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terça-feira, 4 de agosto de 2009

Um Corpo Que Cai(Vertigo)


Alfred Hitchcock era um autor. Mesmo que seus filmes tenham mantido sempre a mesma linha de suspense, mudando somente as histórias, Hitch conseguia injetar o suspense onde menos se espera e, como ninguém, manipulava sua câmera da maneira mais inovadora possível. Apesar do esqueleto narrativo de praticamente toda sua filmografia ser parecido, incrivelmente o cineasta conseguia de reinventar a cada filme. Salvo isso, "Vertigo" é o filme mais diferente de Hitchcock. Quando foi lançado, "Vertigo" recebeu um reconhecimento medíocre, e hoje é considerada por muitos a obra máxima do mestre do suspense. Na verdade, quase todas suas películas são obras máximas, afinal.

Em "Vertigo", Hitch trai o espectador divindo a trama em duas histórias totalmente distintas. Na primeira parte, o cineasta trata o longa como um drama sobrenatural com caráter intimista. De repente, a trama pula para uma história sobre um homem obcecado por um fantasma. De louco apaixonado, o detetive passa para um enlouquecido e paranóico sujeito. Claro que o filme entrega momentos fantasiosos, como a cena em que o corpo da mulher cai no telhado. Porque o personagem de James Stewart, que é um detetive, não foi dar assistência a vítima. No entanto, momentos assim explicam o real significado do adjetivo gênio, dado a Hitch. Não há explicação para tudo em filmes do diretor, o espectador tem de correr atrás e tirar suas próprias conclusões enquanto há dúvidas.

O filme se passa na cidade mais aconchegante dos Estados Unidos, São Francisco. Onde um detetive aposentado (James Stewart) que foi afastado da polícia por problemas de saúde, logo depois de ver seu parceiro morrer, sofre de um terrível medo de altura é encarregado de vigiar uma mulher (Kim Novak) com possíveis tendências suicidas, até que algo estranho acontece nesta missão.

Com um estudo de personagem minucioso e altamente detalhado, Hitchcock pincela, à sua maneira, a dupla de protagonistas principais. Repare na mudança dos personagens, Hitch gera confusão na cabeça do espectador, agregando mais tensão e dúvidas sobre o desfecho da história. Levando a risca a idéia de "as coisas não são o que parecem ser" e "nunca confie demais", Hitchcock transborda classe e eficiência enquanto desfila seu novo truque de câmera. Vertigo, o truque que empresta nome ao filme, é a sequência de zooms e afastamento da câmera, que dá ao público a sensação de vertigem sentida pelo personagem de James Stewart. Brilhante.

Tendo como grande aliado a direção de Hitchcok, a fotografia desempenha função importante na hora de incluir veracidade no visual do filme. A fotografia colorida transparece com um vermelho crepúsculo, o que ajuda nos momentos de suspense dando mais melancolia a cada cena. Ainda com uma trilha sonora assustadoramente impecável, "Vertigo" proporciona uma das cenas mais memoráveis (e assustadoras) do cinema de Hitchcock. Se até Scorsese disse que "Vertigo" é a obra mais pessoal do mestre, quem sou eu para discordar.

Trailer do Filme

Download do Filme - parte 1

Download do Filme - parte 2
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Título Original: Vertigo
Gênero: Suspense
Tempo de Duração: 128 min
Ano de Lançamento: 1958
Qualidade: DVDRip
Formato: Rmvb (RAR)
Áudio: Inglês
Legenda: Português
Tamanho: 402 mb

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Janela Indiscreta


A facilidade que o mago Alfred Hitchcock tem em pegar situações simples, cenários mais simplistas ainda, e transformá-los em um antro de medo e tensão é algo indiscutível. Um dom que fomos presenteados de diversas formas de clássicos como Psicose, Um Corpo que Cai, Disque M para Matar, Festim Diabólico e Janela Indiscreta, o filme-tema desta matéria a seguir.

Filmado entre Novembro de 1953 e Janeiro de 1954, a história gira em torno de um jornalista chamado Jeff, interpretado por James Stewart, que está de ‘molho’ em sua casa, depois de quebrar a perna arriscando-se na produção de uma matéria. Como não tem nada para fazer durante o dia, ele passa a espiar o cotidiano de seus vizinhos, até que desconfia que um deles tenha matado a própria esposa e tenta provar isso para sua mulher e um amigo detetive.

Um enorme cenário foi construído nos estúdios da Paramount, contendo 31 janelas para o filme ser ambientado. Ele começa um pouco devagar justamente para apresentar aos telespectadores essa enorme vizinhança artificial, e isso não cai ao gosto de algumas pessoas, inclusive não caiu no meu, apesar de ser totalmente necessário para o entendimento do que está acontecendo ao redor.

O filme tem seu suspense apresentado de maneira crescente, a partir do momento da suspeita já citada. Uma coisa que achei bastante legal foi o modo com que tudo foi apresentado, nos colocando na mesma perspectiva do personagem, descobrindo as coisas com ele, nos levando a querer bisbilhotar o que acontece em volta também. No final já nos vemos em meio a situações que nos deixarão apreensivos e envolvidos completamente na trama, graças ao roteiro firme e bem estruturado.

Mas não é só de um roteiro excelente que o filme se vangloria. As atuações de James e Grace Kelly estão magníficas, contribuindo bastante para o clima proposto. Até mesmo o gênio Hitchcock faz sua aparição habitual (e discreta) ao consertar um relógio em um dos apartamentos. A fotografia, que começa com tomadas calmas e distantes, também evolui para um ponto dramático e com planos fechados, ou seja, tudo está em uma perfeita sincronia para a obra prima final.

Uma obra-prima do gênio Alfred Hitchcock. Apesar de eu ainda preferir Um Corpo que Cai e Psicose, aconselho esse para aqueles que querem cair de cabeça em uma trama simples, porém envolvente e cheia de mistérios. Rodado todo no mesmo lugar e com um início tranqüilo demais, não deve agradar a todos os gostos, mas quem gosta de um bom suspense cairá de cabeça nessa lição de como se fazer um filme que Hitchcock nos deu de graça com “Janela Indiscreta”.

Trailer do Filme

Download do Filme - parte 1
Download do Filme - parte 2

Título Original: Rear Window
Gênero: Suspense
Tempo de Duração: 107 min
Ano de Lançamento: 1954
Qualidade: DVDRip
Formato: Rmvb (RAR)
Áudio: Inglês
Legenda: Português
Tamanho: 376 mb

domingo, 2 de agosto de 2009

Silencio dos Inocentes


Sabe aqueles filmes que mesmo com o passar do tempo não envelhecem e ainda conseguem surpreender muita gente? Este é o caso “O Silêncio dos Inocentes”. Este filme ganhou o Oscar de Melhor Filme, Diretor, Ator (Anthony Hopkins), Atriz (Jodie Foster) e Roteiro Adaptado, além de ter concorrido nas categorias Montagem e Som. Sem dúvida nenhuma, “O Silêncio dos Inocentes” marcou a história do cinema e virou referência para muitos outros longas do gênero.

O filme conta a história de uma policial estagiária do FBI, Clarice Starling (Jodie Foster). Ela é uma das melhores em sua área e é sempre destaque em vários seguimentos da organização. Ao ser chamada por seu chefe e atual tutor, ela fica sabendo que terá que tentar arrancar informação de um brutal assassino que está preso, Dr. Hannibal Lecter (Anthony Hopkins), conhecido como “O Canibal”. O intuito desta “conversa” seria coletar informações que fizessem com que um assassino em série que está à solta, fosse preso. Este é conhecido como Bufallo Bill, um homem cruel que seqüestra e mata mulheres arrancando sua pele e órgãos.

Jodie Foster, no início, tinha medo de contracenar com Anthony Hopkins. Certamente, não à toa. Ele está fascinante no papel de Dr. Lecter. Bem como assustador, insano, irônico, maníaco e brilhante. Estes são alguns dos adjetivos que Anthony Hopkins recebeu ao ser premiado com o Oscar de Melhor Ator. Sem dúvida nenhuma ele interpretou um dos maiores vilões de todos os tempos. Dr. Hannibal Lecter é muito inteligente. Consegue deduzir coisas com uma simples informação. Tanto que ele, com poucas instruções, descobre quem é Bufallo Bill e o porquê de Clarice ser do FBI.

“O Silêncio dos Inocentes” possui muitas cenas chocantes. Dá para perceber que esta era a intenção do cineasta Jonathan Demme. Ele quis chocar, mas não frustrar os seus espectadores. Na cena em que Dr. Lecter ataca um policial, por exemplo, é bastante forte, mas há um enigma por trás daquilo, que se revelaria logo após a este ataque canibal.

O interessante é que antes de Jodie e Hopkins serem chamados para os papéis, outros dois grandes atores foram convocados. Gene Hackman e Michelle Pfeiffer, felizmente, não aceitaram. Penso que depois de todo o reconhecimento dado à dupla de “O Silêncio dos Inocentes”, Michelle e Hackman ainda devem sentir as dores do arrependimento por não terem aceitado os papéis. Talvez ela ficasse bem no lugar da policial do FBI, porém Hackman não teria chances, pois Hopkins é o ator perfeito para o papel do temível canibal.

“O Silêncio dos Inocentes” é uma obra "mais-do-que-recomendadável". Os diretores de “Seven - Os 7 pecados capitais”, “Colecionado de Ossos”, “Beijos que Matam” assistiram a esse filme antes de produzirem seus respectivos. Este é um modelo de longa-metragem que foi usado em vários outros. Raramente veremos um igual e que chegue a ser comparado com tal proeza.

Por mais que este filme contenha violência, ela consegue não ser tão bizarra como em “Hannibal”, que é a continuação de “O Silêncio dos Inocentes”. Creio que a troca da direção de Jonathan Demme para Ridley Scott foi o principal fator de “Hannibal” possuir um ar de explícito. Nada que tire o brilho do filme e de Hopkins, mas gostaria de ter visto como este ficaria com a direção de Jonathan Demme.

Hopkins, quando foi questionado em uma entrevista da FOX sobre Dr. Lecter nunca piscar os olhos respondeu: “O principal aspecto do Lecter é ser penetrante... ele é penetrante... ele tem uma mente poderosa, ele é evasivo. Na cena do interrogatório com Clarice, na cena da cela, ele a investiga e nunca perde o controle sobre ela. Investiga o tempo todo. Por isso ele é penetrante “.

Infelizmente nós vemos alguns erros um tanto quanto bizarros, como quando Clarice está no porão da casa de Buffalo Bill, podemos ver um fio segurando o mosquito que está voando ao redor de uma lâmpada. Outro erro clássico é a cena do tiroteio final entre Clarice e Buffalo Bill, onde pode-se ouvir o som de balas caindo no chão. Os dois estão usando revólveres, portanto, a munição gasta não deveria cair, mas sim ser disparada. Felizmente tem-se que ser muito detalhista para notar este tipo de coisa. Que são erros clássicos, são, mas nada que atrapalhe o brilho desta produção.

Uma coisa em que eu tenho que concordar com a crítica: dificilmente um outro filme de suspense vai conseguir proeza igual em agradar ao público e à crítica ao mesmo tempo.

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Título Original: The Silence of the Lambs
Gênero: Suspense
Tempo de Duração: 114 min
Ano de Lançamento: 1991
Qualidade: DVDRip
Formato: Rmvb (RAR)
Áudio: Inglês
Legenda: Português
Tamanho: 403 mb

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Fim dos Dias


Segundo as escrituras, Satanás (ele mesmo, em carne, osso e maldade) virá à Terra nos últimos dias de 1999 para fecundar uma predestinada. Assim será gerado o Anticristo, que iniciará uma nova era sob o domínio das trevas. Só há duas formas de impedir o apocalipse: matar a esposa do demônio ou protegê-la do coisa-ruim até a virada do ano. Esse é o enredo proposto por Fim dos Dias, filme do fortão Arnold Schwarzenegger.

Como a maioria das produções do gênero, o Fim dos Dias é um show de clichés e fórmulas repetidas. As sequências no metrô lembram muito Velocidade Máxima. As cenas do demônio se recompondo depois de ser esmagado, fuzilado e explodido já foram vistas na série Exterminador do Futuro, com o próprio Schwarzenegger. E se não bastasse, o herói do filme é um ex-policial (!) revoltado (!!) com a perda de sua filha e esposa(!!!), que foram mortas por ele ter cumprido com o seu dever e ter testemunhado contra um criminoso(!!!!!!). É mole? Isso para não falar no final do filme: mais previsível, impossível. Para muitos, esses ingredientes seriam suficientes para provocar enjôo, mal-estar, dores de cabeça e depressão. Porém, para quem gosta de pancadaria, tiros, explosões, efeitos especiais e situações sensacionais, esse é o filme. Tem tudo isso, em doses cavalares.

A idéia é no mínimo oportuna. A proximidade do terceiro milênio é terreno fértil para quem pretende explorar a natural insegurança e crescente misticismo das pessoas. Essa estratégia não é nova. Sempre que passa um cometa perto da Terra, ou acontece um atentado terrorista ou mesmo um terremoto, lá estão os produtores de Hollywood prontos para faturar milhões. O curioso é saber se alguém vai se interessar por esse filme depois que da virada do milênio...

Uma dica: para quem realmente se interessa pelo assunto e quer ver um bom filme sobre a vinda do Anticristo, não pode deixar de assistir A Profecia (The Omen, 1976). Diversão e sustos garantidos.

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Título Original: End Of Days
Gênero: Suspense
Tempo de Duração: 126 min
Ano de Lançamento: 1999
Qualidade: DVDRip
Formato: Rmvb (RAR)
Áudio: Inglês
Legenda: Português
Tamanho: 342 mb


terça-feira, 28 de julho de 2009

Os Donos da Noite


Os primeiros minutos de “Os Donos da Noite” (We Own the Night, EUA, 2007) deixam a impressão de que o filme será uma variação urbana das histórias sobre ajustes de contas entre dois irmãos de personalidades diferentes. Um atentado inesperado contra a vida de um deles, porém, faz a narrativa dar uma guinada radical, transformando o que parecia um drama banal em um thriller pesado e sufocante, que remete a outra parábola bíblica: a do filho pródigo. Encharcado de sentimentos opressores – remorso, vergonha, inveja, ódio, vingança – e com um toque autoral inconfundível, o filme se destaca do gênero policial oriundo de Hollywood como uma bem-vinda mancha de sangue.

Curiosamente, apesar de não comportar o senso habitual de espetáculo que o thriller genérico de Hollywood sempre acalenta, trata-se de uma obra de espírito essencialmente norte-americano. É só observar como o conceito de “família” fornece a base moral do sofrimento do personagem Bobby Green (Joaquin Phoenix), o protagonista. Toda a trama é narrada do ponto de vista dele, que trabalha como gerente de um clube noturno situado no subúrbio de Nova York. Dar ao trabalho a perspectiva de Bobby é uma decisão crucial do diretor e roteirista James Gray. Qualquer outra opção, como contar a história dos dois irmãos de forma paralela, abrindo o mesmo espaço para ambos, transformaria a obra em mais um melodrama lamacento.

Bobby é um jovem de futuro promissor. Tem uma bela namorada porto-riquenha (Eva Mendes) e a confiança irrestrita do dono do negócio, um rico imigrante russo que tem parentes ligados ao tráfico de drogas na cidade. Bobby sabe disso, mas faz vista grossa à situação. E é justamente ela que o reaproxima da família, com quem mantém frio contato social. O pai (Robert Duvall) e o irmão Joseph (Mark Whalberg) são policiais e têm planos de endurecer o jogo contra os traficantes da cidade. Tentam recorrer à ajuda de Bobby, já que um dos barões da droga (Alex Veadov) fecha negócios justamente na boate que ele gerencia. Bobby tenta se manter neutro. “Vai chegar a hora em que você terá que escolher um lado”, profetiza o pai. Ele está certo.

Jovem promissor e talentoso, o diretor James Gray é um autor bissexto. Fez apenas três longas em quase quinze anos de carreira, parcialmente por insistir em filmar projetos autorais nos intestinos de uma indústria cinematográfica que abomina este tipo de trabalho. A característica o faz mais conhecido e respeitado no cenário do cinema europeu do que dentro dos Estados Unidos. Gray já ganhou prêmio de melhor diretor no Festival de Veneza. “Os Donos da Noite” entrou na competição oficial do Festival de Cannes de 2007, e deixou boa impressão na crítica européia, algo que não ocorreu nos EUA. O filme demorou seis meses para estrear em casa, fracassou nas bilheterias (US$ 27 milhões) e não teve a aclamação esperada pela crítica.

Em parte, a recepção fria pode ser explicada pela relativa semelhança do longa-metragem com pelo menos dois outros projetos contemporâneos. A presença de Mark Whalberg no elenco é apenas um dos muitos pontos de contato da produção com “Os Infiltrados” (2006), que deu o Oscar a Martin Scorsese poucos meses antes da estréia. “Os Donos da Noite” ainda deu o azar de ser exibido quase ao mesmo tempo em que “O Gângster” (2007), de Ridley Scott, que é muito parecido tanto na ambientação (tráfico de drogas, Nova York estilo vintage) quanto na temática (família). O filme de Scott, veterano que valoriza muito mais o senso de espetáculo, prioriza a trama. O de James Gray prefere os personagens. A escolha rende um bom trabalho, mas afasta o público.

O filme não é perfeito. Tem problemas, por exemplo, na reconstituição de época, que lembra muito mais os anos 1970 do que os anos 1980 (a ação se passa em 1988). As roupas, as músicas e o feeling geral da obra remetem ao período de “Operação França” (1971), título de William Friedkin com o qual guarda semelhanças. A rigor, não há nada na trama que remeta à colorida e singular década de 1980, e a ótima fotografia de Joaquin Baca-Asay usa sombras e chuva como elementos cênicos, dando à narrativa discretos tons pastéis. Se está de acordo com a trama, a textura empoeirada das imagens não bate com a época retratada pelo filme. O problema transparece até mesmo em um ou outro objeto cênico. Personagens aparecem, por exemplo, tomando cerveja em garrafas long neck transparentes, que não existiam em 1988.

As qualidades da produção, porém, são maiores e mais abundantes do que os defeitos. O enredo incorpora três seqüências de ação viscerais e realistas, por exemplo, sem forçar a barra. São momentos espetaculares que se integram de modo orgânico e natural à trama, e chamam a atenção sobretudo pela espetacular edição que som, que se transforma em assinatura estilística do diretor. Gray consegue dar às três seqüências o ritmo da respiração (literal e figurativamente) do personagem principal, usando a mesma estratégia – abafa os sons diegéticos, naturais, e realça um ruído específico em cada cena (um zumbido, o bater do coração, o som do pára-brisa), modulando-o no ritmo e na intensidade necessários. O resultado é sensacional.

Além disso, Joaquin Phoenix apresenta um desempenho excepcional. Sempre eficiente em papéis de homens torturados, o ator engole todos os colegas quando está em cena, incluindo o veterano Robert Duvall. Preste atenção, em especial, na grande seqüência do filme, que flagra uma conversa entre os dois irmãos dentro de uma delegacia. É um momento íntimo e especial, em que cada um confessa os ressentimentos nutridos durante anos em relação ao outro – Bobby invejava a relação amistosa de Joseph com o pai, enquanto Joseph admirava a justamente a coragem do irmão em desafiar o genitor (a grama do vizinho é sempre mais verde, certo?). Pode parecer uma cena sem importância, mas é justamente o instante que encapsula e resume perfeitamente o tema do filme, que é a família.

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Título Original: We Own the Night
Gênero: Ação / Drama / Suspense
Tempo de Duração: 117 min
Ano de Lançamento: 2007
Qualidade: DVDRip
Formato: Rmvb
Áudio: Inglês
Legenda: Português
Tamanho: 532 mb

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Festim Diabolico(Rope)


Festim Diabólico é um exemplar cruel do suspense mais sórdido que Hitchcok sabia compor como ninguém. O suspense pelo suspense, como único exercício de mexer com os nervos. Não bastasse fazer isso como ninguém, ainda aproveitou para criar um filme-exercício que ele nunca mais repetiu, mas serviu para atestar seu pleno domínio de cena, de espaço e de atores. Festim Diabólico é rodado inteiramente sem cortes. Nenhum. Os únicos cortes que existem acontecem a cada oito minutos, porque era o limite dos rolos usados na filmagem. Para não quebrar as seqüências, Hitchcok focava as costas de um dos personagens, trocava o rolo e reiniciava a ação partindo das costas para seguir em frente em seu teatro de suspense que, mesmo ambientado em apenas um ambiente, consegue prender a atenção do início ao fim.

O motivo para essa trama angustiante não poderia ser mais hitchcockiana: dois amigos cometem um assassinato no seu apartamento e escondem o corpo em um baú. O requinte de crueldade é que, minutos depois, os convidados de um jantar oferecido por eles chegam ao apartamento: os pais, a noiva, a tia e até o concorrente do morto pelo amor de sua noiva, que jantam na mesa montada em cima do baú onde está o corpo. Para provar sua genialidade, a dupla de assassinos convida também seu professor ( Stewart ), um homem perspicaz e de idéias avançadas, com a idéia de que, se eles conseguirem enganá-lo, provarão que um assassinato é, também, uma obra de arte, privilégio de inteligências e classes superiores.

Todo o nervosismo está no fato de que a platéia, aqui, é cúmplice dos assassinos, e não do lado bom da estória. É até irônico a forma como Hitchcok brinca com essa dualidade de sentimentos: ele coloca o público primeiro temendo pelo momento em que todo o estratagema pode ser descoberto- e são várias as ocasiões em que isso acontece - e gradativamente passa a colocá-lo ao lado do professor Rubert Cadell de Stewart, dividindo um misto de ansiedade e temor pelo que pode acontecer. E brinca com os nervos do público usando de simples objetos, como uma corda usada para amarrar livros. Faz com que a audiência, extremamente indecisa quanto à seus sentimentos, passe a simplesmente se angustiar pelo que quer que vá acontecer – um sentimento ampliado pela prepotência do cérebro da dupla criminosa, Brandon Shaw, que começa a jogar pistas a esmo sobre seu crime, e o desespero do inseguro Phillip com o jogo perigoso mantido pelo parceiro. Manter esse jogo durante 80 minutos em uma encenação sem cortes, com cada movimento e posição marcado e coreografado não é para qualquer um. Hitchcok amplia esse exercício com o movimento certo, com o close essencial, com a mudança de direção necessária enquanto amplia a tensão. É uma mescla entre o teatro e o cinema – repare como o cenário da cidade muda suavemente de tom, do fim de tarde até a noite – em uma história em tempo real onde a angústia, também, molda-se de forma quase imperceptível, mas extremamente palpável. Uma pena apenas que o final, extremamente abrupto e excessivamente teatral, não faça jus ao restante desse exercício primoroso, que apenas por isso é apenas quase perfeito.

Trailer do Filme

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Título Original: Rope
Gênero: Suspense
Qualidade: DVDRip
Formato: Rmvb
Áudio: Inglês
Legenda: Português

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Os Estranhos

Seguindo à risca o legado deixado pelo mestre Alfred Hitchcock, Bryan Bertino cria, a partir de experiências próprias, um suspense assumidamente despretensioso. Via de regra, o que Bertino quer é trabalhar com idéia do imaginário da platéia. Ele está ali apenas para mexer com os sentidos do público, sem maiores pretensões, deixando de lado qualquer subtexto ou mensagem subliminar. Para ele, isso pode ser visto na maioria absoluta dos suspenses hollywoodianos lançados com freqüência. O objetivo do diretor é manter o espectador preso na cadeira. E Os Estranhos faz isso muito bem, desde que você esteja disposto a ignorar certos aspectos.

A rigor, existem de fato algumas decisões tomadas pelos personagens que se mostram absolutamente inverossímeis. Mas veja bem: quando James Stewart "mandou" Grace Kelly vasculhar o apartamento de um suposto assassino em Janela Indiscreta ou quando o velho Hitch tentou nos convencer de que Kim Novak não era Kim Novak em Um Corpo Que Cai, ninguém reclamou porque era Hitchcock. Agora quando um diretor estreante dirige uma cena tão absurda quanto (até mais, diria), ele não merece um desconto? Aliás, o público deve ficar de olho, afinal pode estar surgindo mais um autor por aí.

Apesar dos créditos mentirosos, Os Estranhos não é baseado em fatos, e sim em experiências vividas pelo próprio diretor. A trama bastante objetiva mostra o casal Kristen (Liv Tyler) e James (Scott Speedman) voltando de uma festa onde houve uma pequena briga entre os dois. Quando estão em casa, uma menina bate na porta (às 4 da manhã) procurando por uma pessoa que eles desconhecem. Depois de mais uma batida e alguns barulhos suspeitos, Kristen desconfia que tem alguém a mais em casa. A partir daí, o suspense que se desenvolve na tela é expressivo e virtuoso. Nós sabemos o que o casal sabe sobre a invasão. Nem mais, nem menos.

Bertino, que também assina o roteiro, errou na construção da ação dramática em situações de pavor. Apesar de ninguém saber como reagiria se estivesse vendo sua casa ser invadida por três seres mascarados que não dão explicação alguma sobre os motivos da invasão ("por que vocês estavam em casa", diz um mascarado, e só), o diretor propõe soluções idiotas para situações críticas, caindo no velho clichê de que é preciso atitudes babacas para tocar o filme para frente. Não é bem assim. Já que tinha um roteiro bastante eficiente, Bertino poderia ter trabalhado melhor algumas idéias. Menosprezar a inteligência do espectador não é legal.

O fato é que os deslizes criativos do diretor e roteirista não são capazes de desviar o foco narrativo do longa. Os Estranhos existe apenas para manter o espectador tenso, apenas isso. E Bertino faz de sua câmera o principal ingrediente para tanto. A câmera anti-estática e que caminha lateralmente com elegância é um artifício muito bem empregado, e que funciona como um tempero a mais ao suspense gradativo que o diretor elabora. Com ângulos que permitem o espectador saber mais que os mocinhos (às vezes, só às vezes) e fotografia excelente, que utiliza uma paleta escura, fazendo bom uso da locação única, Bertino proporciona uma experiência tão assustadora quanto psicológica. A velha trilha sonora estridente está presente como prequel para assustar, mas não consegue fazer isso porque todo mundo já está careca de saber que quando ela começa logo, logo vem o susto. Os Estranhos funciona mais quando quer manter o espectador tenso, sem sanguinolência e membros decepados.

Parente direto de Violência Gratuita, de Michael Haneke, Os Estranhos (menos intelectual e mais descompromissado, mas não menos eficiente) acaba por tornar-se um exercício muito bem executado e, antes tudo, um trabalho primoroso de direção. Ademais, Liv Tyler colabora muito com uma interpretação segura e que transmite o real sentimento de pavor de sua personagem. Scott Speedman não mostra nada mais que a construção preguiçosa de seu personagem. Toda a tensão é confiada a Liv, que não decepciona. Os Estranhos é uma surpresa vinda de Hollywood em tempos onde o cinema (quase) não tem mais voz própria.

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Título Original: The Strangers
Gênero: Terror/Suspense
Qualidade: DVDRip
Formato: Rmvb
Áudio: Inglês
Legenda: Português

Identidade


Lembra quando você assistiu 'Pânico' pela primeira vez? Desde então, foi difícil surgir outro filme que fizesse você pular da cadeira… Até 'Identidade' chegar aos cinemas.

Se o elenco (que é de primeira) não faz você querer ver esse filme, a história fará. 'Identidade' é um suspense psicológico que vai te deixar arriscando palpites até o ultimo segundo. No estilo "Pânico", você vai ter que adivinhar quem é o assassino, que, obviamente só será revelado no fim do filme.

Lembra daquele jogo "Detetive"? Essa é exatamente a premissa do filme. Dez pessoas completamente estranhas ficam presas num hotel barato (que nos EUA é chamado motel), e de repente, elas começam a morrer uma a uma. Apesar de tudo rolar como se fosse um tipo filme de terror, a direção que a história toma no meio do filme faz você perceber o que fez esse filme se destacar entre tantos outros filmes do genêro. E é claro que eu não vou contar!


John Cusak ('Con Air - Rota de Fuga', 'Adaptação'), Ray Liotta ('Hannibal', 'Turbulencia'), Rebecca de Mornay ('A Mão que Balança o Berço'), Amanda Peet ('Fora de Controle'), Clea DuVall ('Garota, Interrompida', 'Prova Final'), Alfred Molina ('Chocolate', 'Homem Aranha 2'), entre outros, estão impecáveis. Eles fazem você sentir cada segundo do filme, e compartilhar da angustia e do medo dos personagens. Tudo isso somado a cenas fortes, gráficas, e cheias de surpresas, são suficiente pra te deixar grudado na poltrona.

Se você estava esperando por um filme que te fizesse sair de casa e ir ao cinema, a sua espera chegou ao fim. Corra para os cinemas, porque pra cada 100 filmes despejados nas telas, somente um é tão bom quanto esse (o que até chega a ser triste).

Não se fazem mais suspenses como antigamente, mas de vez em quando um filme como esse vem pra manter a sua esperança de que Hollywood é capaz de muito mais do que tem feito ultimamente.

Trailer do Filme

Download do Filme


Título Original: Identity
Gênero: Suspense
Qualidade: DVDRip
Formato: Rmvb
Áudio: Inglês
Legenda: Português

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Os Passaros


Uma tática infalível para ganhar respeito intelectual, nos Estados Unidos, é pegar alguma obra subvalorizada de um ícone da cultura popular daquele país e dar-lhe uma nova interpretação. Camille Paglia fez isso com o filme “Os Pássaros” (The Birds, EUA, 1963), de Alfred Hitchcock, como passo inicial rumo ao estrelato. Paglia escreveu uma longa, minuciosa e estridente análise do filme, depois publicada como livro (também no Brasil, pela Rocco), e provocou uma apressada revisão do conteúdo crítico da película.

Antes do polêmico ensaio de Camille Paglia, “Os Pássaros” era visto como o marco inicial do período de decadência do mestre do suspense. Como se sabe, nos 10 ou 15 anos anteriores Hitchcock havia feito uma quantidade anormal de grandes filmes, incluindo “Um Corpo que Cai” e “Psicose”, as duas obras-primas incontestes. No entanto, muitos críticos da época assinalaram em “Os Pássaros” como o primeiro momento em que Hitchcock começou a perder o controle rígido que tinha sobre o processo de construção dos filmes que fazia.

Eles não estavam errados, é claro. Hitchcock realmente faz o filme de forma pouco usual para ele. Seu método de trabalho era simples: ele montava todo o filme na cabeça, antes de ir para os sets, o desenhava em storyboards minuciosamente e depois simplesmente cumpria aquilo que planejava. Aliás, costumava achar o processo de filmagem em si entediante, pois já sabia o que iria obter. Quando começava a filmar, Hitchcock já estava pensando no filme seguinte.

Em “Os Pássaros”, contudo, tudo foi diferente. As filmagens não foram organizadas, o roteiro de Evan Hunter ia sendo refeito nos sets e boa parte do material filmado acabou no chão da sala de montagem – o único caso em que Hitchcock não aproveitou 100% daquilo que filmou. De qualquer forma, o livro de Camille Paglia se desviou da análise técnica da obra e veio chamar a atenção para um aspecto temático importante do filme: a temática feminista.

Quando “Os Pássaros” começa, a dondoca Melanie Daniels (Tippi Hedren) conhece e é esnobada pelo bonitão Mitch Brenner (Rod Taylor), numa loja de pássaros de San Francisco. Ela fica caída por ele, e toma a iniciativa seguinte: compra um par de “pássaros do amor” e segue para a vila pesqueira de Bodega Bay, onde o paquera passa os finais de semana, com o pretexto de presentear a irmã pequena do rapaz.

A teoria de Paglia é de que Hitchcock foi o primeiro dos diretores clássicos a quebrar o paradigma da submissão feminina em Hollywood. Para Camille Paglia, Hitchcock mostrava o quanto era machista ao associar, de forma sutil, a fúria da natureza a uma espécie de punição pela libertinagem da loura. Afinal, em 1963, quantas mulheres davam em cima de um homem tão ostensivamente sem sair impune?

Numa coisa Paglia tem razão: o filme é ousado mesmo. O irônico, porém, é que em 1954 o crítico francês André Bazin já apontava esse mesmo traço feminista, de forma inversa, em “Janela Indiscreta”. Bazin, que nunca compartilhou da paixão do pupilo François Truffaut pelos filmes do mestre do suspense, achava que “Janela Indiscreta” era um filme comum, quando visto do ponto de vista do suspense.

Para o pensador francês, a revolução de “Janela Indiscreta” era a personagem de Grace Kelly, uma editora de moda que praticamente pedia de joelhos ao fotógrafo viril vivido por James Stewart para dormir com ele. E, em “Janela Indiscreta”, quase dez anos antes de “Os Pássaros”, ela consegue o objetivo sem ser punida.

Não é preciso ser um gênio para perceber a semelhança e as diferenças, nesse aspecto, entre os dois filmes. Um conhecedor mediano da obra de Hitchcock vai perceber, aliás, muitos elementos recorrentes em “Os Pássaros”: a loura gélida e impulsiva (“Marnie”, “Um Corpo que Cai”), a mãe castradora (“Psicose”, “Rebecca”) e até o uso cinematográfico de pássaros como símbolo de caos e desordem (as corujas empalhadas de “Psicose”).

Uma inovação importante de “Os Pássaros”, que pouca gente percebeu, é a estrutura do enredo, que até hoje é reciclada nos chamados blockbusters, os grandes filmes de Hollywood: um caso de amor servindo de pretexto para a exibição de cenas de catástrofe, com muitos efeitos especiais e cenas de grande requinte técnico.

Nesse ponto, “Os Pássaros” é um sucesso absoluto. Hitchcock acerta inclusive ao manter o grande enigma do filme, que é a razão do repentino ataque de pássaros aos humanos. O que diabos está acontecendo afinal, pergunta o espectador? O final do filme não resolve essa questão e deixa cada membro da platéia imerso nos próprios pensamentos, o que contribui para firmar a aura excêntrica e sombria do filme.

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Título Original: The Birds
Gênero: Suspense
Qualidade: DVDRip
Formato: Rmvb
Áudio: Inglês
Legenda: Português

Vanilla Sky


Pouco depois das filmagens de “Missão Impossível 2”, em 1999, Tom Cruise começou a procurar um roteiro mais denso para transformar em filme. Ele não queria uma trama de ação desenfreada, como a produção anterior. Numa tarde, assistiu ao suspense psicológico espanhol “Abre los Ojos” (no Brasil, Preso na Escuridão) e ficou impressionado. Cruise levou dois anos para refilmar a trama. O resultado, “Vanilla Sky” (EUA, 2001,888), é um filme que celebra a cultura pop e, ao mesmo tempo, trava uma interessante discussão sobre a verdadeira natureza da realidade.

Em português, o título deveria ser “Céu de Baunilha”, referência à paisagem de um quadro de Monet que o protagonista guarda no quarto do apê transado que possui, em Nova Iorque. O leitor atento deve estar pensando na quantidade de dinheiro que o sujeito deve ter no banco, para poder guardar um Monet em casa. Dinheiro, aliás, é a chave do enredo. Cruise interpreta David, um playboy bonitão que herdou um império editorial e vive chegando atrasado no emprego, depois de farras com belas mulheres. Ele se envolve com duas beldades, a ciumenta Julie (Cameron Diaz)e a misteriosa Sofia (Penélope Cruz). É o clássico triângulo amoroso: a primeira é apaixonada por ele, que não quer nada com ela além de cama, mas se apaixona pela espanhola.

Aí vem a reviravolta. Desprezada, Julie revela uma faceta homicida e envolve o galã num acidente de carro que mantém David em coma por três semanas e o deixa com o rosto desfigurado. É o inferno para um sujeito vaidoso, que nasceu em berço esplêndido e não conhece a dor da rejeição – exatamente aquilo que vai experimentar. A paquera com Sofia vira paixão avassaladora, mas não vai em frente, e o ex-belo garotão entra numa paranóia de delírios conspiratórios cada vez mais tensa e complicada.

”Vanilla Sky” é bacana, mas a faceta pop acaba diluindo a força do original espanhol. A segunda produção do diretor Alejandro Amenábar era pobre de recursos (César, o milionário de “Abre los Ojos”, dirigia um Fusca!), mas tinha um diferencial: transpirava criatividade. Assim como o subestimado “Vidas em Jogo”, de David Fincher, enfocava o mundo artificial e vazio dos novos ricos e usava a trama de suspense para discutir questões como religião, morte e o conceito de realidade. “Abre los Ojos” era atrevido e não tinha medo de ser politicamente incorreto, especialmente ao apresentar como protagonista um sujeito narcisista, arrogante e egoísta até nos momentos mais tristes.

A refilmagem americana, por sua vez, prova que a chave dos grandes filmes está na sutileza, nos pequenos detalhes. O roteiro reescrito pelo competente cineasta Cameron Crowe (do ótimo drama “Quase Famosos”), repete praticamente cena por cena o enredo do suspense espanhol, e mesmo assim acaba ficando muito diferente. O problema é que Crowe suaviza demais os traços de canalhice do protagonista, tentando transformá-lo numa espécie de playboy amadurecido, na segunda metade da trama.

O final do filme, aliás, deveria servir de lição para Hollywood aprender como não se deve terminar um thriller. Ao contrário do original, que deixava várias linhas de raciocínio em aberto, Crowe preferiu esquecer os elementos de suspense, rechear as imagens de cores mornas e dar uma lição de moral ao protagonista (e ao espectador).É a velha mania de subestimar a inteligência da platéia. O novo roteiro transforma a complicada trama num bolo politicamente correto e entrega na boca do espectador.

Mesmo com esses vacilos, o enredo inteligente e cheio de reviravoltas garante a diversão, especialmente de quem não viu a produção espanhola. As referências visuais a capas de disco (Bob Dylan) e filmes famosos (“Jules e Jim”, “Acossados”) são uma contribuição bem sacada de Crowe ao enredo. A trilha sonora (com R.E.M. e Radiohead em momentos-chave e Paul McCartney numa boa canção original) também soa fresca e criativa. Já as atuações, especialmente o trabalho do casal ajuntado nos bastidores, Cruise e Cruz, estão empostadas e algo artificiais. Num filme sobre o mundo de plástico dos yuppies, porém, isso até que vem a calhar.

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Título Original: Vanilla Sky
Gênero: Suspense
Tempo de Duração: 145 min
Ano de Lançamento: 2001
Qualidade: DVDRip
Formato: Avi
Áudio: Inglês
Legenda: Português
Tamanho: 684 mb

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Maratona da Morte(Marathon Man)


Dustin Hoffman é Babe, tranquilo universitário e maratonista que acaba enredado numa complicada trama mortal envolvendo um fugitivo nazista, Christian Szell. Laurence Olivier foi indicado ao Oscar por sua brilhante atuação como o sádico Szell, que transforma utensílios dentários em instrumentos de tortura. Baseado no best-seller de William Goldman, o filme eletrizante mantém o suspense até o final.

A história conhecidíssima: durante as gravações de “Maratona da Morte” (Marathon Man, EUA, 1976), o veterano Laurence Olivier encontrou com o colega de elenco Dustin Hoffman durante um vôo de Nova Iorque a Los Angeles. Espantado com as olheiras do ator, o astro inglês lhe perguntou o que andara fazendo para ficar daquele jeito. Dustin respondeu que havia ficado três noites sem dormir, para filmar uma cena em que seu personagem ficava… três noites sem dormir. Chocado, sir Olivier faz a pergunta que se tornaria lendária: “Mas Dustin, por que você simplesmente não interpreta? É mais fácil!”

A anedota ganhou uma tremenda fama entre as rodas de atores em Hollywood, porque expunha de maneira crua o duelo entre os dois métodos de interpretação mais importantes desenvolvidos no século XX. Uma vinha da tradição teatral inglesa, mais intelectual do que física, e tinha o próprio Olivier – mestre das peças de Shakespeare – como maior representante; a outra era a técnica proposta por Lee Strasberg, do Actor‘s Studio, com base nos estudos do russo Stanislavski. Criado nos anos 1950, “O Método” propunha um mergulho total do ator dentro do personagem para interpretá-lo em todas as suas nuances. Marlon Brando era seu ícone máximo.

O fato é que a história foi publicada pela revista Time e acabou ganhando status de lenda urbana. Seria verdade? O DVD de “Maratona da Morte encerra a questão de uma vez por todas. O próprio Dustin Hoffman relembra o fato num dos dois documentários (45 minutos, ao todo) que acompanham o disco. Hoffman confirma a história toda, com uma única ressalva: “Eu nunca disse que havia ficado três dias acordado apenas com o objetivo de interpretar a cena; lembrem-se que aquela era a época da Studio 54 (boate famosa em Nova York na década de 1970)”, diz, sorrindo maliciosamente.

O duelo de interpretação entre dois ganhadores do Oscar, representantes de estilos tão distintos, permanece como maior atração do filme. É uma briga sem vencedores – quase saem faíscas da tela. Hoffman encarna um atormentado estudante de pós-graduação, Babe, que luta para explicar o suicídio do pai, ex-professor universitário, e cronometra longas corridas diárias. Ele é acidentalmente envolvido numa trama internacional de espionagem que começa com uma prosaica discussão automobilística entre dois velhinhos. A tal briga acaba num acidente que pode terminar por revelar o paradeiro do mais procurado carrasco nazista foragido: o dentista alemão Christian Szell (Olivier), autor das experiências mais atrozes da II Guerra Mundial.

“Maratona da Morte” pode ser inserido no contexto dos filmes policiais que vieram no rastro do sucesso de crítica e público de “Operação França” (1971). O uso prioritário de locações abertas é uma influência clara; a direção de fotografia num estilo cru, quase documental, com câmera tremida e luz natural, é outra. As cenas feitas embaixo da Ponte do Brooklyn fazem a homenagem mais explícita. O cineasta John Schlesinger conduz a trama com perfeição milimetricamente estudada. No início, são narradas várias histórias paralelas (a discussão dos velhinhos, o cooper estressado de Dustin Hoffman, uma inocente paquera na biblioteca da faculdade). Elas se cruzam, aparentemente sem ligação, e vão ganhando camadas extras de significado à medida que o filme anda.

O aparecimento de Olivier, sádico e feroz, proporciona uma seqüência antológica do cinema moderno: o carrasco nazista (inspirado em Joseph Mengele, que vivia anônimo no Brasil na ocasião) tortura o estudante numa cadeira de dentista, enquanto repete dezenas de vezes uma única frase, para desespero de um atordoado Hoffman: “É seguro?”. Passo a passo, contando com as presenças marcantes e charmosas de Roy Scheider (“Tubarão”) e da atriz suíça Marthe Keller, o cineasta conduz o filme a um final explosivo. De quebra, o espectador ainda ganha uma das cenas de perseguição mais bacanas do cinema, quando os comparsas do nazista tentam, de carro, pegar Dustin Hoffman correndo descalço e de madrugada entre becos e viadutos da Big Apple.

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Título Original: Marathon Man
Gênero: Suspense
Tempo de Duração: 125 min
Ano de Lançamento: 1976
Qualidade: DVDRip
Formato: Rmvb (RAR)
Áudio: Inglês
Legenda: Português
Tamanho: 413 mb

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Tubarão(Jaws)


"Tubarão" pode ser considerada a obra-chave para compreendermos a carreira de Steven Spielberg. Em 1975, Spielberg ainda não passava de um cineasta promissor com dois filmes bons no currículo ("Encurralado", sua estréia no cinema, e "Louca Escapada", 1971 e 1974, respectivamente). Porém, veio "Tubarão" e apresentou ao mundo aquele que viria a se tornar um dos maiores artesãos do cinema em todos os tempos. Apesar da recepção silenciosa num primeiro momento, bastou "Tubarão" atingir o público jovem, no verão de 75, para Spielberg entrar para história.

Além de inaugurar o termo blockbuster, que nada mais é do que o filme destinado ao público jovem, geralmente sem cérebro algum ou história coerente, mas com muitos efeitos especiais e cenas rápidas e, de preferência, com bastante ação, Spielberg dirigiu o filme mais visto na história do cinema, com 62 milhões de espectadores. Posto isso, o leitor mais atento pode desconfiar da idoniedade desta crítica, afinal, no começo deste parágrafo é destacado que blockbusters geralmente não possuem um roteiro coerente, sendo filmes feitos na medida para o divertimento das platéias juvenis. Mas, para toda regra há exceção (com o perdão do trocadilho).


Nada é vago em "Tubarão". Spielberg conta uma história por trás dos ataques do tubarão e mostra que a crise familiar iria se tornar um tema recorrente em seu projeto de cinema. Em 1975, o realizador Steven Spielberg levou ao ecrã a novela campeã de vendas de Peter Benchley, e fê-lo com uma incrível intensidade e um angustiante suspense. "Tubarão", marcou para sempre os espectadores de todo o mundo, aterrorizando apenas com estas palavras: "Não entre na água". Uma vez instalado o pânico, Roy Scheider, Richard Dreyfuss e Robert Shaw unem esforços na luta desesperada para acabar com as quase três toneladas do terrível assassino branco.


Mesmo tendo como base a odisséia de um xerife, um ictiologista e um veterano pescador, "Tubarão" dissemina uma subtrama interessante. O personagem de Roy Scheider, o mais estudado dentre o trio de protagonistas principais, marca o início de um estudo bem pessoal da carreira de Spielberg. O xerife Martin Brody (Scheider) passa por maus bocados dentro de casa e isso serve como um bom pano de fundo para a história principal. Spielberg não perde o foco da narrativa e segura as duas horas de duração facilmente.

Assim como todo o trabalho, a trilha de "Tubarão" entrou para a história. Com apenas duas notas, o mestre John Williams compôs o acorde mais fantástico do cinema (obviamente inspirado no clássico "Psicose", de Alfred Hitchcock. E foi assim, com um boneco mecânico e com uma edição impecável, que o cinema se rendeu ao talento de Steven Spielberg. Mesmo após as três continuações deploráveis que o longa recebeu (o que pode ter confundido a cabeça do público mais desinformado), "Tubarão" ainda é e sempre será um clássico.

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Título Original: Jaws
Gênero: Suspense
Qualidade: DVDRip
Formato: Rmvb
Áudio: Inglês
Legenda: Português

sábado, 11 de julho de 2009

Psicose


Clássico dos clássicos do cinema mundial. Psicose não é só um dos melhores filmes da história, mas também um dos mais plagiados, satirizados e ousados também. Partindo de uma premissa bem simples, o filme virou o marco que é por ter um segredo muito bem guardado, um roteiro que se desenvolve de maneira bem assustadora, atores inspirados conduzidos de maneira mágica pelo gênio Alfred Hitchcock e muito mais. Para mim, sua obra máxima.

A história é baseada em um livro de Robert Bloch e teve seu roteiro escrito por Joseph Stefano, sendo muito feliz na adaptação. Marion Crane é uma bela secretária de uma imobiliária. Certo dia, após seu patrão ter fechado um belo negócio e recebido 40.000 dólares em dinheiro, a loira dos olhos claros não resiste à tentação e rouba a quantia, a fim de conseguir viver com seu amante. Assim se tem início uma fuga da loira para que seu patrão e os outros não a capturem. Só que esse desenvolvimento não é como nos filmes atuais, cheio de perseguição, explosões e ação desenfreada, e sim é um minucioso desenvolvimento psicológico de Marion, onde você sente claramente tudo o que ela está sentindo, sejam pelas falas bem escritas ou pela perfeita direção de Hitch. As expressões de Janet falam por si só muitas das vezes.

O fato curioso é que, no meio da história, o filme troca de protagonistas. Marion deixa de importar para entrar em cena um dos personagens mais marcantes da história: Norman Bates (Anthony Perkins). Norman é dono de um motel de estrada deserto e cuida da mãe, que nunca o deixa se relacionar com outras mulheres, talvez pelo medo de perder o filho para uma moça qualquer. Só que o rapaz se importa, e muito, a ponto de fazer qualquer coisa para que a polícia não descubra um crime que sua mãe cometeu em um passado recente. É nessa parte que temos o brilhantismo e a profundidade do personagem trabalhado. Perkins convence a todo o momento, seu olhar cínico para os policiais, seu carisma, tudo faz com que nos identifiquemos com ele. E tudo contribui para a surpresa que o final do filme nos reserva.

O legal é que nenhum personagem do filme está lá gratuitamente, todos têm sua importância, mesmo que não seja de maneira tão clara. O amante, por exemplo, aparece só no início, mas no final ele retorna e tem uma importante participação no caso. O detetive dá um ponto de equilíbrio para o raciocínio dos personagens envolvidos na história. O policial que pára Marion serve para aprofundar ainda mais o estado psicótico dela. Enfim, nada é gratuito, nada é por acaso. Muito menos as cenas de suspense.

Psicose possui uma das cenas que considero dentre as três mais famosas da história do Cinema: o assassinato no chuveiro. A cena é perfeita. Desde o momento em que o assassino entra no banheiro até a parte final, em que a vítima fica com o rosto colado no chão, sem piscar, enquanto a câmera vai afastando de um lindo close, tudo funciona da maneira certa. Os cortes são usados de maneira rítmica. Ao mesmo tempo em que é desferida uma facada, há um corte. É uma dança de montagem, tudo perfeitamente acompanhado pelo clássico tema de Bernard Herrmann. Como curiosidade, o sangue que rola na cena, na verdade, é calda de chocolate, e os barulhos das facadas são, na verdade, facas sendo encravadas em melões. A ousadia também marca a cena: além de uma dublê nua em certos momentos (nada absurdo, tudo com a sutileza típica de Hitch), nesse filme é que foi pela primeira vez exibido um vaso sanitário nas telas, até então item proibido pela censura.

Outro fator curioso é que Psicose foi extremamente barato. Custou apenas 800.000 dólares e faturou mais de 40 milhões somente em bilheterias. Lógico, digo ‘apenas’ por causa dos padrões cinematográficos de orçamento, mas até para a época o custo foi baixo, mesmo se comparado a outros filmes anteriores de Hitch, como Um Corpo que Cai e Intriga Internacional, que custaram mais de 3 milhões de dólares cada. O custo foi muito bem utilizado, como o preço dos direitos autorais do livro (apenas 9 mil) e ter-se a participação de vários atores do show que Hitch tinha na TV. Orçamento não foi o motivo que levou o diretor a filmar em preto-e-branco, e sim porque ele achava que o filme ficaria sangrento demais à cores, o que acabou acontecendo com a recente refilmagem.

O tema criado por Bernard Herrmann já foi citado anteriormente, mas não é só da música que Psicose brilha na parte sonora. Claro, ela ajuda muito a manter o clima de tensão que quase sempre está presente, mas o som também é usado de maneira brilhante no aspecto narrativo. Além de criar totalmente um personagem, há momentos interessantíssimos que valem ser citados, como quando Maire está fugindo de carro. A imagem fica fixa no rosto da atriz, mas o som está em outro lugar, mais precisamente onde o chefe se encontra procurando a secretária em fuga. Ficamos vendo seu rosto, completamente alterado do estado normal, enquanto o som nos ambienta do que está acontecendo em outro lugar.

Recentemente, mais precisamente em 1998, o filme recebeu uma péssima refilmagem. Dirigida por Gus Van Sant (que não é um mau diretor), o remake peca em tudo o que pretendeu. Desde a personificação de Norman Bates, que aqui está caracterizado de uma forma que estrague tudo o que Hitch preservou em guardar segredo, Gus ainda usa exatamente todos os planos idênticos a versão de 1960. Ao invés de criar sua versão sobre o filme, ele apenas fez uma cópia barata, menor e dispensável. Transformou o clássico em um banho de sangue, além de estragar para muitas pessoas toda a surpresa que Hitch preservava em guardar (tanto que, em 1960, não era permitida entrar em uma sessão de Psicose após ela já ter tido início).

O filme também passou em branco na premiação do Oscar na época. Chegou a ser indicado para 4 estatuetas, de melhor diretor (prêmio nunca recebido pelo gênio em questão), atriz coadjuvante, fotografia e direção de arte. Nem a melhor filme chegou a ser indicado, uma das maiores injustiças das inúmeras que a Academia já cometeu. Pelo menos Janet recebeu o prêmio de melhor atriz coadjuvante no Globo de Ouro do ano. Mas vamos deixar as dores de cotovelo de lado, pois o filme supera tudo isso.

Talvez a única falha de Psicose seja justamente o finalzinho do filme, o final mesmo, os últimos instantes, que o torna auto-explicativo demais, quando não era necessário e todas as cartas da manga já haviam sido reveladas. Tudo o que era necessário para a compreensão de tudo o que houve na trama já havia sido dito. Mas não é um defeito grave, é apenas uma cena gratuita para os que não acompanharam as resoluções dos acontecimentos, nada que atrapalhe o resultado final da obra.

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Título Original: Psycho
Gênero: Suspense
Qualidade: DVDRip
Formato: Rmvb
Áudio: Inglês
Legenda: Português

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Fenda no Tempo(The Langoliers)


Stephen King é o autor literário mais adaptado para o cinema do século XX. Durante pelo menos três décadas (1970, 80 e 90), dezenas de livros e contos dele foram transformados em filmes pelos estúdios de Hollywood, com qualidade variável. Fanáticos pelos romances de King, contudo, têm a tendência de considerar a maior parte das produções insatisfatória. A razão é prosaica: adaptações literárias quase sempre implicam em reduções, simplificações e alterações, enquanto o leitor médio do escritor tende a considerar perfeito quase tudo o que ele escreve. Foi por isso que o próprio King passou a preferir, em meados dos anos 1990, a transformação de seus livros em minisséries de televisão, ao invés de filmes em longa-metragem.

Com mais tempo de tela, os seriados tinham como manter porções maiores da criação original de King. Já um filme dificilmente ultrapassa as três horas de duração. Foi por isso que o seriado “A Dança da Morte” (1994), com seis horas de duração, se transformou numa das adaptações favoritas dos fanáticos pela obra de Stephen King. O sucesso trouxe a reboque diversas outras séries, quase sempre com a colaboração direta do escritor. Este é o caso da claustrofóbica “Fenda no Tempo” (The Langoliers, EUA, 1995), série que começa muito bem e termina muito mal, construída sobre um dos cenários mais intrigantes a sair da mente fértil de King. O romancista até faz uma ponta no telefilme, embora não tenha tido participação direta no roteiro.

A história mostra um grupo de dez passageiros de um vôo doméstico, nos Estados Unidos, que acorda no meio da viagem e descobre que todos os outros passageiros e tripulantes desapareceram misteriosamente, deixando para trás apenas objetos pessoais, como relógios, perucas, dentaduras e pinos cirúrgicos. Para piorar, a comunicação com o exterior é nula, e não é possível ver nem mesmo as luzes das cidades que o avião sobrevoa. Sem conseguir entender os dois fatos associados (uma guerra nuclear poderia ser a resposta para a ausência das metrópoles, mas não explicaria o desaparecimento dos passageiros ausentes), resta aos sobreviventes tentar pousar o avião e tentar entender o quadro completo, se é que isto é possível.

O melhor de “Fenda no Tempo” está no primeiro ato. Extremamente claustrofóbica (porque filmado quase inteiramente dentro de um avião) e angustiante, a trama gera interesse porque funde conceitos sedutores, bastante explorados pela cultura pop – viagens no tempo, apocalipse nuclear, realidades alternativas – em uma história original e inventiva, povoada por um grupo interessante de personagens. Há um piloto traumatizado pela morte da esposa (David Morse), um executivo estressado pela perda de milhões de dólares em ações (Bronson Pinchot) e um irlandês agressivo de passado violento e misterioso (Mark Lindsay Chapman). Como nem tudo é perfeito, há também os personagens melodramáticos e chatinhos que King sempre gosta de incluir nos livros que escreve, e eles incluem uma menina cega com dotes de vidente e uma professora balzaquiana a caminho de encontrar o primeiro pretendente dos últimos 20 anos.

De todos eles, o personagem mais importante acaba sendo o escritor de romances populares (Dean Stockwell), obviamente baseado no próprio King. Embora não participe da ação física, é ele quem utiliza o princípio da dedução, de maneira a ir descobrindo pouco a pouco o contexto fantástico da jornada empreendida pelos passageiros do vôo desgarrado da realidade. Sem ele, não seria possível entender o cenário completo. Aqui, Stephen King também recorre a uma fórmula bem conhecida de seus leitores: cada personagem tem pelo menos um momento de protagonista, de “salvador da pátria”, em que se torna fundamental para o inevitável final feliz. Este elemento, associado ao já conhecido sistema de punições morais típico da obra de King (quem cometeu mais erros no passado sempre ganha punições maiores), ameaça de tempos em tempos afundar o filme no melodrama mais deslavado.

A direção do cineasta Tom Holland (que fez pelo menos um sucesso juvenil nos anos 1980, o misto de horror e comédia “A Hora do Espanto”) é correta, e ele leva o mérito de ter conseguido manter toda a ação em apenas dois cenários – o avião e um aeroporto abandonado – o que acentua a tensão da narrativa. Apesar dos acertos, porém, os efeitos especiais patéticos que surgem no terceiro ato, perto do clímax, ameaçam seriamente a credibilidade da produção. Provavelmente sem dinheiro no orçamento, Holland não tem pudor de pôr animações em 2D (ou seja, desenhos animados feitos com caneta e papel) para contracenar com os atores, criando um híbrido deslocado que ficaria bem em um filme B de Zé do Caixão, mas acaba soando constrangedor em uma minissérie que se leva muito a sério. É como água e óleo, que nunca se misturam. Apesar do senão, a fidelidade canina ao texto de King e o bom primeiro ato garantem a diversão.

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Título Original: The Langoliers
Gênero: Ficção Cientifica
Qualidade: DVDRip
Formato: Rmvb
Áudio: Inglês
Legenda: Português

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Ecos do Alem(Stir of Echoes)


Tom Witzky é um homem normal, com uma esposa grávida e um filho pequeno. Durante uma conversa com amigos, ele convence sua cunhada a hipnotizá-lo, para provar que a hipnose não existe. A hipnose não só dá certo como, por causa de uma frase que sua cunhada diz (”Mantenha a mente aberta”), Tom começa a ter um contato com o além. Ele se transforma em um receptor. Depois de abrir as portas da sua mente para o sobrenatural, ele começa a se comportar de maneira estranha. Enxerga o espírito de uma mulher e busca incessantemente solucionar o mistério que o fantasma esconde. A atmosfera obscura e de medo constante é um dos grandes destaques do filme. As cenas close-up e pontos de vista distorcidos causam impacto e realçam o medo e obsessão.

O período que compreendeu o final dos anos 90 do século passado pode ser bem lembrado pelos apreciadores do cinema de horror, devido à produção de alguns ótimos filmes com temáticas similares explorando histórias de fantasmas, suspense sobrenatural e comunicações com mortos. O pódio resultante da mistura desses atraentes elementos do cinema fantástico é formado principalmente por "O Sexto Sentido" (The Sixth Sense, 1999), de M. Night Shyamalan e com Bruce Willis, "Revelação" (What Lies Beneath, 2000), de Robert Zemeckis e com Harrison Ford e Michelle Pfeiffer, e finalmente por "Ecos do Além" (Stir of Echoes, 1999), de David Koepp e com Kevin Bacon, esse último baseado num livro do especialista Richard Matheson. Todos os três filmes, a propósito, possuem um nível de qualidade muito próximo, apresentando histórias interessantes e bem narradas, garantindo bons momentos de entretenimento.

"Ecos do Além" é uma bem contada história de fantasmas, apesar de inevitavelmente apresentar alguns elementos já vistos anteriormente pelo cinema fantástico. Sua idéia básica mostra um fantasma atormentado com o desejo de que o mundo saiba de seu assassinato e que seu corpo escondido seja localizado. Um pouco antes, em 1998, algo similar foi apresentado no filme japonês "Ringu" com a temível Sadako Yamamura (e que foi refilmado nos Estados Unidos em 2002 com a vingativa Samara Morgan). Mas é importante salientar que muitas pessoas se confundem e pensam que o "Ecos do Além" é uma cópia inferior de "O Sexto Sentido". A verdade é que ambos os filmes foram produzidos coincidentemente no mesmo período, utilizando elementos similares em suas tramas. Devemos lembrar que "Ecos do Além" foi baseado num livro de Richard Matheson escrito em 1958 e consequentemente muito antes do livro de Kôji Suzuki publicado em 1989 e que inspirou "Ringu", e também muito antes de M. Night Shyamalan escrever o roteiro de seu sucesso de bilheterias "O Sexto Sentido".

No filme de David Koepp não existem cenas fortes de violência e excesso de sangue em profusão, pois a história procurou se concentrar mais em elementos sobrenaturais com um suspense psicológico e horror sutil que conseguem envolver a atenção do espectador. Mas duas cenas em especial se destacam, que apesar de pouca carga de violência e intensidade, conseguem transmitir um sentimento perturbador e doloroso, mesmo sendo atitudes mais simples e de pouco sangue, quando comparadas a uma infinidade de atrocidades vistas em outros filmes. Primeiro é uma sequência onde num momento de alucinação e confusão mental, o protagonista Tom Witzky está olhando para seu reflexo num espelho no banheiro e começa a arrancar lentamente com as mãos um de seus dentes frontais, num processo agonizante para quem está testemunhando, como nós, a estranha atitude de auto flagelo (a qual mais tarde seria justificada numa importante revelação). Outra cena perturbadora é quando a jovem Samantha Kozac está tentando se defender de um estupro e ao pressionar sua mão contra o chão, lentamente vemos uma das unhas se desprendendo do dedo até a separação total, se constituindo certamente num ato carregado de muita dor.

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Título Original: Stir of Echoes
Gênero: Suspense
Qualidade: DVDRip
Formato: Rmvb
Áudio: Inglês
Legenda: Português

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Temos Vagas(Vacancy)


Na história do cinema de horror, snuff movies não são um assunto altamente explorado, entretanto, exercem grande curiosidade por parte dos espectadores. O ser humano tem já essa tendência de admirar e se interessar pela desgraça alheia, ao mesmo tempo que snuff movies raramente são agradáveis ao olhos. Violentos e angustiantes, tratam-se de filmagens reais de pessoas sendo torturadas e até mortas. Apesar de caracterizar um tema bastante forte para o genero de horror, não há grandes representantes recentes desse subgênero, como "Videodorme - Síndrome do Vídeo" e "Cannibal Holocaust". Isso, é claro, até "Temos Vagas".

David e Amy Fox não são o perfeito exemplo de marido e mulher. Vivendo já uma crise pré-divórcio, mantendo as aparências apenas para que compareçam às bodas dos pais de Amy, os dois vivem trocando farpas e alfinetadas. Dirigindo para a comemoração, David decide se desviar da Interestadual e pegar um atalho, que o leva à uma estrada deserta. Depois de desviar bruscamente de um guaxinim na pista, o carro passa a apresentar um barulho estranho, que os leva a parar no próximo posto onde são atentidos por um rapaz que recomenda ficarem num motel próximo, sugestão que o casal acata depois que o carro pára de funcionar de vez logo após o rapaz tê-lo "consertado". Sem hóspede algum a não ser os dois, logo o casal entende o motivo do lugar ser tão isolado e sinistro. O estabelecimento é utilizadocomo uma espécie de set para milhares de snuff movies aterrorizantes, alguns dos quais David encontra no próprio quarto onde estão hospedados. Não demora muito para perceberem que serão as próximas "estrelas" desses violentos filmes, e terão que se unir pelo menos mais essa vez para tentarem permanecer vivos pela noite.

Acredito que por ser caracterizado por uma violência extraordinariamente gratuita é que os snuff movies geralmente não são pontos de partida em filmes de horror, ou mesmo por não conseguir render um bom roteiro em volta de tal contexto. Verdade seja dita, "Temos Vagas" pouco tem a acrescentar para esse tema, mas ganharealmente em originalidade, em esconder, na maior parte do tempo, a violência da situação, deixando o choque para as reações das personagens principais. Exceto por alguns breves momentos, não vemos sangue nos vídeos que David e Amy eassistem, e mesmo durante o filme todo, pouco sangue pode ser visto. Ou seja, sua originalidade reside no fato de que um filme sobre violência gratuita seja assustador simplesmente pelo seu tom e construção e não apelar pela violência dos snuff movies assistidos. Iso não seria capaz de acontecer caso não estivesse por trás de tudo, um diretor talentoso como se mostrou ser Nimród Antal, em seu primeiro filme nos EUA. Contando com um cenário amplamente inspirado em "Psicose" (Psycho) (e até mesmo muito do ponto de partida do mesmo), Antal se faz uso de uma câmera extremamente habilidosa durante todo o filme, mesmo antes de todo o horror começar a acontecer, por exemplo, mostrando sempre David e Amy em quadros diferentes no carro e nunca juntos, representando a distância à qual os dois já se submeteram, mudando de figura já dentro no motel, em que se encontram na maior parte do tempo juntos, representando a nova união que foram forçados a realizar.

Funcionando perfeitamente como um tenso thriller de gato e rato, algo que não me impressionava no cinema de horror e suspense desde o fantástico "O Quarto do Pânico" (Panic Room), "Temos Vagas" conta exclusivamente com os dois atores principais para que carreguem o resto nas costas, o que funciona, de fato, graças às presenças carismáticas de Luke Wilson e Kate Backinsale. Wilson, em seu primeiro filme de suspense/terror não chega a impressionar como os cômicos Ryan Reynolds e Kate Hudson quando estes decidiram se aventurar no horror, mas ainda assim trás muito de seu bom humor habitual para o filme, fazendo com que sua personagem fique mais próxima do espectador. Já Beckinsale abandona o posto de heroína de histórias de horror fantástico e dá vida a uma heroína infinitamente mais humana do que os papéis que está acostumada a fazer, mas que comprova seu talento como "rainha do grito", protagonizando escelentes momentos de puro horror,como as cenas nos túneis ou mesmo próximo das cenas finais.

Perdendo força e impacto à medida que seu final se aproxima, "Temos Vagas" é excelente para comer as unhas, algo que não é muito fácil de acontecer hoje em dia. Infellizmente, como fruto da Indústria Cultural, o suspense perde um pouco de sua credibilidade ao final, quando suaviza um pouco os acontecimentos, o que eu considero uma forma de covardia. Embora, é claro, tenha torcido muito para os "mocinhos".

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Título Original: Vacancy
Gênero: Suspense
Qualidade: DVDRip
Formato: Rmvb
Áudio: Inglês
Legenda: Português

Psicopata Americano


A violência gratuita e a competição feroz do mundo atual são os temas principais de Psicopata Americano , um filme que critica, satiriza e ataca frontalmente o estilo de vida vazio e sem sentido dos jovens executivos. O personagem principal é Patrick Bateman, um yuppie nova-iorquino que tem as melhores roupas, os melhores carros e os mais cobiçados objetos de consumo, mas parece nunca estar satisfeito. Retratando a loucura do próprio ambiente em que vive, ele é capaz de matar pelos motivos mais fúteis. Misturando suspense com humor negro, o filme não poupa críticas à sociedade ocidental, que prega o acúmulo indiscriminado de riquezas levado até as últimas conseqüências.

O argumento original é do livro homônimo escrito por Easton Ellis há quase dez anos. Este segundo longa-metragem da diretora Mary Harron (o primeiro foi Um Tiro para Andy Wharol ) foi beneficiado pelo marketing gratuito que obteve antes mesmo do início das filmagens, logo após a recusa de Leonardo Di Caprio em interpretar o papel título. Psicopata Americano seria o primeiro filme estrelado por Di Caprio depois do megasucesso Titanic , mas o astro pulou fora do projeto. Em seu lugar ficou Christian Bale, o ex-garoto do drama de guerra O Império do Sol , que se saiu muito bem no papel. Com visual requintado e alto nível de produção, Psicopata Americano segue a trilha aberta por O Clube da Luta , isto é, se utiliza de muita violência exatamente para criticar a própria violência.

Um dos primeiros filmes de Christian Bale, ator sensação e um dos meus preferidos, ele se destaca como sempre e sua convincente atuação. Pra quem esta de saco cheio dos filmes mastigados e sem critica e profundidade, Psicopata Americano é um prato cheio, e um dos ultimos da onda dos filmes criticos.

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Titulo Original: American Psycho
Gênero: Suspense
Tempo de Duração: 104 min
Ano de Lançamento: 2000
Qualidade: DVDRip
Formato: Rmvb (RAR)
Áudio: Inglês
Legenda: Português
Tamanho: 390 mb

terça-feira, 7 de julho de 2009

Halloween, A Noite do Terror


Um dos grandes clássicos do cinema de horror de todos os tempos, "Halloween - A Noite do Terror" (Halloween, 1978) foi um dos precursores dos filmes com "serial killers", introduzindo o psicopata Michael Myers e sua enorme faca, que ao lado de Jason Voorhees ("Sexta-Feira 13"), Freddy Krueger ("A Hora do Pesadelo") e Leatherface ("O Massacre da Serra Elétrica"), está imortalizado na galeria dos famosos monstros modernos do cinema. Criação do cineasta John Carpenter, responsável por inúmeras produções de ficção científica e horror, "Halloween" impulsionou toda uma safra de filmes de psicopatas ao longo dos anos seguintes, e também uma longa sequência de continuações, numa das mais populares e rentáveis franquias do gênero.

A história começa na pequena cidade americana de Haddonfield, Illinois, numa noite em 1963 quando um estranho menino de apenas seis anos de idade, Michael Myers, se apossa de uma enorme faca de cozinha e ataca violentamente sua irmã Judith que ainda estava despida após um rápido relacionamento sexual com seu namorado que havia se retirado pouco tempo antes. O garoto, fantasiado de palhaço e com uma máscara cobrindo o rosto, desfere vários golpes mortais com sua faca banhando de sangue a irmã mais velha de forma aleatória. Após o criminoso ato, ele sai para fora de casa no momento em que chegam seus pais de carro e o encontram segurando a faca ensanguentada e após tirar a máscara, constatam seu olhar frio e completamente fora da realidade.

Após o crime, ele é internado num hospício numa cidade distante 250 Km, porém ainda em Illinois (Smith´s Grove), e lá fica por 15 longos anos, sob a tutela do psiquiatra Dr. Sam Loomis (interpretado pelo grande ator Donald Pleasence). Porém, na noite de 30 de outubro de 1978, no famoso Halloween (a festa do dia das bruxas nos Estados Unidos), quando o Dr. Loomis e uma enfermeira assistente chegam no hospital psiquiátrico para cumprirem uma decisão judicial e levarem Michael Myers para um interrogatório policial (o que seria bem difícil, pois o psicopata nunca disse uma única palavra no cárcere), eles são surpreendidos por uma fuga dos pacientes do manicômio e Myers consegue escapar utilizando o carro do psiquiatra (mais tarde em um diálogo do Dr. Loomis com o responsável pelo hospício, o roteiro tentou explicar essa gafe alegando que alguém havia ensinado o psicopata a dirigir).

O esperto maníaco se dirigiu então para sua cidade natal de Haddonfield, trocando de roupas na estrada ao atacar e matar um motorista de um furgão, e se instalando na sua antiga casa, agora abandonada e considerada pela vizinhança como assombrada. Ele fica rondando a região, violando o túmulo de sua irmã roubando a lápide de pedra do cemitério, matando a fome comendo literalmente um cachorro, e roubando uma máscara e facas de um armazém, além de espionar as ações de uma jovem estudante, Laurie Strode (interpretada pela "scream queen" Jamie Lee Curtis, papel que impulsionou sua carreira e que a marcou para sempre).

Laurie é babá nas horas de folga e motivo de gozação para seus amigos devido à timidez com namorados, e ela sente-se constantemente observada por um vulto estranho quando está na escola, casa ou rua, e que mais tarde saberia que era Michael Myers que retornava para continuar seu legado de sangue, atacando e matando violentamente três de seu amigos e perseguindo-a implacavelmente. Para combater o psicopata, estava em seu rastro o incansável Dr. Loomis, que veio à Haddonfield para avisar as autoridades locais de sua suspeita do retorno de Myers ao local do antigo crime.

A despeito das inúmeras e inevitáveis falhas de roteiro e clichês habituais do gênero, "Halloween" é considerado hoje um clássico por ser um dos pioneiros na introdução de psicopatas "imortais" e "indestrutíveis" no cinema e pela criação das hoje populares franquias de filmes de horror com suas séries intermináveis. Para se ter uma idéia, a saga "Sexta-Feira 13", iniciada em 1980 num filme dirigido por Sean S. Cunningham, está hoje com dez partes, além do confronto entre o psicopata Jason Voorheese seu rival Freddy Krueger, de outra franquia de sucesso, "A Hora do Pesadelo".

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Título Original: Halloween
Gênero: Terrpr
Qualidade: DVDRip
Formato: Rmvb
Áudio: Inglês
Legenda: Português

Menina Má.com(Hardy Candy)


Ela poderia estar fazendo comédias teen românticas como a maioria das atrizes na sua faixa etária mas em vez disso, a jovem Ellen Page (então com 19 anos) já vem fazendo escolhas ousadas como este Menina Má.com ou Hard Candy no original, que é uma gíria para meninas menores de idade e poderia ter rendido título em português menos embaraçoso. Filmado antes dela chamar a atenção com seu pequeno papel em X-men 3, Page não se deixou abalar pelo sucesso e já está para lançar outros filmes igualmente maduros como Jack e Diane (2007), no qual viverá uma lésbica.

O filme é uma espécie de Lolita da geração online onde Page vive Hayley, uma adolescente que marca um encontro pela internet com o fotógrafo mais velho Jeff (Patrick Wilson). Após os dois trocarem flertes num café, ela decide acompanhá-lo em casa e, à medida em que a sedução vai esquentando, quem cai no "Boa Noite Cinderela" é ele, se tornando um brinquedo nas mãos dela.

Quem é a menina? Devemos sentir pena do pedófilo sofrendo nas mãos dela? Ou devemos sentir simpatia por ela estar "vingando" todas as vítimas de abuso, mesmo usando de métodos violentos? Essas questões morais povoam a cabecinha do espectador durante todos os agonizantes 100 minutos deste eficiente suspense dirigido com habilidade pelo estreante David Slade.

Egresso de videoclipes, Slade consegue imprimir um estilo visual interessante mesmo dentro de seu limitado orçamento, onde praticamente só há dois personagens e uma casa. Abusando de closes que trazem o espectador para a intimidade sórdida dos personagens, arranca performances convincentes dos atores e mantém o clima de tensão quase insuportável durante uma boa parte do filme.

Não é um filme leve e muito menos divertido, algumas falas sarcásticas podem arrancar risadas mas na maior parte do tempo Hard Candy é um filme que mexe com o espectador, deixa uma sensação desconfortável que não acaba quando acendem as luzes e por isso mesmo já é um dos melhores suspenses de 2006.

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Título Original: Hard Candy
Gênero: Suspense
Tempo de Duração: 103 min
Ano de Lançamento: 2005
Qualidade: DVDRip
Formato: Rmvb (RAR)
Áudio: Inglês
Legenda: Português
Tamanho: 343 mb

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Instinto Selvagem 2


Devido a “Instinto Selvagem 2”, muito tem se falado da beleza de Sharon Stone aos 48 anos. Também já foi alardeado a quatro ventos que o filme é uma verdadeira catástrofe. Mas, vamos ser justos: em ambos os casos, nem uma coisa, nem outra.

Para começar, Stone não está tão bonita assim. A loira apresenta no filme uma aparência plastificada – em alguns momentos estranha, até. Magérrima, com bem menos curvas que no longa original de 14 anos atrás, a atriz faz o que pode para manter o ar de “eterna juventude”. Ela se expõe bem pouco – e em todos os sentidos: tem poucas cenas de nudez (diga-se de passagem bem mais rápidas que no filme original), usa muita maquiagem e ainda economiza na atuação.

Talvez em uma das piores performances de sua carreira, Sharon Stone interpreta a escritora-psicopata Catherine Tramell com a mesma expressão de “mulher fria e fatal” o tempo todo. Mas, apesar desta canastrice, o filme dirigido por Michael Caton-Jones (“Rob Roy”, “O Chacal”) não é tão ruim assim. A trama até que prende a atenção e se o espectador não exigir algo tão bom quanto o primeiro longa pode até se divertir. A começar pela cena legal de abertura: após, digamos, ser satisfeita por um astro do futebol enquanto dirige um possante Spyker Laviolette C8 em alta velocidade pelas
ruas de Londres, Tramell joga o carro no rio Tamisa, matando afogado seu novo “amante”.

A partir daí, sua conduta será analisada pelo psiquiatra Michael Glass (o pouco conhecido David Morrissey, de “Fora de Rumo”), que logo entrará no jogo de intrigas da loira. Em todo o desenrolar da trama, o diretor Caton-Jones faz um nítido esforço para manter o clima de suspense, recorrendo à constante música ao fundo, a várias reviravoltas e às aparições “inesperadas” de Catherine Tramell – que muitas vezes soam involuntariamente engraçadas. Não há como não se divertir com as cenas em que “a mulher fatal” aparece subitamente com cabelo propositadamente despenteado, com uma camisa transparente ou durante o enquadramento que começa no tamanco da atriz,
revelando que a doidivanas aguarda o psiquiatra sentada sobre uma mesa. Parece até coisa do “Saturday Night Life”.

Um pouco menos de pose por parte de Sharon e uma direção mais descontraída poderiam ter colaborado para tornar o filme melhor. O resultado, por exemplo, não agradou ao público norte-americano, já que a produção fracassou na bilheteria logo em sua estreia.

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Título Original: Basic Instinct 2: Risk Addiction
Gênero: Suspense
Tempo de Duração: 114 min
Ano de Lançamento: 2006
Qualidade: DVDRip
Formato: Rmvb (RAR)
Áudio: Inglês
Legenda: Português
Tamanho: 381 mb