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domingo, 16 de agosto de 2009

Operação França


Pode parecer irônico, mas é refrescante saber que Laranja Mecânica "perdeu" o Oscar para Operação França. Ao mesmo tempo em que o filme de Stanley Kubrick mostrou-se inovador com sua visão pessimista (e real) do futuro, este clássico policial do até então promissor William Friedkin possui mais cenas antológicas do que qualquer filme policial já feito. Friedkin mostrava-se um cineasta com olho apurado, técnica esperta e muita ousadia na direção de cada tomada que compunha seus filmes. Operação França, que deu o Oscar de melhor diretor e melhor filme à Friedkin, é um exercício dos mais fascinantes e empolgantes do gênero.

Mais do que isso, diga-se, instaurou um paradigma sobre os futuros filmes do gênero. Friedkin elaborou uma trama simples e objetiva. Bem roteirizada e dirigida, porém, mantém o espectador atento a tudo. Aqui, um suspiro significa muito. O cineasta que faria O Exorcista no ano seguinte mantém o clímax durante todo o filme, elevando-o ao ápice extremo na cena final, magistral e sujestiva. Aliás, as cenas de ação vistas aqui são inesquecíveis. Friedkin primou pelos cortes longos e, nas cenas de perseguição a pé, praticamente abduziu diálogos e trilha sonora, o que acaba deixando o espectador tenso e ansioso pelo desfecho, já que ouvimos os passos e, com a ajuda da excelente fotografia de Owen Roizman (que abusa dos enquadramentos laterais e faz bastante uso do chicote), sentimos como se estivéssemos dentro da ação.

Além disso, é possível notar que o diretor dedica-se exclusivamente para cada tomada do longa-metragem. E isso fica ainda mais evidente quando vemos a maneira com que as perseguições são conduzidas. A mais clássica delas, quando quatro detetives seguem dois suspeitos durante vários quarteirões numa longa seqüência muito bem montada, já virou referência a partir do momento em que foi concebida, tamanha é a classe e a eficiência utilizada por Friedkin e sua equipe. Ou você prefere aquele momento antológico no trem, com todo aquele vai e vem crescente de tensão. Há ainda quem coloque a inesquecível tomada na escadaria como a mais brilhante já feita dentro do gênero. Mas Operação França não é só uma espetacular direção.

A construção dramática é impecável, focando diretamente dois detetives: Jimmy "Popeye" Doyle (Gene Hackman) e Buddy "Cloudy" Russo (Roy Scheider). O roteiro escrito com garra por Ernest Tidyman, baseado no livro de Robin Moore, conta a história real da investigação que resultou na maior apreensão de heroína da história dos EUA. Inserindo alguns detalhes fictícios, Tidyman elabora com perfeição todo o envolvimento dos detetives (na vida real, Eddie Egan e Sonny Grosso, que ainda fazem pequenas pontas no filme) "em busca do ouro", além de entregar personagens consistentes e e extremamente realistas para Hackman e Scheider.
O realismo marcante na cena da perseguição de carro (que acabou resultando em uma batida que não estava planejada, mas que foi mantida devido ao seu realismo) pode ser visto em igual teor nos personagens de Gene Hackman e Roy Scheider. O roteiro mostra Doyle (Hackman) como um policial impetuoso, mal-encarado e bastante violento. Algo tão realista que assusta. Já Russo faz o tipo mais correto, que segue as táticas investigativas com mais afinco. Destaque para Gene Hackman, que impressiona pela veracidade com que apresenta seu personagem. Roy Scheider, que tem um personagem menos complexo e intenso, não decepciona, porém.

Nada mais prazeroso do que assistir um filme feito com amor e competência por um grande realizador. É exatamente isso que William Friedkin é, um realizador de filmes. Além de mostrar que a edição é a peça chave para um bom suspense, Friedkin já mostrava talento hábil para dirigir cenas de ação. Operação França pode ser considerada a obra-prima que de fato é.
Título Original: The French Connection
Gênero: Policial
Tempo de Duração: 104 min
Ano de Lançamento: 1971
Qualidade: DVDRip
Formato: Rmvb (RAR)
Áudio: Inglês
Legenda: Português
Tamanho: 348 mb

domingo, 26 de julho de 2009

Inimigos Publicos


Inimigos Públicos conta uma daquelas histórias que poderiam ser apenas lendas urbanas, mas que realmente aconteceram. O longa, assinado por Michael Mann (O Último dos Moicanos, Colateral) traz um relato dinâmico e envolvente sobre a vida de John Dillinger (Johnny Depp), vilão e herói nacional nos Estados Unidos da Grande Depressão, nos anos 30.

Após passar um tempo na prisão e compartilhar experiências com outros detentos, Dillinger se torna um exímio assaltante de bancos e logo é considerado o inimigo público número um do Estado. Entretanto, diferentemente de outros ladrões, ele preservava o dinheiro da população, roubando apenas os cofres das instituições financeiras. Com essas atitudes, o malfeitor ganhou a simpatia de parte dos civis - revoltados com a situação de crise monetária do país.

Johnny Depp mais uma vez conduz a trama com muita eficiência. A ousadia e a ambição das ações de seu personagem fecham perfeitamente com o ar transgressor que ele apresenta em suas expressões e diálogos. E ainda há de se ressaltar as rápidas mudanças no estado de espírito de Dillinger. Depp pode ser naturalmente cômico ao desfilar em locais públicos e desafiar o povo a reconhecê-lo. Mas apresenta-se também um gângster implacável nas diversas cenas de tiroteio, ou mesmo como um conquistador elegante e um apaixonado fiel à namorada. Diante de tantas ambiguidades e facetas, é fácil de identificar-se com o criminoso, o que aumenta a expectativa sobre seu desfecho.

Embora o filme foque basicamente a vida de gângster de Dillinger, o roteiro, baseado em livro de Bryan Burrough, ainda dá espaço para o início do FBI e à conduta do agente Melvin Purvis (Christian Bale) atrás do criminoso. Além disso, os métodos violentos do diretor do órgão, J.E Hoover (Billy Crudup), agregam conteúdo histórico ao pano de fundo da narrativa.

De negativo, o que sobressai é a relação de Depp com Marion Cotillard, que interpreta Billie Frechette, amante do protagonista. Não que a química do casal seja ruim, mas o relacionamento dos dois é estabelecido de forma tão rápida que parece inverossível. Felizmente, este fator fica apenas em segundo plano perante os outros ótimos momentos da obra.

Trailer do Filme

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Título Original: Public Enemies
Gênero: Policial
Tempo de Duração: 140 min
Ano de Lançamento: 2009
Qualidade: Ts
Formato: Rmvb
Áudio: Inglês
Legenda: Português
Tamanho: 427 mb

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Maratona da Morte(Marathon Man)


Dustin Hoffman é Babe, tranquilo universitário e maratonista que acaba enredado numa complicada trama mortal envolvendo um fugitivo nazista, Christian Szell. Laurence Olivier foi indicado ao Oscar por sua brilhante atuação como o sádico Szell, que transforma utensílios dentários em instrumentos de tortura. Baseado no best-seller de William Goldman, o filme eletrizante mantém o suspense até o final.

A história conhecidíssima: durante as gravações de “Maratona da Morte” (Marathon Man, EUA, 1976), o veterano Laurence Olivier encontrou com o colega de elenco Dustin Hoffman durante um vôo de Nova Iorque a Los Angeles. Espantado com as olheiras do ator, o astro inglês lhe perguntou o que andara fazendo para ficar daquele jeito. Dustin respondeu que havia ficado três noites sem dormir, para filmar uma cena em que seu personagem ficava… três noites sem dormir. Chocado, sir Olivier faz a pergunta que se tornaria lendária: “Mas Dustin, por que você simplesmente não interpreta? É mais fácil!”

A anedota ganhou uma tremenda fama entre as rodas de atores em Hollywood, porque expunha de maneira crua o duelo entre os dois métodos de interpretação mais importantes desenvolvidos no século XX. Uma vinha da tradição teatral inglesa, mais intelectual do que física, e tinha o próprio Olivier – mestre das peças de Shakespeare – como maior representante; a outra era a técnica proposta por Lee Strasberg, do Actor‘s Studio, com base nos estudos do russo Stanislavski. Criado nos anos 1950, “O Método” propunha um mergulho total do ator dentro do personagem para interpretá-lo em todas as suas nuances. Marlon Brando era seu ícone máximo.

O fato é que a história foi publicada pela revista Time e acabou ganhando status de lenda urbana. Seria verdade? O DVD de “Maratona da Morte encerra a questão de uma vez por todas. O próprio Dustin Hoffman relembra o fato num dos dois documentários (45 minutos, ao todo) que acompanham o disco. Hoffman confirma a história toda, com uma única ressalva: “Eu nunca disse que havia ficado três dias acordado apenas com o objetivo de interpretar a cena; lembrem-se que aquela era a época da Studio 54 (boate famosa em Nova York na década de 1970)”, diz, sorrindo maliciosamente.

O duelo de interpretação entre dois ganhadores do Oscar, representantes de estilos tão distintos, permanece como maior atração do filme. É uma briga sem vencedores – quase saem faíscas da tela. Hoffman encarna um atormentado estudante de pós-graduação, Babe, que luta para explicar o suicídio do pai, ex-professor universitário, e cronometra longas corridas diárias. Ele é acidentalmente envolvido numa trama internacional de espionagem que começa com uma prosaica discussão automobilística entre dois velhinhos. A tal briga acaba num acidente que pode terminar por revelar o paradeiro do mais procurado carrasco nazista foragido: o dentista alemão Christian Szell (Olivier), autor das experiências mais atrozes da II Guerra Mundial.

“Maratona da Morte” pode ser inserido no contexto dos filmes policiais que vieram no rastro do sucesso de crítica e público de “Operação França” (1971). O uso prioritário de locações abertas é uma influência clara; a direção de fotografia num estilo cru, quase documental, com câmera tremida e luz natural, é outra. As cenas feitas embaixo da Ponte do Brooklyn fazem a homenagem mais explícita. O cineasta John Schlesinger conduz a trama com perfeição milimetricamente estudada. No início, são narradas várias histórias paralelas (a discussão dos velhinhos, o cooper estressado de Dustin Hoffman, uma inocente paquera na biblioteca da faculdade). Elas se cruzam, aparentemente sem ligação, e vão ganhando camadas extras de significado à medida que o filme anda.

O aparecimento de Olivier, sádico e feroz, proporciona uma seqüência antológica do cinema moderno: o carrasco nazista (inspirado em Joseph Mengele, que vivia anônimo no Brasil na ocasião) tortura o estudante numa cadeira de dentista, enquanto repete dezenas de vezes uma única frase, para desespero de um atordoado Hoffman: “É seguro?”. Passo a passo, contando com as presenças marcantes e charmosas de Roy Scheider (“Tubarão”) e da atriz suíça Marthe Keller, o cineasta conduz o filme a um final explosivo. De quebra, o espectador ainda ganha uma das cenas de perseguição mais bacanas do cinema, quando os comparsas do nazista tentam, de carro, pegar Dustin Hoffman correndo descalço e de madrugada entre becos e viadutos da Big Apple.

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Título Original: Marathon Man
Gênero: Suspense
Tempo de Duração: 125 min
Ano de Lançamento: 1976
Qualidade: DVDRip
Formato: Rmvb (RAR)
Áudio: Inglês
Legenda: Português
Tamanho: 413 mb

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Los Angeles, Cidade Proibida


Los Angeles, 1953. A cidade é dominada pela corrupção, traição e perigosas paixões. A prisão de um chefão da máfia deixa um vácuo de poder, entre os criminosos, fato que leva a uma onda de violências sem precedentes. É quando ocorre um massacre no Café Night Owl, onde seis vítimas, incluindo um ex-policial, são brutalmente assassinadas.

A polícia inicia as investigações de rotina, mas rapidamente torna-se aparente que não se trata de um simples caso de homicídio múltiplo. É quando entram em cena os policiais Det. Ten. Edmund 'Ed' Exley e Wendell 'Bud' White, ao lado do famoso detetive Sgt. Jack Vincennes. Os três policiais são bem diferentes, com ambições pessoais e profissionais distintas. Ed Exley insiste em fazer o que é certo, contrariando a tese dominante do Capt. Dudley Liam Smith que, entre outras coisas, diz que se devem abater suspeitos, desde que se tenha certeza que são culpados e quando seja impossível condená-los em tribunal. Bud White é o protótipo do policial duro, que não hesita em espancar alguém, para obter uma confissão, e que tem aversão a homens que batem nas esposas. Jack Vincennes tem um acordo com Sid Hudgens, editor de um tablóide que publica fotos e artigos relativos a celebridades, geralmente ligadas ao cinema e à TV, presas pelo policial em situações comprometedoras.

Assim, usando táticas diferentes, as investigações levam ao possível envolvimento do milionário Pierce Patchett, que dirige uma agência de prostituição com sósias de estrelas de cinema, onde se inclui Lynn Bracken, sósia da atriz Veronica Lake. Por outro lado, a agência de Patchett pode ser apenas fachada para crimes mais sérios, possivelmente acobertados por policiais corruptos do próprio Departamento de Polícia de Los Angeles, o que deixa claro que a sobrevivência dos três investigadores vai depender de trabalharem juntos.

"Los Angeles - Cidade Proibida" é um ótimo filme policial, rico em detalhes. Realizado pelo cineasta Curtis Hanson, que também participa da produção e da elaboração do roteiro, o filme é uma adaptação do livro de James Ellroy e um programa imperdível para quem gosta de um bom cinema.

A trama é repleta de pequenas reviravoltas, mas não a ponto de tornar a história difícil de ser acompanhada. As sub-tramas, e há várias, são bem desenvolvidas como a história principal.

Além do magnífico trabalho de Hanson, o filme apresenta uma ótima trilha sonora e a bela fotografia de Dante Spinotti. O elenco também nos brinda com ótimas interpretações, destacando-se as atuações da bela Kim Basinger, de Kevin Spacey e de Russell Crowe.

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Título Original: L.A. Confidential
Gênero: Policial
Tempo de Duração: 138 min
Ano de Lançamento: 1997
Qualidade: DVDRip
Formato: Rmvb
Áudio: Inglês
Legenda: Português
Tamanho: 449 mb

terça-feira, 30 de junho de 2009

Quatro Irmãos


'Quatro Irmãos' chegou nos cinemas sem muito enfoque, e acabou fazendo um sucesso mediano. Afinal, mesmo sem um ataque de marketing, o filme tem um elenco de estrelas e é adrenalina pura... Mas ainda assim falta algo.

Quatro irmãos adotados (Mark Wahlberg, Tyrese Gibson, André 3000 e Garrett Hedlund) vão juntos sepultar a mulher que os criou. No funeral, eles descobrem que a mãe pode ter sido assassinada e procuram fazer vingança.

Com um visual saudosista anos 70, o filme acaba divertindo por sua velocidade e facilidade em deslanchar a história, além de cenas de ação não tradicionais e um estilo visual não visto á muito tempo.

Trabalhando a pensonalidade de cada um dos irmãos, John Singleton conseguiu personagens vivos e bem estruturados. O elenco segura a situação, com destaque ao sempre eficaz Mark Wahlberg, que se destaca como o pavio-curto Bobby Mercer. Temos também a primeira entrada de André 3000 (do grupo Outkast) em Hollywood, se dando bem no papel do pai de família Jeremiah.

'Quatro Irmãos' é um filme bem estruturado, dirigido de uma maneira leve e com uma ação mediana. Uma boa pedida para os fãs de ação e policial.

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Título Original: Four Brothers
Gênero: Ação
Tempo de Duração: 108 min
Ano de Lançamento: 2005
Qualidade: DVDRip
Formato: Rmvb (RAR)
Áudio: Inglês
Legenda: Português
Tamanho: 319 mb

segunda-feira, 29 de junho de 2009

O Poderoso Chefão, Parte III


Produzido dezesseis anos depois da segunda parte, O Poderoso Chefão - Parte III é o filme que mais se distancia dos demais na trilogia. É também o que menos agradou. Algo que não consigo entender porque, já que apesar de fugir de algumas características dos primeiros filmes, a terceira parte é tão forte e dramática quanto as outras duas e, em certos aspectos, muito mais ousada. A primeira grande diferença que percebemos é que Coppola abandonou os ambientes fechados e escuros tão comuns as outras duas partes. Com várias externas e ambientes sempre iluminados - geralmente usando cores fortes como os vermelhos e amarelos de igrejas -, esta mudança visual está diretamente ligada aos caminhos de Michael Corleone, agora já nos sessentas anos e pensando em quem sucederá o controle da família.

Como uma tendência a todas as grandes empresas com o fim do século XX, a família Corleone também está em busca de acordos internacionais e, uma novidade para o meio, de forma legal e limpa. Com um acordo envolvendo mais de setecentos milhões de dólares, Michael tenta se tornar sócio do banco do Vaticano, assumindo o controle de uma grande empresa ligada a igreja católica. A falta do submundo de ruas e becos sujos dos outros filmes pode frustrar os fãs, mas é brilhante a maneira como o roteiro - ainda de Puzo e Coppola - mostra toda a corrupção e teia de interesses que ditam as regras nas grandes corporações, mesmo (ou talvez, principalmente) quando a igreja está por trás. Com a intenção de `limpar` os negócios da família, Corleone percebe que tão sujo quanto seu passado, os novos negócios são também muito perigosos quando não agradam a alguns. A corrupção por trás da igreja católica é evidenciada sem medo e no final, percebemos que tudo ainda é o mesmo jogo sujo de antes, mas com ar mais equilibrado e `legal`, só porque agora eles têm advogados e brechas em leis.

A linha dos negócios da família é um pouco menos explorada neste filme e fica evidente o interesse em mostrar quem Michael Corleone se transformou. Atormentando pelos crimes e pelas pessoas, que a seu mando, morreram, Michael é um homem solitário e infeliz. Kay só o visita em situações especiais - como a seqüência inicial em que é condecorado com uma grande honraria pela igreja, algo que, como a própria Kay classifica, é ridículo - e os filhos são o único motivo de ligação entre os dois, apesar de Michael obviamente ainda a amar e provavelmente se arrepender de tê-la deixado ir embora. Mas fica claro que ele jamais voltaria atrás e que agindo como agiu, foi a única maneira que encontrou de manter a família - o epicentro de toda a trilogia - forte e unida, mesmo quando manda matar o próprio irmão. Há, no entanto, a boa vontade de sua parte de não cometer erros novos, como por exemplo, quando concorda que o filho abandone a faculdade a direito e se torno um cantor profissional ou quando exige que Vincent deixe sua filha. Sem esperanças de que seu próprio filho possa assumir o comando da família, Michael passa a depositar sua atenção em seu sobrinho, Vincent. Interpretado por Andy Garcia - que tem uma forte semelhança com Al Pacino jovem -, Vincent tem o gênio de seu pai, Sonny, e ensiná-lo de que a violência e morte não são sempre o melhor caminho a serem tomados será um desafio para Michael. Al Pacino é o próprio Michael Corleone e consegue mostrar neste filme um lado ainda mais humano do que aquele Michael do segundo, como na bela cena em que se confessa. Diane Keaton - agora com um rosto que podemos reconhecer - também consegue acrescentar um pouco mais de sensibilidade a sua personagem.

O ponto de discórdia comum, que muitos consideram o suficiente para derrubar o filme, é Sofia Coppola como a filha de Michael. Não irei repetir tudo o que já disseram sobre as tendências de nepotismo de Coppola nem sobre a incompetência de Sofia. Basta dizer que durante todo o filme ela usa a mesma expressão que vimos na última cerimônia do Oscar. Incomoda, mas não chega a estragar o resultado final. Principalmente quando assistimos a linda seqüência da ópera Cavalleria Rusticana, estréia do filho de Michael como cantor. Brilhantemente sincronizada com a execução de um plano para matar Michael, a seqüência é tão bela e memorável como o atentado contra Vito no primeiro filme ou o assassinato de Fanucci no segundo.

O nó na garganta que acompanha o fim da seqüência não é só resultado de belo trabalho de Coppola neste filme - amplificado pela ópera -, mas na construção desta que é certamente uma das mais belas trilogias já feitas pelo cinema. Com O Poderoso Chefão - Parte III, Coppola parece colocar um ponto final em sua missão de levar as telas os dramas da família Corleone, mas deixa claro que a saga de família como aquela não tem um fim.

Apesar de ser um otimo filme, ele é disparado o mais fraco da triologia. Mas depois de dois filmes praticamente perfeitos seria mesmo muito dificil manter o mesmo nivel.

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Título Original: The Godfather - Part III
Gênero: Drama
Tempo de Duração: 172 min
Ano de Lançamento: 1990
Qualidade: DVDRip
Formato: Rmvb (RAR)
Áudio: Inglês
Legenda: Português
Tamanho: 567 mb

Os Infiltrados(The Departed)


Martin Scorsese é o tipo de cineasta que gosta de filmar histórias tipicamente norte-americanas. Os Infiltrados é uma delas, apesar de seu roteiro ser inspirado em Conflitos Internos (2002), de Hong Kong. Trata-se de um filme inteligente, complexo e repleto de reviravoltas. Aqui, nada é o que parecer ser e esse é o maior encanto da produção. A bandeira norte-americana está em todos os lugares avisando: isto é a América. Acostume-se.

Os infiltrados do filme são Colin (Matt Damon) e Bill (Leonardo Di Caprio). Apesar de terem crescido no subúrbio de Boston, num bairro dominado por descendente de irlandeses (como eles mesmos), os dois não se conhecem. Cada um está do seu “lado” da história: Colin é membro de uma gangue infiltrado na polícia local; Bill é o policial trabalhando secretamente entre os bandidos. A trama tem mocinhos e bandidos, mas não é maniqueísta. O mocinho parece bandido, o bandido parece um mocinho. As coisas não são tão simples quando aparentam ser e esse é o grande trunfo de Os Infiltrados : o espectador é desafiado a pensar o tempo inteiro e seduzido a acompanhar atentamente esta violenta e fascinante trama. Seus personagens cheios de duplicidades, de construção complexa e boas interpretações.

Jack Nicholson, como sempre, dá um espetáculo na atuação do personagem que exerce o importante papel de ser o mais forte elo de ligação entre os dois infiltrados. Nos primeiros momentos que ele aparece, a fotografia – de influência noir ao trabalhar luzes e sombras – o esconde, existe uma aura de mistério em seu personagem, aos poucos revelada. Há muita complexidade nesta história que, em muitos momentos, lembra o “clássico dos clássicos” em se tratando de filmes de gângsteres: O Poderoso Chefão (1972). O filme também remete a um dos melhores momentos de Scorsese como cineasta, em Os Bons Companheiros (1990). São filmes complexos, com personagens repletos de profundidade envolvidos em tramas que sofrem reviravoltas e envolvem o espectador de forma fascinante. Por isso, se o filme de Coppola é um dos maiores clássicos de sua época, Os Infiltrados tem tudo parar marcar o cinema norte-americano atual.

Em tempo: a trilha sonora também merece destaque. Afinal, Martin Scorsese é um cineasta que dá atenção à música. Produziu a série The Blues e dirigiu o documentário No Direction Home , sobre Bob Dylan, só para citar alguns exemplos. Em Os Infiltrados , logo na primeira cena, Scorsese mostra Jack Nicholson caminhando vagarosamente ao som de Gimme Shelter , do Rolling Stones, numa cena primorosa também por causa da música. The Beach Boys, Allman Brothers e John Lennon também dão o ar da graça nesta trilha, que apresenta a pouco conhecida banda punk Dropkick Murphys. Formada em Boston - onde é situada a trama do longa -, mistura riffs pesados à gaita de fole (referência à origem irlandesa dos personagens).

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Título Original: The Departed
Gênero: Ação
Tempo de Duração: 152 min
Ano de Lançamento: 2006
Qualidade: DVDRip
Formato: Avi
Áudio: Inglês
Legenda: Português
Tamanho: 701 mb

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Anjos e Demonios



A adaptação do fenômeno literário O Código Da Vinci errou ao otimizar não a ação do livro, o visual, mas a verborragia floreada dos protagonistas. Imaginava-se que o diretor Ron Howard, que retorna à série neste Anjos e Demônios (Angels & Demons, 2009), tivesse aprendido a lição e prestado atenção à crítica. E prestou. O problema é que até demais.

Na sequência das aventuras do simbologista Robert Langdon (outra vez Tom Hanks, atuando no automático), o cineasta inverte a receita e erra na medida mais uma vez.

Anjos e Demônios é um crescente de ação só, duas horas de música subindo, correria e muita tensão. Os respiros não funcionam e a produção parece simplesmente alta demais. São nada menos que seis clímaces seguidos - um para cada cardeal, mais a bomba e a perseguição final - resultando em uma canseira exagerada. Quando tudo é alto, nada é alto. É curioso como um diretor tão cautelosamente dado às fórmulas de Hollywood - como provou em Apollo 13 (1995), Uma mente brilhante (2001) e A luta pela esperança (2005) - não encontre espaço em seu filme para aquelas pequenas regrinhas consagradas do trade, capazes de equilibrar qualquer roteiro.

A trama segue a linha que mistura fatos com ficção e conspirações ancestrais. Desta vez, apesar das rusgas com a Igreja, o simbologista é chamado às pressas ao Vaticano para auxiliar nas buscas a quatro cardeais, sequestrados horas antes do início do Conclave (a seleção do próximo Papa) e impedir a explosão de uma bomba de antimatéria. Para tanto, ele precisa descobrir o início do "Caminho da Iluminação", rota secreta em Roma que leva ao local de encontro da antiga e vingativa sociedade secreta conhecida como Illuminati. Ao lado de Langdon está a cientista encarregada de desarmar a bomba high-tech, Vittoria Vetra (Ayelet Zurer, a esposa de Eric Bana em Munique). Apesar de continuar fatos do primeiro longa e mencioná-los brevemente, a história na literatura foi precursora de O Código Da Vinci e a estreia do assexuado herói caxias Langdon.

Se o filme vale por alguma coisa, é pelo cenário e a edição competente - quando analisada isoladamente do todo - das cenas de ação. Como no primeiro filme, que realizou um apanhado de pontos turísticos em Paris e Londres, Anjos e Demônios faz uma tour belíssima por Roma e o Vaticano à noite. Nada que justifique aguentar os frenéticos 140 minutos, porém. Especialmente aturar o desfecho - que já discutiram comigo ser "muito parecido com o do livro". Ora, se não presta na literatura, vai ficar ainda mais escancaradamente trash na telona. Dá uma certa vergonha alheia de Ewan McGregor como o camerlengo Patrick McKenna na sequência do helicóptero. Santo Padre que nada... em tempos de Wolverine arrecadando horrores nas telonas, o Super Padre é que é o cara!

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Original: Angels & Demons
Gênero: Policial/Drama
Tempo de Duração: 140 min
Ano de Lançamento: 2009
Qualidade: R5
Formato: Rmvb
Áudio: Inglês
Legenda: Português
Tamanho: 430 mb

terça-feira, 23 de junho de 2009

Os Suspeitos(The Usual Suspects)


Esse é o tipo do filme que se você perder a atenção, nem que seja por um milésimo de segundo, se tornará um filme completamente confuso. Seu raciocínio irá se perder e você não terá noção do que está acontecendo. Mesmo com completa atenção você já fica um pouco perdido, e sempre por imaginar e se perguntar o que o filme propõe: “Quem é Keyser Soze?”. É essa a dúvida que paira durante seus 105 minutos. Uma pergunta só respondida no final. Vai ver por isso o filme é tão surpreendente, você nunca terá 100% de certeza, a não ser que alguém de conte. Podem ser todos, ou não. Existem maneiras de você suspeitar, mas a surpresa será a mesma. Um dos finais mais antológicos do cinema, o que torna o filme com uma conclusão tão perfeita, inteligente e maquiavélica.

Bryan Singer estreou muito bem, fazendo sua obra-prima, mas nunca decaiu, seguiu-se ainda o excelente “O Aprendiz”, e os ótimos blockbuster que realmente o tornaria famoso e abriria todas as portas com os dois “X – Men”. Singer mostrou logo do inicio sua capacidade de transformar uma história tão complicada, que é cercada por flash-backs, e cenas que vão e voltam. Isso é um problema, fazer com que torne um trama inteligente sem fazer uma coisa sem explicação. O filme tem sentido, é completamente coerente, e em hipótese alguma abusa de nossa paciência e sensatez. Creio que grande parte dos créditos vai para Singer, por sua bela condução e excelente visão e pretensão correspondida.

27 mortos. 91 milhões de dólares desaparecidos. O que será que aconteceu? Em Nova York, um navio que transportava 91 milhões de dólares e diversas pessoas, explode. Sem pistas, a polícia chega milagrosamente a “Verbal” Kint (Kevin Spacey), um criminoso aleijado. O delegado Kujon (Chazz Palminteri) pressiona Kint até falar. Segundo ele, tudo começou seis semanas antes com um roubo a um caminhão de armas. Cinco suspeitos foram presos, além de Kint, estavam Dean Keaton (Gabriel Byrne) um ex-tira corrupto, McManus (Stephen Baldwin) um bandido de quadrilhas, Tood Hockney (Kevin Pollack) um especialista em bombas e armas pesadas, e Fenster (Benício Del Toro) o principal parceiro de McManus. A partir desse primeiro encontro, o mundo da justiça estaria condenado. E assim sucede-se, até a entrada do mito Keyser Soze, a grande intriga do filme, que culmina no brilhantismo do filme.

Esse é o típico filme que necessita atenção redobrada, em todas as cenas, mas recomendo além do desfecho, o primeiro encontro deles, na delegacia e seus depoimentos. O encontro com Kobayashi (Pete Postlewaite), e os sucessivos contos e lendas de Keyser Soze. Além da cena do barco, onde eles dão sua investida.

O filme também tem grande ajuda do excelente elenco, provavelmente estariam em suas melhores performances da vida, com poucas exceções. Gabriel Byrne está perfeito como ex-tira corrupto, imprevisível até o último minuto, ele passa várias emoções além de mostrar como interpretar num suspense policial. Realmente, sua melhor atuação. Kevin Spacey, ainda em começo de carreira e sem muito prestígio, deu um show, um perfeito aleijado, que vê no crime a saída para seus problemas. Mereceu o Oscar de Ator Coadjuvante, sendo sua melhor atuação. Spacey é um excelente ator, e esse um excelente filme... se combinaram e deram um toque inesquecível ao filme. Stephen Baldwin é sem dúvida o irmão mais talentoso da estrela Alec Baldwin, apesar de só ter feitos poucos filmes de prestígio e bom gosto (como esse), Stephen é um ator competente que sabe fazer seu trabalho, apesar do individualismo nas cenas, ele é carismático e ao mesmo tempo bombástico, um ator que faz personagens de duas faces, sendo sempre um mistério. Kevin Pollack é um ator razoável, não há nada de especial, sempre fazendo papéis coadjuvantes, talvez devido a não ser um grande ator, não passa de um bom diretor. Ele em nenhum momento brilha na tela e sempre está com uma atuação caricata. Todas cenas de todos os filmes sempre com a mesma cara. Benício Del Toro, ainda era um desconhecido nos EUA e no mundo, foi seu filme de introdução, com um visual matusquelo e com pouca importância. Seria descoberto mesmo com seu Oscar em “Traffic”, tornando “público” o bom ator que era. Desde esse filme já tinha boas aspirações. Cahzz Palminteri e Pete Postlethwaite estão em suas melhores atuações, centrados e criativos, mostram seu lado “mau” no filme com estilo, são bons atores com escolhas de filmes ruins, ou seja, não sabem escolher um bom roteiro. Um mal que assombra também grandes atores de Hollywood como Kevin Costner e John Travolta. Palminteri vive isso no péssimo Diabolique.

Os Suspeitos tem um excelente roteiro. É simplesmente fantástico o modo que a obra envolve as pessoas e as deixam intrigadas até a fantástica conclusão. Um dos filmes mais inteligentes já produzidos é um filme confuso que prende todos a tela. È impossível não reconhecer uma obra como essa.

O filme é completado pela ótima trilha sonora, que contribui com o envolvimento das personagens com seus respectivos objetivos. Além da ótima fotografia, direção de arte e cenário e outras técnicas atribuídas ao filme. E apesar de não ser o ponto forte, é um fator que ajuda a compor o clima de tensão do filme, mas nunca sendo exagerado. Uma das grandes características do filme é não tentar impressionar nesse ponto.

Os Suspeitos é um filme brilhante, com grande elenco e excelente direção, além de um roteiro excepcional. A notoriedade e inteligência, que é seu ponto forte, fizeram com que o filme arrebatasse dois Oscar em 1995 (Melhor Ator Coadjuvante para Kevin Spacey e Melhor Roteiro Original). E assim como diz “Verbal”: “O maior mérito do diabo é acharem que ele não existe”.

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Download do Filme - parte 2

Título Original: The Usual Suspects
Gênero: Policial
Tempo de Duração: 105 min
Ano de Lançamento: 1995
Qualidade: DVDRip
Formato: Rmvb (RAR)
Áudio: Inglês
Legenda: Português
Tamanho: 352 mb

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Senhores do Crime(Eastern Promises)


Depois do ótimo Marcas da Violência, o diretor canadense David Cronemberg e o ator nova-iorquino (filho de pai dinamarquês) Viggo Mortensen voltam novamente a trabalhar juntos. E, outra vez, com excelentes resultados. Em Senhores do Crime, Cronemberg troca o árido interior norte-americano de seu filme anterior pela nublada e chuvosa Londres para contar novamente uma intrigante trama de traição, vingança e violência. Mas com charme e fineza cinematográfica.

A história mostra Anna (a inglesa Naomi Watts, de King Kong), uma enfermeira que se enternece com o nascimento de uma garotinha órfã no hospital onde trabalha. Ela presencia o parto da menina e a conseqüente morte da mãe - uma adolescente viciada em drogas - e não consegue manter o distanciamento profissional nesta situação tão trágica. Anna se envolve pelos fatos e sai solitária em busca de informações que possam localizar algum parente do bebê. Um diário escrito em russo encontrado na bolsa da mãe morta faz a ponte entre a bem intencionada enfermeira e o implacável esquema criminoso da máfia russa sediada na capital inglesa.

Senhores do Crime contrapõe o homem comum (no caso, a mulher), frágil, isolado e solitário junto ao poder quase ilimitado de organizações criminosas que agem não mais à margem da sociedade, mas livremente dentro dela. O perigo mora ao lado e o poder público, que deveria se manifestar pela lei e pela ordem, parece cada vez mais um ideal dos mais distantes a ser alcançado.

O tema explosivo é tratado com elegância pelo competente Cronemberg, que vem ultimamente abandonando seu cinema de aberrações, construído pela fama de filmes como A Mosca e Gêmeos – Mórbida Semelhança, só para citar dois exemplos. Aqui, os personagens são contidos, fleugmaticamente britânicos. Quase gélidos. Uma nuvem de decepção e tristeza parece pairar sobre todos e cada um deles, em seu devido tempo, terá sua história desvendada pelo ótimo roteiro. A cidade de Londres também assume um papel importante na criação deste clima, graças também à bela luz encontrada pelo veterano diretor de fotografia polonês Peter Suschitzky, habitual colaborador de Cronemberg e fotógrafo, entre outros, de Star Wars: Episódio V - O Império Contra-Ataca.

Esbarrando nas tradições clássicas do film noir, Senhores do Crime conta ainda com um excelente e multinacional elenco de peso, que, além de Naomi e Mortensen (indicado ao Oscar de Melhor Ator por este filme), traz também papéis de destaque para o alemão Armin Mueler-Stahl (de Avalon) e o francês Vincent Cassel, que estará no próximo filme do brasileiro Heitor Dhalia.

A lamentar, somente o título em português. Senhores do Crime, além de sugerir apenas mais um filme comercial de ação e pancadaria (o que está longe de ser o caso), perde a chance de traduzir o poético Eastern Promises, algo como “promessas do leste”.

Trailer do Filme

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Nome Original: Eastern Promises
Lançamento: 2007
Gênero: Drama
Formato: RMVB
Duração: 100 minutos
Tamanho: 299 Mb
Áudio: Ingles
Legendado: Portugues
Qualidade: DVD

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Rede de Mentiras


Os tempos não são de heróis íntegros. Com um início de século 21 marcado pelo ataque às Torres Gêmeas, invasão ao Iraque, ataques terroristas em Madrid, morte de brasileiro pela polícia britânica, o espaço para personagens de caráter íntegro está reduzido. A figura do salvador encarnado por Rambo na década de 80 está mais sombria como no recente Batman – O Cavaleiro das Trevas.

Rede de Mentiras, novo filme de Ridley Scott (O Gângster), se insere nesse contexto. Ainda que trabalhando com o bem (EUA) e o mal (terroristas), o longa apresenta um tabuleiro mais complexo. E ainda bate em uma tecla já conhecida desde que o erro chamado Guerra do Iraque foi exposto: arrogância e sentimento de superioridade levam à derrota.

O cenário é de guerra. Quem comanda as operações da CIA é Edward Hoffman (Russell Crowe), um homem de meia idade, classe média e chefe de família bonachão que ainda não se acostumou à função de pai. Quem executa as operações é Roger Ferris (Leonardo DiCaprio), jovem agente americano astuto, que fala árabe e inserido no costume de alguns países do Oriente Médio.

O burocrata do escritório e o homem da ação, durante toda a trama do filme, têm visões diferentes sobre o mesmo objetivo: capturar Al-Saleem (Alon Aboutbol), líder fundamentalista de uma célula terrorista. Hoffman, apressado e arrogante, representa a crítica aos agentes americanos que não dão a mínima para o Oriente Médio. Ferris, que vive o cotidiano de assassinatos e risco de morte, é o esforço constante de mostrar que os métodos são outros.

Russel Crowe está seguro na interpretação do “homem que manda” – voz calma e movimentos corporais suaves, típicos de um personagem frio. No lado oposto, DiCaprio exagera nos trejeitos do “homem que resolve”, reforçando as composições mais simplistas de um personagem policial.

Ridley Scott aposta na ação e nas conexões criadas pelo roteiro de William Monahan (Os Infiltrados). Se em seu filme anterior, O Gângster, Scott explorou o duelo particular de Frank Lucas (Denzel Washington) e Richard Roberts (Russel Crowe), tendo a corrupção como pano de fundo, em Rede de Mentiras, todos os personagens envolvidos na busca de informações que levem ao líder ocupam ora o posto de aliado, ora de inimigo, construindo uma complexa rede de dúvidas, desconfiança e deixando uma lição para a relação dos EUA com o Oriente Médio.

Para quem está minimamente informado e consegue juntar “A” com “B”, nenhuma novidade o desastre da atuação norte-americana. Scott é eficiente ao trabalhar com cenas de ação em Rede de Mentiras, mas para os órfãos de Blade Runner, ainda resta uma saudade do passo à frente do caçador de andróides.

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Nome Original: Body of Lies
Lançamento: 2008
Gênero: Drama
Formato: RMVB
Duração: 128 minutos
Tamanho: 418 Mb
Áudio: Ingles
Legendado: Portugues
Qualidade: DVD

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Max Payne


Hollywood chegou a um ponto em que sua mente criadora já não possui mais a produtividade correspondente a alguns anos atrás. Suas fontes de lucro hoje são diversas, das quais praticamente nenhuma veio diretamente das mãos de um roteirista. Neste contexto, Max Payne é apenas um novo investimento, este proveniente dos games. No entanto, não pode, por mais que demonstre ter um mau tino para isto, ser encarado como “mais do mesmo”.

Atormentado pelo cruel assassinato de sua mulher e seu filho, o policial Max Payne (Mark Wahlberg), ajudado por seu mentor, B.B. Hensley (Beau Bridges), ex-policial e antigo parceiro de seu pai na força, segue as pistas de misteriosas mortes violentas que podem ter alguma relação com a tragédia que envolveu a sua família. O que Payne não contava era com alguma imposição sobrenatural que é a real causadora de algumas dessas mortes. Em sua caçada, o policial ainda contará com o apoio de Mona Sax (Mila Kunis), que, após ter sua irmã assassinada depois de um encontro com Payne, encontra no agente um aliado para se vingar.

Partindo de uma visão externa, Max Payne pode parecer repetitivo e apenas mais um ingrediente da grande mistura homogênea que é o gênero policial americano. Mas, quando explorado com mais cuidado ou com um mínimo de boa vontade, nota-se uma pequena diferença que o sobressai; nada que, infelizmente, contribua para um melhor aproveitamento do filme como um todo. Curiosamente, o longa mantém incoerências com a verossimilhança do game que o originou, ainda que esta não se destoe no filme em si. A inserção do sobrenatural na história pode não tirar a noção de realismo pelo modo como foi implementado, mas tira certo destaque para um bom jogo de fatos e pistas mal desenvolto, unicamente dando mais espaço para realçar os efeitos visuais que vez ou outra se mostram ousados na construção de um visual arrojado.

Se a história já demonstrava alguma falha no que tange os termos da adaptação, o roteiro também não colabora muito. O texto regido por muitas falas comuns em produções de temática policial parecem ter a função de dar nitidez a típica trajetória que Max percorre. A já manjada fábula do policial revoltado pela morte da família que muda a circulação sanguínea para o puro veneno vingativo já não tem o mesmo impacto que há uns bons vinte anos atrás e serve só de combustível para ser queimado em cenas de ação e tiroteio. Algo que só vem a desacobertar o quão órfãos Mark Wahlberg e Mila Kunis ficaram sem a boa presença em cena de Olga Kurylenko como irmã de Mona, Natasha e a superficialidade do papel de Kunis na trama. Sua participação se resume a balas e explosões, uma boa participante da busca de Payne que encara um cruel descarte quando já não tem mais serventia.

Mas algum mérito o longa possui. Ainda que esteja longe de ser considerado um produto memorável, Max Payne ao menos está além das demais produções, em boa parte fraquíssimas, baseadas em populares videogames. Mas isto se dá pela técnica. A fotografia cumpre o seu papel nas tomadas em que o computador não tem interferência e a direção de arte alcançou resultados excelentes na hora de transpor para as telas o clima obscuro urbano do game. Mesmo que o bullet-time (famoso efeito de câmera utilizado pelos irmãos Watchowski em Matrix) não produza o impacto esperado, o som faz as vezes de salvador e dá o tom certo às cenas em que a técnica é empregada, com movimentações e enquadramentos do diretor John Moore eficazes em muitas delas, atingindo um bom nível dentro da ação de balas e metralhadoras.

Como filme que é, Max Payne se perde em sua natureza. Não por suas alterações em relação ao seu homônimo das plataformas de entretenimento, mas pelo que quis acrescentar com a prerrogativa de melhor utilizar a linguagem do cinema. O que a produção não contava era com o bom preparo e postura já mastigados que o jogo disponibiliza para este tipo de adaptação.

Trailer do Filme

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Nome Original: Max Payne
Formato: RMVB
Tamanho: 339 Mb
Áudio: Ingles
Legendado: Portugues
Qualidade: DVD

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Felon


Felon acaba por ser mais um típico filme de prisão, indo buscar os habituais clichés de outros do género (American History X, The Shawshank Redemption) com os seus gangues prisionais, com a relação de amizade entre o veterano prisioneiro (Val Kilmer) e o encarcerado acidental (Stephen Dorff), funcionando o primeiro como tutor do segundo ajudando-o a perceber a complicada teia de ligações pessoais que se geram numa prisão de alta segurança, conhecimento esse que irá determinar as hipóteses de sobrevivência de cada um durante o tempo que aí tiver que cumprir. Contudo, neste aspecto específico Felon acaba por resultar muito melhor, pois procura fugir aos desenlaces peace and love que inundaram, por exemplo, o estabelecimento prisional de Shawshank; em Felon não somos iludidos com perspectivas de amizade eterna entre guardas prisionais e reclusos, entre Skins e Hispânicos, entre Negros e Asiáticos. A cada momento temos consciência que as alianças pessoais que se vão estabelecendo são precárias e apenas se mantêm na medida em que a lei da sobrevivência assim o determine. A verdade é que se torna praticamente impossível ao comum cidadão perceber este esquema de relacionamentos, mas essa não é uma falha do filme; na verdade o filme tem precisamente o mérito de não tentar apresentar essa explicação: estamos a falar de um meio com uma lógica e um código de regras tão específicos que chegam a parecer absolutamente ilógicos (quem ainda se mantiver firme no objectivo de procurar perceber por que linhas se cose a vida nas prisões, experimente o exercício bem mais simples de tentar compreender o submundo de Lisboa ou Porto ou a relação entre a Rússia e a Geórgia...).

Contudo, o aspecto mais interessante de seguir neste filme prende-se com questões de ordem ética relacionadas com a justiça. Mais do que tentar chegar a conclusões, Felon faz-nos reflectir. Reflectir sobre o direito ou não a matar, a ceifar uma vida humana quando perante a necessidade de defender algo ou alguém que se encontre sob ameaça (tema tanto mais actual em Portugal desde o assalto aos BES em Lisboa); reflectir sobre como a linha que separa um pacato cidadão de um serial killer consegue, por vezes, ser surpreendentemente ténue. Na verdade, pouco distingue as personagens de Dorff (condenado por matar um assaltante que lhe invadiu a casa) e Kilmer (a cumprir pena perpétua pelo homicídio premeditado de umas 15 ou 16 pessoas); um e outro apenas procurou defender a sua família agindo porventura na directa proporção dos crimes de que foram vítimas.

Outra personagem interessante é interpretada por Harold Perrineau (popularizado pela participação em Lost). Neste caso estamos perante o comum pai de família que, assim que atravessa os portões de acesso ao estabelecimento prisional, se transfigura no cruel, impiedoso e sanguinário guarda prisional que manipula os reclusos para entretenimento próprio e do restante corpo de guardas. Curiosamente, esta personagem acaba por apresentar nesse aspecto muitos traços comuns com a personagem de Dorff, numa clara mensagem de que a prisão transforma as pessoas revelando o que cada um tem de pior (embora no caso de Dorff a metamorfose seja exageradamente rápida, sendo provavelmente o ponto mais negativo e pouco convincente de todo o filme) não deixando de ser interessante confrontar o enredo de Felon com as experiências conduzidas em 1971 na Prisão de Stanford.

Por fim, uma palavra para a forma como Val Kilmer consegue continuar a ser um dos maiores camaleões do cinema actual; com o devido mérito para a equipa de make-up, o actor que já foi Batman, que já foi o Santo, que já foi Inish Scull consegue encher por completo o ecrã durante grande parte do filme e no entanto é provável que muitos espectadores continuem na expectativa do momento em que irá finalmente fazer a sua aparição (há casos registados de quem tenha esperado até aos créditos finais para perceber onde Val Kilmer esteve enfiado durante 104 minutos)...

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Nome Original: Felon
Gênero: Drama
Formato: RMVB
Duração: 104 minutos
Tamanho: 338 Mb
Áudio: Ingles
Legenda: Portugues
Qualidade: DVD

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Arquivo X, Eu Quero Acreditar


Se você não passou os últimos 15 anos dormindo, pelo menos, possivelmente sabe do que se trata Arquivo X, um dos maiores fenômenos que já passaram pelas telinhas em forma de seriado. Produzido de 1993 a 2002, a série criada por Chris Carter focava as aventuras e enrascadas nas quais uma dupla de investigadores do FBI se metia ao investigar crimes que não puderam ser solucionados de acordo com as razões da ciência. Eis que, seis anos depois, os agentes Fox Mulder (David Duchovny) e Dana Scully (Gillian Anderson) voltam num longa-metragem que tem tudo para levar os milhões de fãs da série aos cinemas. O que não significa, necessariamente, que eles voltarão às salas para assistir novamente a Arquivo X – Eu Quero Acreditar.

Como todos sabem, a dupla de agentes está afastada do FBI após o fechamento dos Arquivos X, departamento no qual trabalhavam. Mas o desaparecimento de uma agente, combinado à ajuda que recebem de um padre vidente, faz com que os agentes Dakota Whitney (Amanda Peet) e Mosley Drummy (Xzibit) procurem a dupla para tentar desvendar esse mistério.

Evidentemente, a trama é muito mais complexa do que isso. E, claro, revelarei o menos possível. Afinal, as histórias protagonizadas por Mulder e Scully sempre são cheias de surpresas e meandros, desvendáveis somente durante o filme. E, neste caso, Arquivo X – Eu Quero Acreditar é como um grande episódio da série, que dá um gosto a mais aos órfãos do programa criado por Carter, que assume a direção e roteiro neste longa-metragem.

No entanto, talvez para conquistar novos fãs e vender mais DVDs, no filme ficaram poucas as referências que levam aos áureos tempos do programa. Se você espera ver tramas envolvendo seres extraterrestres ou casos bizarrissimos, como víamos na TV, esqueça: convencional e pouco ousado, o roteiro do longa poderia ser protagonizado por qualquer outro personagem que não a dupla do FBI. E rende, de qualquer maneira, um competente filme de suspense.

Espere boas seqüências de ação, mas não conte com Gillian Anderson nelas, diferentemente do seriado. Talvez ela esteja enferrujada demais para o papel; o fato é que sua função no filme é muito mais emocional. O clima de mistério também é garantido. Afinal, Carter tem boa mão para isso. Espere, também, acreditar até o fim de que esta é a volta definitiva de Arquivo X. No final, o sabor que fica é o da saudade.


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Nome Original: The X-Files: I Want to Believe
Lançamento: 2008
Gênero: Ficção Científica
Formato: RMVB
Duração:
104 minutos
Tamanho:
327 Mb
Áudio:
Ingles
Leganda: Portugues:
Qualidade:
DVD

terça-feira, 26 de maio de 2009

Força Policial(Pride and Glory)


Título de filme realmente pode ser uma faca de dois gumes. Força Policial, por exemplo, é um nome que não faz jus à qualidade da obra. Dá a impressão de ser apenas mais um filme de correria e pancadaria policialesca, o que não é verdade. Por outro lado, a tradução pura e simples de seu título original (Pride and Glory, ou seja, Orgulho e Glória) imediatamente nos remeteria a algum filme inglês de época estrelado pela Keira Knightley. O que também não é o caso.

De qualquer forma, seja qual for o título, Força Policial é um trabalho consistente e bem dirigido. Mais que um filme meramente policial, trata-se de um drama familiar que envolve o clã dos Tierney, uma espécie de dinastia de homens da lei capitaneada pelo patriarca Francis (Jon Voight) e continuada pelos seus filhos Francis Jr. (Noah Emmerich) e Ray (Edward Norton). De quebra, há ainda o cunhado Jimmy (Colin Farrell).

Tudo começa quando uma desastrada operação termina com quatro policiais mortos, todos eles subordinados ao chefe Francis Jr., que no momento participava de uma partida de futebol americano. Iniciadas as investigações, começa a ser desenrolada uma trama de corrupção que, claro, chegará aos altos escalões. Sim, nada muito diferente de muita coisa já vista neste sentido, mas o filme tem uma carga de densidade dramática que merece a atenção dos fãs do gênero e não decepcionará os apreciadores de um bom elenco. Principalmente Edward Norton e Colin Farrell, eficientes como sempre.

O projeto na realidade é antigo e estava rolando pelos estúdios já há quase dez anos. Na ocasião, ele seria estrelado por Mark Whalberg e Hugh Jackman. Porém, após os atentados de 11 de setembro, os executivos decidiram que seria totalmente negativo realizar, na época, um filme sobre a corrupção policial na cidade de Nova York. Poeira assentada, a New Line retomou a idéia.

Apenas dois probleminhas básicos: sua duração de 114 minutos poderia ser um pouco reduzida para o benefício do ritmo da ação. Além disso, ele é muito, muito parecido com Os Donos da Noite, que James Gray dirigiu em 2007.

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Título Original: Pride and Glory
Gênero: Policial/Drama
Tempo de Duração: 130 min
Ano de Lançamento: 2008
Qualidade: DVDRip
Formato: Rmvb
Áudio: Inglês
Legenda: Português
Tamanho: 458 mb

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Donnie Brasco


Baseado numa história real. Johnny Depp está no papel de um agente do FBI que tem que se infiltrar na máfia, e nesta missão usa o nome Donnie Brasco. Ele se torna amigo de Lefty Ruggiero (Al Pacino), um mafioso cheio de problemas que o toma como protegido e faz com que conheça muito bem o crime organizado. Enquanto a missão do FBI vai se estendendo, a vida pessoal de Donnie é afetada, e ele fica cada vez mais amigo de Lefty. E o problema se torna cada dia maior: se a máfia souber que ele é o traidor, sua vida e a vida do amigo estarão em perigo.

Brasco'' é uma feliz surpresa. Um filme com duas grandes interpretações (Johnny Depp ficou finalmente adulto e Al Pacino tem um dos melhores momentos de sua carreira) e uma direção supercompetente (do inglês Mike Newell, de ''Quatro Casamentos e um Funeral'').

Gostei particularmente de Pacino, que com freqüência me parece um ator apático ou composto demais. Mas o tempo finalmente o humanizou, parece um ser humano autêntico, ainda mais lidando com um personagem de perdedor. Inspirado em fatos reais (o verdadeiro personagem dá entrevistas contra luz para não ser reconhecido, já que vive fugido e com prêmio pela sua cabeça), o filme na verdade seria um grande clichê. A história já contada milhares de vezes pela antiga Hollywood: é a velha situação do policial (no caso agente especial do FBI) que se infiltra em quadrilha para poder conseguir provas contra um bandido, mas que acaba virando seu amigo e o deixando com problemas de consciência. Apesar disso, o filme consegue interessar. Mais que isso, a gente gosta da dupla central, torce por eles, participa da trama sempre com atenção.

O único reparo que faria seria a escolha dos atores que fazem os mafiosos que são todos conhecidos de outras longas em papéis semelhantes (seria mais convincente se fossem desconhecidos). Mas é o de menos, não muda nada. A maior parte das pessoas não vai conhecê-los e o filme manterá sua aparência de realismo. Confesso que gostei muito de ''Donnie Brasco'', que considerei o melhor filme de gângster desde a saga dos Chefões e ''Os Bons Companheiros''.

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Download do Filme - parte 1

Download do Filme - parte 2
Download do Filme - parte 3

Título Original: Donnie Brasco
Gênero: Policial
Tempo de Duração: 130 min
Ano de Lançamento: 1997
Qualidade: DVDRip
Formato: Rmvb (RAR)
Áudio: Inglês
Legenda: Português
Tamanho: 413 mb

Sobre Meninos e Lobos(Mystic River)


Contando com clima extremamente realista e uma direção brilhante de Clint Eastwood, Sobre Meninos e Lobos nos mostra mais que uma história de suspense policial ou drama. O título em português já revela o grande potencial do filme, pois nos remete a um ensaio sobre a violência, a sociedade e a individualidade de cada homem. Lobo, menino ou ambos.

Jimmy Marcus (Sean Penn) perde a filha em um assassinato e se empenha em fazer justiça com as próprias mãos. Sean Devine (Kevin Bacon) é um dos policiais que investiga o caso e Dave Boyle (Tim Robins) é o principal suspeito do crime. O elemento crucial na história é que os três homens eram amigos numa infância marcada pelo abuso sexual que o personagem de Tim Robins sofrera.

Não é difícil notar o realismo e a verossimilhança do filme. A fotografia é contida, o bairro suburbano não é idealizado nem repleto de tipos, a iluminação é a mais natural possível. Quando assistimos a Sobre Meninos e Lobos, temos a impressão de que estamos olhando pela janela de nossa casa e vendo nosso bairro. Não há um clima sombrio como em Gotham City, alegre como em Mamma Mia!, ou mesmo idealista como em Benjamin Button. Tudo no filme, desde as atuações até a caracterização do espaço, nos remete a um visual cru e adulto, criando uma inquietante proximidade entre realidade e ficção.

Não é fácil pensar em um tema principal que seja abordado na película. Sob um prisma sociológico, surge a questão da violência. O abuso sexual do menino Dave Boyle é o primeiro a saltar aos olhos. Magistralmente interpretado por Tim Robins, o personagem carrega as marcas dessa violência até a vida adulta. Boyle não consegue se manter empregado, tem surtos de paranoia ou violência e se mostra um eterno menino que ainda cairá nas mãos dos lobos. Tim Robins consegue esmiuçar cada detalhe desta personalidade perturbada e complexa, desde olhares até pequenos gestos, o que lhe rendeu o Oscar de melhor ator coadjuvante em 2004. Outro ponto a ser considerado é a espiral de violência que não se esvai de forma alguma. A geração de adultos fora e continua sendo violenta e os adolescentes do presente seguem pelo mesmo caminho. De certa forma, a sombra do medo paira sobre a vizinhança do filme, garantindo que a violência se perpetue.

Sob um prisma psicológico, podemos notar as relações entre meninos e lobos, tão acertada no título em português. A primeira vista, pode parecer que os os meninos e os lobos da história já estão determinados. Porém, o grande trunfo do filme é não cair no maniqueísmo. Jimmy Marcus, mesmo adulto e pai de família, anda por aí com sua ganguezinha espalhando autoritarismo pelo bairro como um adolescente. Dave Boyle é o eterno menino preso à chaga da infância, mas que corre de si mesmo, seu maior lobo. Ainda sim ele encontra tempo para ser o predador da própria esposa.

E aqui temos outro tema interessante, as esposas. Sobre Meninos e Lobos é, de certa forma, um filme sobre homens que acaba refletindo sobre mulheres. Ora são sensíveis e espertas, ora são ingênuas. Às vezes conseguem entrar nas mentes de seus maridos, às vezes são tolas e inocentes. Mas no fim, descobrimos que cada casal se completa perfeitamente em suas fraquezas e em suas forças; não havia apenas homens, mas casais que se espelhavam a si mesmos. Os meninos eram casados com as meninas.

Sean Penn, que também levou um Oscar de melhor ator em 2004, dá um show à parte. Seu personagem, bem a meu gosto, é esférico. Ele possui múltiplas facetas a serem explorados e Sean Penn viaja por todas. O jeito de bad boy crescido e autoritário é o pano de fundo do personagem, que passa por momentos de sofrimento, de raiva e de pena. Uma cena em que se pode notar o talento com que o ator compôs o personagem é quando Jimmy chora a morte da filha junto a Dave Boyle, que pensamos ser o assassino. Acredite, é de arrepiar.

Sobre Meninos e Lobos não é um filme para qualquer um. Não há finais felizes, a ficção é nua, crua e assustadoramente parecida com nossa realidade. Prova da competência e da sensibilidade do diretor Clint Eastwood, este filme merece ser visto por todos sob a ótica da vida em sociedade. Um verdadeiro ensaio sobre nós mesmos.

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Título Original: Mystic River
Gênero: Suspense
Tempo de Duração: 137 min
Ano de Lançamento: 2003
Qualidade: DVDRip
Formato: Mkv (RAR)
Áudio: Inglês
Legenda: Português
Tamanho: 402 mb

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Fargo


Que os irmãos Coen são extremamente talentosos não restam dúvidas. Na Roda da Fortuna, Arizona Nunca Mais e Barton Fink - Delírios de Hollywood são exemplos de cinema em sua mais pura essência. A direção de Joel é sempre uma atração à parte: a forma com que a câmera se move, a edição delirante, o ritmo alucinado. Fargo é, também, um excelente exemplar do trabalho da dupla. O roteiro é extremamente interessante, a direção é fabulosa e as interpretações são perfeitas.

Jerry Lundegaard (Macy) é um homem desesperado. Ele precisa urgentemente de dinheiro - muito dinheiro - para financiar um projeto que idealizou. Sua esposa, Jean, é filha de um homem muito rico, mas isso é tudo. Seu sogro, extremamente arrogante, nunca lhe emprestaria a soma de que necessita. Assim sendo, ele resolve contratar dois marginais, interpretados por Buscemi e Stormare, para que estes seqüestrem sua esposa a fim de que ele possa cobrar um milhão de dólares como resgate (os dois bandidos pensam que o resgate será de apenas 80 mil dólares).

Porém, tudo sai errado, e três pessoas são mortas. É então que conhecemos a chefe de polícia Marge Gunderson (McDormand), que passa a investigar as mortes que aconteceram em sua cidadezinha. E não é que ela facilmente acaba chegando até o assustado Jerry? Aliás, é aí que o filme ganha ainda mais força: à medida em que as coisas vão ficando mais complicadas, o pobre homem se depara com vários obstáculos que tem que superar rapidamente antes se compliquem ainda mais. Mas elas não param de se complicar. O que fazer, por exemplo, quando seu sogro resolve entregar pessoalmente o dinheiro do resgate?

É pena que a linguagem deste excelente filme não seja tão universal quanto as dos trabalhos anteriores desta inventiva e cada vez mais promissora dupla de cineastas.

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Título Original: Fargo
Gênero: Drama
Tempo de Duração: 98 Min
Ano de Lançamento: 1996
Qualidade: DVDRip
Formato: Rmvb (RAR)
Áudio: Inglês
Legenda: Português
Tamanho: 310 mb

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Meu Nome não é Johnny


Baseado no livro homônimo escrito por Guilherme Fiúza, Meu Nome Não É Johnny conta a história real de João Guilherme Estrella, que hoje atua como produtor musical. Nascido numa família carioca de classe média, passou sua juventude nos anos 80 e 90 envolvido com venda de drogas e é esta a passagem de sua vida que a história enfoca.

Calcado principalmente na atuação consistente de Selton Mello na interpretação de Estrella, o filme desenha de forma muito particular o retrato deste personagem. Deixando de lado a abordagem maniqueísta e o fácil impulso de transformar a história do traficante em uma lição de moral, Meu Nome Não É Johnny não pretende julgar os atos dos personagens e este é o grande trunfo do filme.

A recriação da época é sutil, porém bem marcada pela direção de arte e criação do figurino, transportando com competência o espectador à realidade vivida pelo protagonista nas várias fases que o longa abrange, desde seu envolvimento com as drogas – primeiramente como usuário, depois como traficante – até sua prisão. A forma como Mello transmite carisma ao personagem pode, ao primeiro olhar, dar a entender que existe uma “glamurizaração” do personagem e da situação toda, mas as intenções são contrárias, principalmente por essa posição que o filme toma ao se manter distante de qualquer julgamento.

Misturando o humor (principalmente conferido por esse cinismo que Mello é capaz de conferir aos seus personagens) ao drama, especialmente num segundo momento da produção, quando Estrella é julgado e preso, Meu Nome Não é Johnny envolve o espectador graças também à direção fluída e, principalmente, as atuações convincentes.

Por mais que Meu Nome Não é Johnny gire em torno das drogas, não tem a ver com filmes como Cidade de Deus e Tropa de Elite, que focam o tráfico nas favelas do Rio de Janeiro: Estrella era conhecido como um “traficante do asfalto”. Ou seja, nunca pisou numa favela, obtendo drogas por outros meios e distribuindo-as em seu círculo social. Portanto, trata-se de um recorte diferente e complementar de um mesmo mosaico, também formado pelas duas produções citadas anteriormente, que focam o tráfico de entorpecentes. As comparações são inevitáveis, mas devem ficar restritas somente ao tema.

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Título Original: Meu Nome Não é Johnny
Gênero: Drama
Tempo de Duração:
Ano de Lançamento: 2008
Qualidade: DVDRip
Formato: Rmvb
Áudio: Português
Legenda: s/l
Tamanho: 361 mb

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Um Dia de Cão(A Dog Day Afternoon)


Sedento por uma história visceral e inteligente, SIDNEY LUMET (ANTES QUE O DIABO SAIBA QUE VOCÊ ESTÁ MORTO) traça momentos tensos, deixando espectadores quase sem fôlego, salpicado por humor sutil e quase imperceptível, num longa que ainda hoje, 34 anos após seu lançamento causa impressão bastante positiva ao verdadeiro cinéfilo.

Temos grande acerto já nos minutos iniciais, onde várias imagens lotadas de contrastes, causam impacto perturbador. AL PACINO (O PODEROSO CHEFÃO) e JOHN CAZALE (O PODEROSO CHEFÃO) estão tão naturais que, mesmo como supostos vilões, conseguem empatia imediata do público.

No roteiro, um assalto rápido, transforma-se numa grande atração televisiva, onde mídia – sempre inescrupulosa – e polícia mostram-se tão despreparados quanto os criminosos – que ganham confiança até dos reféns. Quando PACINO sai e é ovacionado pela multidão aglomerada em frente ao banco, prova-se a inversão de valores dentro de uma sociedade tremendamente arrogante e individualista (tendo aí seus “15 minutos de fama”).

Apresentação dos protagonistas é quase inexistente, jogando-nos abruptamente às atitudes explosivas de Sonny e Sal. O fato de ser filmado em no máximo duas ou três locações facilitaria o processo de irrelevância, mas a câmera ágil do diretor mantém nível de suspense sempre elevado. UM DIA DE CÃO transformou-se de fato, numa obra prima... recomendadíssimo.

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Título Original: A Dog Day Afternoon
Gênero: Policial
Tempo de Duração: 120
Ano de Lançamento: 1975
Qualidade: DVDRip
Formato: Rmvb
Áudio: Inglês
Legenda: Português
Tamanho: 405 mb