorno emocional que têm de enfrentar. Os dois meninos marroquinos também conseguem dar vida a grandes personagens, principalmente Boubker Ait El Caid, que ao interpretar o menino que acerta a turista americana com um tiro, consegue ter uma das melhores atuações de todo o brilhante elenco. Os demais, Cate Blanchett e Rinko Kikuchi, cumprem suas funções sem problemas.

A edição é de grande qualidade. Os cortes de uma trama para outra acontecem sempre em momentos apropriados e, por vezes, com tanto capricho que trazem consigo muitos significados. Como é o caso, por exemplo, do corte inicial no qual os jovens marroquinos estão correndo em meio à pobreza com uma arma em mãos, e a cena é cortada para os filhos do casal norte-americano, correndo e brincando de esconde-esconde, em meio a uma realidade confortável e totalmente diferente. Foi por meio da corrida das crianças que a competente edição mudou o que estava sendo mostrado, indo do núcleo marroquino para o norte-americano. O filme ainda ganha força ao optar por uma edição que não respeita uma ordem cronológica entre as tramas apresentadas. Outro aspecto chama a atenção, a trilha sonora marcante, composta por Gustavo Santaolalla, o mesmo compositor da trilha de O Segredo de Brokeback Mountain.

A Babel, faltou apenas a coragem para ser o filme que deveria ter sido. Apesar de funcionar e transmitir seu recado de maneira densa, o filme não faz jus a toda atenção que a temporada de prêmios vem dispensando a ele.

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Título Original: Babel
Gênero: Drama
Tempo de Duração: 143 min
Ano de Lançamento: 2006
Qualidade: AQUI
Formato: Rmvb (RAR)
Áudio: Inglês
Legenda: Português
Tamanho: 467 mb

segunda-feira, 29 de junho de 2009

O Poderoso Chefão, Parte III


Produzido dezesseis anos depois da segunda parte, O Poderoso Chefão - Parte III é o filme que mais se distancia dos demais na trilogia. É também o que menos agradou. Algo que não consigo entender porque, já que apesar de fugir de algumas características dos primeiros filmes, a terceira parte é tão forte e dramática quanto as outras duas e, em certos aspectos, muito mais ousada. A primeira grande diferença que percebemos é que Coppola abandonou os ambientes fechados e escuros tão comuns as outras duas partes. Com várias externas e ambientes sempre iluminados - geralmente usando cores fortes como os vermelhos e amarelos de igrejas -, esta mudança visual está diretamente ligada aos caminhos de Michael Corleone, agora já nos sessentas anos e pensando em quem sucederá o controle da família.

Como uma tendência a todas as grandes empresas com o fim do século XX, a família Corleone também está em busca de acordos internacionais e, uma novidade para o meio, de forma legal e limpa. Com um acordo envolvendo mais de setecentos milhões de dólares, Michael tenta se tornar sócio do banco do Vaticano, assumindo o controle de uma grande empresa ligada a igreja católica. A falta do submundo de ruas e becos sujos dos outros filmes pode frustrar os fãs, mas é brilhante a maneira como o roteiro - ainda de Puzo e Coppola - mostra toda a corrupção e teia de interesses que ditam as regras nas grandes corporações, mesmo (ou talvez, principalmente) quando a igreja está por trás. Com a intenção de `limpar` os negócios da família, Corleone percebe que tão sujo quanto seu passado, os novos negócios são também muito perigosos quando não agradam a alguns. A corrupção por trás da igreja católica é evidenciada sem medo e no final, percebemos que tudo ainda é o mesmo jogo sujo de antes, mas com ar mais equilibrado e `legal`, só porque agora eles têm advogados e brechas em leis.

A linha dos negócios da família é um pouco menos explorada neste filme e fica evidente o interesse em mostrar quem Michael Corleone se transformou. Atormentando pelos crimes e pelas pessoas, que a seu mando, morreram, Michael é um homem solitário e infeliz. Kay só o visita em situações especiais - como a seqüência inicial em que é condecorado com uma grande honraria pela igreja, algo que, como a própria Kay classifica, é ridículo - e os filhos são o único motivo de ligação entre os dois, apesar de Michael obviamente ainda a amar e provavelmente se arrepender de tê-la deixado ir embora. Mas fica claro que ele jamais voltaria atrás e que agindo como agiu, foi a única maneira que encontrou de manter a família - o epicentro de toda a trilogia - forte e unida, mesmo quando manda matar o próprio irmão. Há, no entanto, a boa vontade de sua parte de não cometer erros novos, como por exemplo, quando concorda que o filho abandone a faculdade a direito e se torno um cantor profissional ou quando exige que Vincent deixe sua filha. Sem esperanças de que seu próprio filho possa assumir o comando da família, Michael passa a depositar sua atenção em seu sobrinho, Vincent. Interpretado por Andy Garcia - que tem uma forte semelhança com Al Pacino jovem -, Vincent tem o gênio de seu pai, Sonny, e ensiná-lo de que a violência e morte não são sempre o melhor caminho a serem tomados será um desafio para Michael. Al Pacino é o próprio Michael Corleone e consegue mostrar neste filme um lado ainda mais humano do que aquele Michael do segundo, como na bela cena em que se confessa. Diane Keaton - agora com um rosto que podemos reconhecer - também consegue acrescentar um pouco mais de sensibilidade a sua personagem.

O ponto de discórdia comum, que muitos consideram o suficiente para derrubar o filme, é Sofia Coppola como a filha de Michael. Não irei repetir tudo o que já disseram sobre as tendências de nepotismo de Coppola nem sobre a incompetência de Sofia. Basta dizer que durante todo o filme ela usa a mesma expressão que vimos na última cerimônia do Oscar. Incomoda, mas não chega a estragar o resultado final. Principalmente quando assistimos a linda seqüência da ópera Cavalleria Rusticana, estréia do filho de Michael como cantor. Brilhantemente sincronizada com a execução de um plano para matar Michael, a seqüência é tão bela e memorável como o atentado contra Vito no primeiro filme ou o assassinato de Fanucci no segundo.

O nó na garganta que acompanha o fim da seqüência não é só resultado de belo trabalho de Coppola neste filme - amplificado pela ópera -, mas na construção desta que é certamente uma das mais belas trilogias já feitas pelo cinema. Com O Poderoso Chefão - Parte III, Coppola parece colocar um ponto final em sua missão de levar as telas os dramas da família Corleone, mas deixa claro que a saga de família como aquela não tem um fim.

Apesar de ser um otimo filme, ele é disparado o mais fraco da triologia. Mas depois de dois filmes praticamente perfeitos seria mesmo muito dificil manter o mesmo nivel.

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Título Original: The Godfather - Part III
Gênero: Drama
Tempo de Duração: 172 min
Ano de Lançamento: 1990
Qualidade: DVDRip
Formato: Rmvb (RAR)
Áudio: Inglês
Legenda: Português
Tamanho: 567 mb

Uma Mente Brilhante


Fim do Globo de Ouro, Uma Mente Brilhante é premiado e Russell Crowe também, o primeiro pensamento foi... Russell Crowe o ator que adora se transformar, quem já viu O Informante sabe do que estou falando, L.A Cidade Proibida ou até mesmo Gladiador. Agora Russell era um esquisofrênico... simplesmente imperdível!

De uma forma simplista posso falar que Russell dá um show, e que Uma Mente Brilhante é bom filme, mas isso seria injusto. Então, logo nas primeiras cenas, podemos esquecer completamente todos os filmes de Russell, porque ele não está lá... e sim John Forbes Nash, Jr. Com seu andar estranho, um olhar meio perdido, sua forma direta de e honesta de falar, impaciênte e claro com uma mente brilhante!

A cada cena, preste atenção nos pequenos detalhes, Russell nos transmite muita coisa com um simples olhar, como quando está no hospital e descobre que o implante não estava em seu braço, ou até mesmo durante um tiroteito, podemos sentir todo o medo estampado em seu olhar, entre milhares de cenas.

Mas, com o passar das horas somos nós todos levados para dentro do drama de Nash e sua familia, muito bem mostrado em uma cena onde sua esposa desabafa no banheiro toda pressão que carrega, aliás Jennifer Connelly está bem no filme, mas sempre como coadjuvante, nada além,assim com Ed Harris.

Apesar de algunas cenas onde foram preparadas para o choro, não são colocadas sem uma razão muito pelo contrario estão no momento certo de forma simples.

Assim como toda a historia em que podemos acompanhar progrecivamente sua doença cada vez mais se agravando. Filme ganhador do Oscar. Não deixe de conferir!

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Título Original: A Beautiful Mind
Gênero: Drama
Tempo de Duração:
Ano de Lançamento: 2001
Qualidade: DVDRip
Formato: Rmvb (RAR)
Áudio: Inglês
Legenda: Português
Tamanho: 440 mb

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Anjos e Demonios



A adaptação do fenômeno literário O Código Da Vinci errou ao otimizar não a ação do livro, o visual, mas a verborragia floreada dos protagonistas. Imaginava-se que o diretor Ron Howard, que retorna à série neste Anjos e Demônios (Angels & Demons, 2009), tivesse aprendido a lição e prestado atenção à crítica. E prestou. O problema é que até demais.

Na sequência das aventuras do simbologista Robert Langdon (outra vez Tom Hanks, atuando no automático), o cineasta inverte a receita e erra na medida mais uma vez.

Anjos e Demônios é um crescente de ação só, duas horas de música subindo, correria e muita tensão. Os respiros não funcionam e a produção parece simplesmente alta demais. São nada menos que seis clímaces seguidos - um para cada cardeal, mais a bomba e a perseguição final - resultando em uma canseira exagerada. Quando tudo é alto, nada é alto. É curioso como um diretor tão cautelosamente dado às fórmulas de Hollywood - como provou em Apollo 13 (1995), Uma mente brilhante (2001) e A luta pela esperança (2005) - não encontre espaço em seu filme para aquelas pequenas regrinhas consagradas do trade, capazes de equilibrar qualquer roteiro.

A trama segue a linha que mistura fatos com ficção e conspirações ancestrais. Desta vez, apesar das rusgas com a Igreja, o simbologista é chamado às pressas ao Vaticano para auxiliar nas buscas a quatro cardeais, sequestrados horas antes do início do Conclave (a seleção do próximo Papa) e impedir a explosão de uma bomba de antimatéria. Para tanto, ele precisa descobrir o início do "Caminho da Iluminação", rota secreta em Roma que leva ao local de encontro da antiga e vingativa sociedade secreta conhecida como Illuminati. Ao lado de Langdon está a cientista encarregada de desarmar a bomba high-tech, Vittoria Vetra (Ayelet Zurer, a esposa de Eric Bana em Munique). Apesar de continuar fatos do primeiro longa e mencioná-los brevemente, a história na literatura foi precursora de O Código Da Vinci e a estreia do assexuado herói caxias Langdon.

Se o filme vale por alguma coisa, é pelo cenário e a edição competente - quando analisada isoladamente do todo - das cenas de ação. Como no primeiro filme, que realizou um apanhado de pontos turísticos em Paris e Londres, Anjos e Demônios faz uma tour belíssima por Roma e o Vaticano à noite. Nada que justifique aguentar os frenéticos 140 minutos, porém. Especialmente aturar o desfecho - que já discutiram comigo ser "muito parecido com o do livro". Ora, se não presta na literatura, vai ficar ainda mais escancaradamente trash na telona. Dá uma certa vergonha alheia de Ewan McGregor como o camerlengo Patrick McKenna na sequência do helicóptero. Santo Padre que nada... em tempos de Wolverine arrecadando horrores nas telonas, o Super Padre é que é o cara!

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Original: Angels & Demons
Gênero: Policial/Drama
Tempo de Duração: 140 min
Ano de Lançamento: 2009
Qualidade: R5
Formato: Rmvb
Áudio: Inglês
Legenda: Português
Tamanho: 430 mb

terça-feira, 23 de junho de 2009

Fuga de Alcatraz


Don Siegel e Clint Eastwood possuem diversas parcerias de sucesso. Desde faroestes como Os Abutres Têm Fome (Two Mules for Sister Sara, 1970), passando por uma das mais famosas séries policiais do cinema, os filmes de Perseguidor Implacável, até chegar em uma pequena e excepcional obra-prima da década de 1970, O Estranho Que Nós Amamos (The Beguild, 1971) - que rendera aquela que, para mim, é a grande atuação de Eastwood em toda a sua carreira. Porém, dentre estes filmes, poucos obtiveram a fama e a glória conquistada por Fuga de Alcatraz (Escape From Alcatraz, 1979), um dos mais lembrados e apreciados filmes de “fuga-de-prisão” já produzidos. Mas, vale dizer: de maneira extremamente superestimada.

Fuga de Alcatraz foge do estilo de um e de outro, se assemelhando mais com produções como Papillon (idem, 1973). Ambas são baseados em fatos reais, e possuem, como característica mais marcante, a capacidade de decepcionar aqueles que leram, ou ao menos conhecem as histórias nas quais foram inspiraram. Enquanto a produção de Franklin J. Schaffner retalhara a ótima e fascinante história do livro homônimo, o filme de Siegel traz uma visão bastante rasa e pouco pretensiosa sobre um dos fatos mais marcantes da história policial moderna norte-americana: a fuga de três prisioneiros da maior e mais famosa prisão de segurança máxima do país, conhecida como a Rocha. Teoricamente inexpugnável, a fortaleza de Alcatraz, ilhada perto da costa de São Francisco, determinara o término de suas atividadas uma ano depois do ocorrido, permanecendo inutilizada (a não ser para fins turísticos) até os dias de hoje.

Já Clint Eastwood, por sua vez, encarna aquele velho e conhecido tipo seu: o homem calado, sério, estrategista e mal encarado, que tornara-se praticamente um alter-ego do ator, ou pelo menos sua persona cinematográfica. Desde os tempos de suas maravilhosas parcerias com Sergio Leone, que iniciaram com Por Um Punhado de Dólares (Per um Pugno di Dolari, 1964), tendo fim com a inigualável obra-prima Três Homens em Conflito (Il Buono, Il Bruto, Il Cativo, 1966), o ator vem repetindo (ou melhor, vinha, já que a velhice fez com que Clint automaticamente abandonasse o estilo e se adaptasse aos padrões etários) o tipo de forma sempre interessante. Enquanto isso, o elenco de apoio também se mostra bastante eficiente, embora não conte com nenhum nome de peso.

É um bom filme sim, entretém de maneira corretinha e nos mantém interessados o tempo inteiro. Porém, um tema tão grandioso merecia algo muito mais significativo, que ao menos evocasse momentos de inspiração similares aos das citadas obras do gênero. Enquanto Parker transformara seu Expresso da Meia Noite em um filme forte e inesquecível, Siegel apostara na fórmula mais quadrada possível de se encontrar em Hollywood, temendo ousar a qualquer custo. Com isso, cria um filme de aventura divertido, mas extremamente simplório e banal. É pouco, visto as possibilidades existentes para um projeto como este.

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Título Original: Escape from Alcatraz
Gênero: Drama
Tempo de Duração: 111 min
Ano de Lançamento: 1979
Qualidade: DVDRip
Formato: Rmvb (RAR)
Áudio: Inglês
Legenda: Português
Tamanho: 371 mb

domingo, 21 de junho de 2009

De Olhos Bem Fechados(Eyes Wide Shut)


Stanley Kubrick passou mais de três anos trabalhando em De Olhos Bem Fechados, que acabou se tornando seu último filme. Foi uma boa forma de se despedir: apesar de não se igualar a algumas de suas obras anteriores, como Laranja Mecânica, este filme é tão repleto de significados e tão aberto a interpretações que é praticamente impossível compreendê-lo totalmente sem assisti-lo mais de uma vez.

A história: o Dr. William Harford e sua esposa Alice já estão casados há nove anos quando, certa noite, após uma festa, ela revela que flertou (mas que não consumou a traição) com um oficial da Marinha. Logo, o Dr. William não consegue tirar de sua cabeça imagens de sua esposa e do oficial mantendo relações e, assim, descobre uma variedade de tentações impressionantes, mas assustadoras, que acabam se apresentando a ele durante suas saídas noturnas. Assim como o personagem de Griffin Dunne em Depois de Horas, de Scorsese, o médico interpretado por Tom Cruise envolve-se em uma série de situações singulares que parecem afastá-lo cada vez mais de sua realidade habitual.

Mas o que realmente leva Bill Harford a empreender esta bizarra `jornada erótica` que o levará de encontro a prostitutas e até mesmo a uma mansão na qual acontece uma assustadora orgia? Esta é a pergunta mais intrigante do filme. Afinal de contas, já que sua esposa não chegou a traí-lo realmente, não seria a reação do médico excessiva demais? Ou seria possível que o fato de Alice ter confessado sua atração por outros homens tenha despertado em seu marido um lado que até mesmo ele desconhecia? Será que, ao imaginar sua esposa com o oficial, ele tenha ficado excitado - sendo que esta excitação se manifestaria através de um impulso de vingança (também através do adultério)? Ou - e esta é a possibilidade que me parece mais plausível e interessante - será que o Dr. William Harford estaria usando a confissão de sua esposa como uma mera desculpa para liberar seus próprios instintos sexuais primários? Seria sua raiva um disfarce para sua frustração por saber que Alice era mais honesta do que ele, já que pelo menos ela conseguia admitir que outras pessoas a atraíam?

Qualquer filme capaz de despertar tantas indagações já vale uma conferida. No entanto, De Olhos Bem Fechados não pára por aí. O filme também nos apresenta uma visão bem particular - e interessante - do casamento e da monogamia. O que pesa mais em nossas atitudes: o fato de sermos uma espécie animal (e, teoricamente, com tendência a manter múltiplos parceiros) ou o de vivermos segundo os modelos estabelecidos pela sociedade (mantendo uma relação única e, quiçá, eterna)? Na festa que acontece logo no início do filme, Bill e Alice flertam com outras pessoas como se ainda fossem solteiros. É claro que Stanley Kubrick, sendo um homem-de-família, não poderia deixar de criticar esta atitude de seus personagens - logo na cena seguinte, o casal se abraça em frente ao espelho enquanto a música ao fundo diz `Eles fizeram uma coisa errada`.

O filme ainda encontra tempo para nos surpreender com uma sub-trama que envolve um misterioso grupo que organiza orgias freqüentadas por membros da mais alta sociedade - todos devidamente ocultos por máscaras. Nesta cena, em particular, o filme destila um tom definitivamente `kubrickiano`, da música aos movimentos de câmera, passando pela envolvente luz de Larry Smith. E mesmo então Stanley Kubrick não nos fornece respostas definitivas: a explicação fornecida ao personagem de Tom Cruise sobre tudo o que acontece ali pode ser pura invenção. Não há como saber - e esta é a intenção de Kubrick.

A galeria de personagens de De Olhos Bem Fechados é uma atração à parte. Todos têm seus momentos no filme, mesmo que apareçam por poucos minutos. A jovem Leelee Sobieski, como a filha do estranho comerciante Milich, é um dos grandes destaques. Apesar de praticamente não falar nada em suas poucas aparições, Sobieski consegue transmitir uma energia que só pode ser comparada àquela emanada por Jodie Foster em Taxi Driver (a comparação é inevitável).

Mas grande parte dos créditos devem mesmo ficar para Tom Cruise: sua atuação neste filme é densa, sofrida. Sua peregrinação em busca do alívio (ou da realização sexual, como queiram) é vivida com extrema sinceridade e entrega. Ao mesmo tempo, é comovente ver sua confusão e sua luta para tentar voltar ao seu cotidiano, enquanto tenta compreender aquilo que, como não poderia deixar de ser, é para ele (em última análise, também um homem-de-família) incompreensível. Não é à toa que ele insiste em se identificar como médico para praticamente todos os demais personagens do filme: aquela é sua identidade e ele a quer de volta.

Infelizmente, Nicole Kidman não consegue igualar o trabalho de Cruise. Na verdade, algumas de suas cenas chegam a ser constrangedoramente ruins, como aquela em que tenta passar a impressão de estar bêbada, logo no início do filme, ou aquela em que tem uma crise de risos enquanto conversa com o marido. Já no final do filme Kidman tem alguns bons momentos, mas é só. Depois de um processo de filmagens que demorou 67 semanas, é justo que esperássemos mais de seu trabalho.

A resolução da história também deixa a desejar, já que Kubrick acaba `mastigando` demais a moral da trama para o espectador. O discurso sobre as diferenças e semelhanças entre `sonhar e realizar` é simplório, não fazendo jus à complexidade de todo o restante do roteiro. Seria interessante se ele tivesse deixado algumas lacunas para que o espectador as preenchesse com uma certa independência.

De Olhos Bem Fechados acaba se revelando, assim, um conto moralista demais - mais até do que seus personagens. Talvez não fosse esta a intenção de Kubrick e isto tenha acontecido em função de seu receio de ser incompreendido. Laranja Mecânica (outro filme deste diretor que poderia ter sua temática comparada à de Eyes Wide Shut) também tinha seus momentos de `preconização da moral` - mas pelo menos Kubrick nos deixava perceber isso sozinhos.

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Título Original: Eyes Wide Shut
Gênero: Drama
Tempo de Duração: 159 min
Ano de Lançamento: 1999
Qualidade: DVDRip
Formato: Rmvb (RAR)
Áudio: Inglês
Legenda: Português
Tamanho: 515 mb

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Medo e Delírio


Se existe um filme que provoca no espectador um efeito similar os provocado por drogas alucinógenas, esse filme é “Medo e Delírio” (Fear and Loathing in Las Vegas, EUA, 1998). A obra de Terry Gilliam, vista por muita gente como um road movie lisérgico pelas estradas do oeste norte-americano, é na verdade mais do que isso. O diretor, ex-integrante do grupo cômico Monty Python, proporciona ao espectador uma incursão à mente pirada do jornalista e doidão profissional Hunther S. Thompson, durante uma viagem a Las Vegas (EUA) recheadas de alucinógenos dos mais variados tipos.

O truque de Gilliam é simples, mas radical: ele traduz em imagens, em uma seqüência caótica de imagens malucas, um final de semana chapado que Thompson passou na cidade dos cassinos, em 1972. O repórter foi enviado pela revista Rolling Stone para cobrir uma corrida de motos. Junto com o advogado Dr.Gonzo (Benicio Del Toro), ele lotou o porta-malas do conversível vermelho com todos os tipos de drogas imagináveis, de éter a mescalina, de maconha a LSD, de cocaína a heroína, e se mandou para a cidade. O objetivo: permanecer chapado pelo máximo de tempo que conseguisse. E dane-se a corrida de motos.

O grande achado de Terry Gilliam foi narrar as peripécias da tresloucada dupla da mesma maneira distorcida com que os dois viam o mundo. O resultado é uma série de encontros hilariantes (com um caroneiro, uma garçonete, policiais). À medida que a dupla vai variando o tipo de droga, Gilliam imprime ao filme mais ou menos o tipo de efeito provocado por ela. A narrativa fica frenética quando eles consomem cocaína, lânguida quando a droga da vez é a maconha, e completamente alucinada quando eles tomam ácido. A certa altura, já paranóico de tanto tomar drogas, Raoul Duke (um Johnny Depp careca, interpretando o alter-ego de Hunher Thompson) começa a ver as pessoas como se fossem lagartos gigantes que andam sobre duas patas.

Na segunda metade, o longa-metragem ameaça sair dos trilhos e se tornar uma viagem sem sentido, mas o diretor evita esse desastre jogando o foco da narrativa nos diversos encontros fortuitos que os dois companheiros estabelecem com as pessoas de Las Vegas. Claro, isso não retira “Medo e Delírio” do rol de obras polêmicas que têm potencial para desagradar profundamente a públicos mais conservadores. Aliás, conservadores não no sentido político e/ou comportamental, mas sim no sentido cinematográfico.

Por outro lado, a coragem e a vontade de Terry Gilliam tinha de fazer o filme transpira das imagens ensolaradas e de cores vibrantes. O projeto é tão arrojado que conseguiu até mesmo passar por cima do tradicional e hegemônico discurso anti-drogas de Hollywood. Nesse sentido, “Medo e Delírio” guarda alguma semelhança com “Trainspotting”; embora tenha menos hype e mais loucura do que o filme de Danny Boyle, possui a mesma postura politicamente incorreta. Gilliam até mesmo arrisca uma explicação, através da epígrafe do filme: “Aquele que faz de si um animal se livra da dor de ser humano”.

A frase, para os mais conectados, traduz a essência da famosa carta escrita pelo poeta Arthur Rimbaud (outro maluco de carteirinha e amante de substâncias proibidas), onde defendia que só depois de experimentar de tudo um homem poderia de fato alcançar um patamar superior de iluminação espiritual. Claro que alguns podem achar que isso é mero papo filosófico- cabeça dos doidões para justificar as pirações – e Gilliam sabiamente evita qualquer tipo de discurso moral para as ações dos seus protagonistas. Ambos são interpretados com garra por Del Toro (que engordou mais de 20 quilos para o papel) e Depp (sem cabelos e pitando uma nojenta cigarrilha na maior parte do filme). Ao final, quando os créditos descem uma estrada de Las Vegas ao som de “Jumping Jack Flash”, dos Rolling Stones, só resta admirar o trabalho desse grupo de talentos que, juntos, têm a coragem de fazer essa maluquice deliciosa, sem preocupações politicamente corretas, o que por si só é digno de elogio.

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Gênero: Drama
Ano de Lançamento: 1998
Formato: RMVB
Idioma: Inglês
Legenda: Português
Tamanho: 340 MB

domingo, 14 de junho de 2009

Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças


Responda rapidamente: quem você deletaria de sua memória sem pestanejar? Proponho que você anote esse nome em um papel e vá assistir a O Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças, que levanta uma questão na qual (quase) nunca pensamos: existem memórias ruins?

Joel (Jim Carrey) é um cara tímido que arruma uma namorada, Clementine (Kate Winslet), cuja personalidade é oposta à dele. Mesmo assim, os dois começam a namorar e, juntos, constroem uma história. Nenhuma novidade até aqui: quantos filmes têm um casal protagonista? Milhões. Só que Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças não é como qualquer um desses que você deve ter imaginado.

Depois que Joel e Clementine terminam, ela resolve contratar a empresa do doutor Howard Mierzwaik (Tom Wilkinson), que oferece um serviço um tanto quanto peculiar: ele desenvolveu uma técnica que deleta, literalmente, alguém de suas lembranças. Os técnicos – vividos por Kirsten Dunst, Mark Ruffalo e Elijah Wood – entram na mente do contratante e apagam qualquer lembrança existente relacionada à pessoa escolhida. Clementine, claro, pede que eliminem Joel de sua vida. Quando ele descobre a tramóia, não pensa duas vezes e contrata a empresa para fazer o mesmo serviço em sua mente, desta vez eliminando a ex-namorada.

O roteiro de Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças é louco e muito bem amarrado. Trabalho de Charlie Kaufman (responsável pelas histórias dos não menos alucinados Adaptação e Quero Ser John Malkovich), que mostra ser um verdadeiro aficionado pelos mistérios da mente humana. Enquanto que Kaufman nos mostra seu mapa das lembranças humanas, Michel Gondry – que já dirigiu alguns dos melhores e mais loucos clipes da islandesa Björk – nos guia pela mente de Joel. Vale também destacar a performance do (ex?) comediante Jim Carrey que, mais uma vez se aventurando no gênero dos longas dramáticos, se sai muito bem, assim como Kate Winslet – mas isso não é novidade para ninguém, a inglesa já provou ser mais do que “a mocinha do Titanic”.

Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças não é somente uma experiência que brinca com a mente humana: é um filme triste. Portanto, se você resolver assisti-lo (e eu recomendo que realmente vá), prepare-se para ter vontade de entrar em suas próprias lembranças, buscando pessoas que passaram por sua vida e estão escondidos em cantos isolados de sua mente. E, claro, chegar à conclusão de que nenhum relacionamento é tão ruim a ponto de merecer ser sumariamente deletado da memória.

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Título Original: Eternal Sunshine of the Spotless Mind
Gênero: Comédia Romântica
Tempo de Duração: 108 min
Ano de Lançamento: 2004
Qualidade: DVDRip
Formato: Rmvb
Áudio: Inglês
Legenda: Português
Tamanho: 359 mb

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Senhores do Crime(Eastern Promises)


Depois do ótimo Marcas da Violência, o diretor canadense David Cronemberg e o ator nova-iorquino (filho de pai dinamarquês) Viggo Mortensen voltam novamente a trabalhar juntos. E, outra vez, com excelentes resultados. Em Senhores do Crime, Cronemberg troca o árido interior norte-americano de seu filme anterior pela nublada e chuvosa Londres para contar novamente uma intrigante trama de traição, vingança e violência. Mas com charme e fineza cinematográfica.

A história mostra Anna (a inglesa Naomi Watts, de King Kong), uma enfermeira que se enternece com o nascimento de uma garotinha órfã no hospital onde trabalha. Ela presencia o parto da menina e a conseqüente morte da mãe - uma adolescente viciada em drogas - e não consegue manter o distanciamento profissional nesta situação tão trágica. Anna se envolve pelos fatos e sai solitária em busca de informações que possam localizar algum parente do bebê. Um diário escrito em russo encontrado na bolsa da mãe morta faz a ponte entre a bem intencionada enfermeira e o implacável esquema criminoso da máfia russa sediada na capital inglesa.

Senhores do Crime contrapõe o homem comum (no caso, a mulher), frágil, isolado e solitário junto ao poder quase ilimitado de organizações criminosas que agem não mais à margem da sociedade, mas livremente dentro dela. O perigo mora ao lado e o poder público, que deveria se manifestar pela lei e pela ordem, parece cada vez mais um ideal dos mais distantes a ser alcançado.

O tema explosivo é tratado com elegância pelo competente Cronemberg, que vem ultimamente abandonando seu cinema de aberrações, construído pela fama de filmes como A Mosca e Gêmeos – Mórbida Semelhança, só para citar dois exemplos. Aqui, os personagens são contidos, fleugmaticamente britânicos. Quase gélidos. Uma nuvem de decepção e tristeza parece pairar sobre todos e cada um deles, em seu devido tempo, terá sua história desvendada pelo ótimo roteiro. A cidade de Londres também assume um papel importante na criação deste clima, graças também à bela luz encontrada pelo veterano diretor de fotografia polonês Peter Suschitzky, habitual colaborador de Cronemberg e fotógrafo, entre outros, de Star Wars: Episódio V - O Império Contra-Ataca.

Esbarrando nas tradições clássicas do film noir, Senhores do Crime conta ainda com um excelente e multinacional elenco de peso, que, além de Naomi e Mortensen (indicado ao Oscar de Melhor Ator por este filme), traz também papéis de destaque para o alemão Armin Mueler-Stahl (de Avalon) e o francês Vincent Cassel, que estará no próximo filme do brasileiro Heitor Dhalia.

A lamentar, somente o título em português. Senhores do Crime, além de sugerir apenas mais um filme comercial de ação e pancadaria (o que está longe de ser o caso), perde a chance de traduzir o poético Eastern Promises, algo como “promessas do leste”.

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Nome Original: Eastern Promises
Lançamento: 2007
Gênero: Drama
Formato: RMVB
Duração: 100 minutos
Tamanho: 299 Mb
Áudio: Ingles
Legendado: Portugues
Qualidade: DVD

Gol 2, Vivendo Um Sonho


Eu sou um declarado fã do esporte, e acompanho futebol com fervor. Futebol e cinema ocupam a maior parte da minha vida - não tenho mais dúvidas disso e já me entreguei a tais vícios. Nada melhor, então, do que algo que juntasse os dois. Em 2005, o lançamento de “Gol” fez isso. Mesmo o filme tendo lá seus defeitos, me fez agradado. Mais satisfeito fiquei quando soube da possibilidade dele ser uma trilogia. Sinceramente, pensei ser uma possibilidade vaga – o filme não fez sucesso nos cinemas, só em locadoras. Não foi, pois está aí a primeira de duas continuações.

Todo jogador tem um sonho: jogar na Europa - evidentemente que os europeus estão à parte desse sonho. Isso, Santiago Muñez (mais uma vez Kuno Becker) alcançou na trama anterior ao ir do México para a Inglaterra jogar pelo famoso Newcastle (time que revelou Michael Owen e por muito tempo fez jogar um dos maiores astros da seleção inglesa: Alan Shearer). Sempre que um sonho é realizado, porém, um outro é colocado no caminho. O de Santiago é chegar ao estrelato máximo e, para isso, precisa estar entre os melhores, ou seja, em um time que o leve a disputar torneios de nível mundial. Santiago consegue logo no início desse segundo filme, pois se transfere para o Real Madrid – em uma troca justamente com Owen que estava amargando o banco no Real. Sua vida, junto com de sua futura esposa Roz (Anna Friel), modifica-se bastante e Santiago tem de aprender a lidar com tais mudanças. Além disso, tem que levar juntamente com Ronaldo, Raúl, Robinho, Beckham, Zidane, Cicinho, Julio Baptista, Guti, seu grande amigo Gavin Harris (jogador fictício interpretado por Alessandro Nivola) e outros, o Real Madrid ao ápice do campeonato mais glorioso da Europa: a Champios League da UEFA (chamada aqui de Liga dos Campeões da Europa). Tal título dá o direito de disputar o campeonato mundial interclubes (a Copa Toyota) com o campeão das Américas – inclusive, a equipe brasileira São Paulo é uma das que mais figuram em tal patamar.

O acerto maior de “Gol 2” é quanto ao roteiro, mais bem amarrado do que o de seu antecessor. A trama do filme foi realmente bem preparada para uma trilogia. Para tanto, no primeiro mostrou-se a formação de um jogador e sua luta por se firmar em um time mediano da Europa, onde tínhamos o foco em Santiago/jogador. Isso muda para a continuação, pois, firmado em campo como um jogador que desequilibra nas horas certas, Santiago agora deverá mostrar "do que é feito" fora dele, ou seja, sua vida pessoal estará em evidência. Essa intenção do roteiro é afirmada quando, além das tramas óbvias que estavam acontecendo, o ex-agente de Santiago, Glen (reprisado por Stephen Dillane), fala que ele já provou tudo nas quatro linhas e que agora deverá provar fora delas. Façanha essa que não é fácil para Santiago, pois ele tem que administrar a pressão de ser um novato em um grupo só de estrelas, um relacionamento amoroso, a adaptação a uma nova cidade, a perseguição dos fotógrafos e o aparecimento de sua mãe e do seu meio-irmão. O roteiro de Mike Jefferies consegue assimilar todos esses elementos e coloca-os facilmente entrelaçados durante os 115 minutos de projeção. Um exemplo disso é pelo fato da fita não ficar cansativo ao transcorrer de quase duas horas.

O maior problema de se fazer uma película sobre futebol é retratar o próprio esporte. Mais uma vez esse tal problema se repete. É fato que, mesmo assim, “Gol 2” ainda é um dos melhores filmes de futebol quando se trata desse assunto, mas o resultado só é satisfatório quando comparado com outros títulos como, por exemplo, "Penalidade Máxima", de 2001. Será mesmo que a dinâmica do futebol é impossível de se levar para as telonas? Creio que sim. Ora, é um jogo que só tem uma parada a cada 45 minutos - diferentemente do Baseball, Futebol Americano e outros esportes com muitas pausas. Você pode falar: “Sim, mas já fizeram ótimos filmes sobre esportes tão dinâmicos como o futebol, como o Hockey e o Basquete”. Pois bem, a resposta é simples: futebol é jogado com algo que deixa o jogo imprevisível e praticamente sem direção, algo que não temos muito sob controle ao nascer e que alguns não adquirem pro resto da vida, os pés. Logo, para se retratar de maneira fiel um jogo, no mínimo, é preciso de dublês habilidosos ao nível dos grandes jogadores e não de boleiros de bairro. Como isso realmente não existe, visto que, se a pessoa tiver talento com a bola, ela deveria ser um jogador e não um dublê; é questão de lógica – as chances de replicar o futebol através das câmeras cinematográficas é praticamente impossível.

Em “Gol 2” o diretor Jaume Collet-Serra (“House of Wax”) optou por inovar um pouco nesse sentido. Ele usa planos sobre planos e dá um trabalho imenso para o editor mixar partidas fictícias com partidas não-fictícias, além do abusivo uso da câmera fechada (ora nas pernas, ora nos rostos) e do fundo verde. Tais artifícios até se saíram bem, mas tudo ainda soa muito artificial. É observado também um problema de assimilar a magia do futebol, onde não é sempre o gol (apesar de esse ser o momento máximo) quando se tem a glória no esporte. Um passe ou um drible em momentos decisivos, se bem abordados, poderiam amenizar a transgressão do futebol real para o de ficção - lembremos da Copa de 2002, onde uma das cenas mais retratadas é do ponta Denilson escapando com a bola de cinco turcos enlouquecidos atrás do jogador, nesse caso, o gol não foi o momento marcante da partida. Porém, ainda insistem em se focar somente no gol – é tanto que quase sempre que os marcam são Gavino ou Santiago, mesmo um time tendo onze jogadores.

Interessante notar a boa trilha sonora de Stephen Warbeck. O inglês, que já compôs para filmes como “Billy Elliot”, “Shakespeare Apaixonado”, dentre outros vários, acertou novamente a mão. Como o filme é de apelo popular, nada mais coerente do que colocar baladas conhecidas de fundo. Se Warbeck não tivesse certa experiência com trilhas sonoras, poderia acontecer o que acontece algumas vezes quando músicas famosas são colocadas na trilha: o espectador esquecer de assistir ao filme e ficar simplesmente o escutando. Com “Gol 2” não. Apesar de a música na cena quando Santiago está voltando a treinar depois de contusão ser notável, o que está em destaque ainda é a cena e não a canção. Ela se mostra como um refinado pano de fundo.

Algo que pode incomodar ao longo da fita é o abarrotamento de propagandas. Até entendo um pouco a evidência de marcas. Afinal, o filme deve ter recebido um bom dinheiro do Real Madrid e, conseqüentemente, de seus patrocinadores – todas as marcas que estão em evidência são de patrocinadores do clube espanhol ou da Liga Espanhola. Entretanto, será que precisava de tamanho exagero? Cena vai e cena vem um novo produto da Adidas, Samsung ou outro tinha que ser exibido? Já não bastava terem colocado o David Beckham como um coadjuvante de luxo (quando o gol ou o passe não é de Gavino ou de Santiago, com certeza é do inglês Beckham; não é à toa que ele está fazendo o gol principal da trama)? Medidas como essa, deixam, de certa forma, uma artificialidade visível no projeto.

“Gol 2 – Vivendo o Sonho” é um prato cheio para fãs do futebol e para os jogadores que, sem dúvidas, irão se identificar com a estória. Apesar de repetir problemas constantes dos filmes que abordam uma partida futebolística, a seqüência é garantia de êxtase para quem curte o esporte. Além disso, com o final deixado em aberto, já temos a garantia de uma segunda seqüência (o fechamento, no caso). Essa é uma trilogia feita diretamente para fãs do futebol terem o DVD em sua prateleira.

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Nome Original: Gol II: Living the Dream
Lançamento: 2007
Gênero: Drama
Formato: RMVB
Duração: 115 minutos
Tamanho: 490 Mb
Áudio: Filme Legendado
Qualidade: DVD

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Advogado do Diabo


Um advogado vai trabalhar em uma poderosa firma e aos poucos descobre um esquema sujo de corrupção. Não, não estamos falando de "A Firma", sucesso de 1995 com Tom Cruise no elenco. Tampouco de qualquer outro filme baseado em livros de Jonh Grisham, que sempre trazem advogados como personagens principais. Estamos falando de "Advogado do Diabo", filme injustamente ignorado pela crítica que caiu nas graças do público brasileiro.

Na opinião de muita gente, "Advogado do Diabo" é exemplo de bom filme. É tenso, é grandioso, é assustador. Mais que isso, é reflexivo. E muito. Evoca discussões antigas do caráter do ser humano como livre arbítrio, vaidade, cobiça e desonestidade. É um filme que choca, faz o espectador parar para pensar no que acabou de ver. Faz o espectador ter uma reação, podendo esta ser positiva ou negativa. O público, em geral, não gosta disso. Vai ao cinema não para pensar, mas para descansar dos problemas que a vida cotidiana traz e que são sempre estressantes. Gosta de ir ao cinema com a família e com os amigos, rir, comer, engasgar e logo esquecer do que se trata. Talvez isso explique o sucesso de filmes como os de Arnold Scharwzenegger e Sylvester Stallone. E talvez explique a gélida recepção nas bilheterias de "Advogado do Diabo".

O filme foi lançado no final do ano de 97, época em que os filmes são praticamente despejados nos cinemas em busca de uma indicação ao Oscar e de uma fatia gorda da bilheteria. O drama de Taylor Hackford não conseguiu uma coisa nem outra. Injustiça. É um dos melhores filmes da época. E apesar de não ser uma obra prima e ter alguns defeitos, é uma obra de grande qualidade.

Kevin Lomax (Keanu Reeves) é um promissor advogado de uma cidade americana que está no ponto mais alto de sua carreira. Sempre ganha os casos, sem se importar com a veracidade das provas. É querido pelos amigos e amado pela esposa Mary Ann (a bela sul-africana Charlize Theron). Tem uma vida considerada perfeita pelo famoso American Way of Life. É quando, durante uma festa, ele recebe um convite para trabalhar em Nova York na empresa de Jonh Milton (Al Pacino) um poderoso advogado da metrópole. De mala e cuia, Kevin parte para a big apple junto com a esposa e entra num mundo de riqueza e glamour. Mora em um apartamento espaçoso e confortável, é convidado para festas da sociedade nova iorquina e tem os mais ricos clientes, grandes empresários de Manhattan. É claro que não podia ser tudo perfeito e logo ele descobre que está defendendo a pior escória da humanidade e que seu chefe é mais diabólico do que parece. Tudo isso enquanto um grande caso de assassinato, aparentemente sem solução, é passado para as mãos de Kevin, deixando-o sem tempo algum para cuidar de sua vida particular e de sua mulher, que começa a ser envolvida no mundo de falsidades da empresa e que parece estar enlouquecendo. Quer mais? Sua mãe, uma protestante fervorosa, parte para a cidade e desconfia que as coisas não estão nada bem. Tudo isso põe o advogado em uma situação onde é até difícil de respirar.

"Você trabalha sob pressão?" pergunta Jonh Milton a seu novo funcionário logo na primeira entrevista. Esta parece ser a pergunta que resume boa parte do clima do filme, que começa leve e aos poucos vai se fechando e criando uma tensão inigualável onde até o espectador parece não agüentar. Boa parte desta sensação angustiante se deve é claro, ao roteiro. Mas se não fosse pelo ótimo elenco, o filme realmente não funcionaria tão bem. Keanu Reeves é o mesmo de sempre, com uma atuação correta que não prejudica o andamento do filme. Já Al Pacino está de tirar o chapéu com um personagem extremamente divertido e canastrão. Mas quem tem o diabo no corpo é mesmo Charlize Theron, uma das grandes descobertas de Hollywood. Ela não é só bonita e deslumbrante, mas também talentosa. Com sua personagem, que vai perdendo a sanidade ao longo do filme, ela representa o espectador: aquele que vê o que esta acontecendo mas não pode fazer nada para impedir. Um personagem crucial que tem boa parte das melhores cenas do filme, inclusive uma, lá pro final, dentro da New York Cathedral, que é de cair o queixo.

Com essas qualidades, "Advogado do Diabo" vale o preço da locação. Quando o filme chegar no seu final (excelente, diga-se de passagem) o espectador terá a impressão que presenciou uma aula sobre a natureza humana. E perceberá que realmente é impossível ficar indiferente ao filme. E isso já é, com certeza, um bom motivo para assistí-lo.

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Nome Original: The Devil’s Advocate
Gênero: Suspense
Formato: RMVB
Duração: 143 minutos
Tamanho: 417 Mb
Áudio: Filme Legendado
Qualidade: DVD

terça-feira, 9 de junho de 2009

Sid & Nancy


No ano de 1986, Alex Cox levou à tela grande a história de Sid Vicious e Nancy Spungen, um dos casais mais famosos do mundo do rock e, com certeza, o mais drogado. Apesar de contar bastante coisa sobre os Sex Pistols, "Sid and Nancy" foca diretamente na conturbada história do casal. Em contrapartida, o assassinato de Nancy Spungen retratado no filme é mera especulação, já que até hoje não se sabe dos detalhes do crime.

O trinômio sexo, drogas e rock aliado a violência e ao inconformismo - por vezes caricato e encenado -, é o combustível da trama. Pelo que se vê, Sid Vicious não passava de um garoto idiota, por vezes ingênuo, detonado pelo vício das drogas e pela paixão por Nancy, que ajudou bastante na sua ida pro fundo do poço. Na medida em que Nancy assume mais destaque na vida de Sid, as drogas ocupam e tiram o espaço do sexo e do rock and roll, inclusive na trilha sonora, que além de contar obviamente com Sex Pistols, tem The Stooges e a participação do falecido Joe Strummer em algumas composições.

Uma das coisas mais desafiadoras do cinema é o ator fazer o papel de uma pessoa bastante conhecida, pois corre o risco de parecer caricato. Mas a partir do momento em que os espectadores enxergam o personagem a ponto de esquecer o ator em cena, nem que seja por um instante, é sinal de que a coisa deu certo e o papel está em boas mãos. E neste caso Gary Oldman se enquadra no papel de Sid Vicious, assim como Chloe Webb, na pele de Nancy. Chegou a ser cogitado entregar o papel a Courtney Love, que teve que atuar de coadjuvante como Gretchen, uma amiga de Nancy, por insistência dos patrocinadores do filme. Outro destaque fica por conta das cenas honestas e cruas dos viciados decadentes de Nova York, mesclados a momentos mais "românticos", como a clássica cena do casal se beijando no beco repleto de lixo.

É romântico, trágico, cru, ríspido e indicado para fãs dos Sex Pistols, de punk rock ou mesmo aqueles que leram o livro "Mate-me Por Favor", pois encontrarão muitos fatos familiares ao longo do filme. Ninguém soube resumir tão bem essa história como Nancy Spungen: "Love Kills".

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Original: Sid and Nancy
Gênero: Drama
Tempo de Duração: 111 min
Ano de Lançamento: 1986
Qualidade: DVDRip
Formato: Rmvb
Áudio: Inglês
Legenda: Português
Tamanho: 372 mb